domingo, 13 de setembro de 2009

GAÚCHOS ILUSTRES < M-O >

GAÚCHOS  ILUSTRES  - M-O -


 . . . continuação . . .


MACHADO DA SILVEIRA,  JOÃO

Militar

Riopardense que teve destacada atuação nos sucessos da Revolução Farroupilha.

Tenente do 2º Corpo de Cavalaria de Bagé (RS).

Neto do casal de ilhéus açorianos; seu pai se destacara nas “Campanhas da Cisplatina” (1ª: 1811-1812, 2ª:: 1816-1820 e 3ª: 1825-1828).

João Machado da Silveira era poeta, autor de interessante carta em verso.

 
 
MACHADO,  JOÃO CARLOS

Advogado

Natural da cidade de Pelotas (RS), o Dr. João Carlos Machado foi uma das mais belas inteligências a serviço do Rio Grande do Sul.
Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, durante alguns anos exerceu a advocacia em Pelotas e em Porto Alegre (RS), passando depois ao desempenho do cargo de Juiz Distrital e de Promotor Publico; foi neste posto que teve oportunidade de pôr em relevo sua sólida cultura jurídica e raras qualidades de orador.
Não menos brilhante foi a sua passagem pela Assembléia Estadual do RGS, como representante do “PRR” (Partido Republicano Rio-Grandense), ao qual pertenceu e muitos serviços prestou.
Como jornalista, deu à A Federação uma de suas fases mais cintilantes em período de delicadas responsabilidades políticas.
O Dr. João Carlos Machado foi um fecundo colaborador do governo do Gen. Flores da Cunha (1930-1935 e 1935-1937), na direção da Secretaria de Estado dos Negócios do Interior, sendo o candidato mais votado de seu partido, para Deputado Federal, na República nova.



MAGALHÃES CALVET,  JOSÉ DE PAIVA

Advogado

Nasceu em Porto Alegre a 19 de março de 1808. Era filho de José Antonio Calvet e D. Rita Maria de Magalhães muito conhecida pelos seus sentimentos religiosos.
Fez os seus primeiros estudos na terra do seu nascimento, indo depois, em 1824, por chamado do seu avô materno, para o Rio de Janeiro, onde se matriculou na Escola de Marinha, obtendo sempre durante o curso, as notas do mais elevado merecimento.
A 02 de dezembro de 1827, foi promovido a guarda-marinha, abandonando, pouco depois, a carreira que abraçou.
Voltando, então, à Província, abriu banca de advocacia, conseguindo um sucesso extraordinário na nova profissão que encetara. Tomando parte ativa na política, foi eleito, por grande maioria, presidente da Câmara Municipal.
Em 1833 exerceu o cargo de procurador fiscal da Tesouraria da Fazenda e mais tarde o Juizado de Órfãos.
Na legislatura de 1835 foi eleito deputado à Assembléia Provincial, não sendo indiferente às questões que ali se debatiam. Em conseqüência da atitude que assumira nessa casa, seguiu às escon¬didas para o Rio de Janeiro, onde se conservou escondido até 1839, por estar implicado seriamente na revolução farroupilha.
Aproveitando o decreto de anistia concedido aos implicados na guerra civil, o nosso patrício iniciou sua colaboração no Despertador; nesta posição, com superioridade de vistas da conveniência de ser re¬conhecida quanto antes, a maioridade de D. Pedro II.
Insistindo nas mesmas idéias, colaborou também, ativamente na Regeneração, revelando, tanto num jornal como noutro, o seu grande valor como homem de imprensa.
Era um escritor de pulso, vigoroso polemista que se batia com a coragem de quem tem consciência dos seus méritos.
Organizado o primeiro ministério, que surgiu em seguida à maioridade do príncipe, o conselheiro Antonio Carlos Ribeiro de Moraes Machado, ministro do império, nomeou o nosso patrício, oficial da sua secretaria.
Neste posto, pelo seu talento, erudição e bom senso, ocupou daí em diante, até a morte, o lugar de oficial de gabinete de todos os ministros que se revezaram na pasta do império.
O excesso de trabalho porém, prejudicou a sua compleição fraca, vindo a falecer a 13 de julho de 1853, deixando a família na maior pobreza.
D. Pedro II, alma grande e generosa, fez tudo quanto era possível para minorar a situação desesperadora em que ficaram os filhos do ilustre servidor da Pátria.



Marechal  BENTO CORREIA DA CÂMARA

Herói de Taquarembó

Indiscutivelmente, os Correia da Câmara, como os Andrade Neves, nasceram para ser militares.
Se bem que a época em que viveram, esses riopardenses ilustres, outra coisa não se fazia senão defender as fronteiras do Rio Grande de São Pedro, sempre ameaçadas; eles poderiam ficar na comodidade das suas casas, como muitos outros ficaram.
Sentindo, porém, correr nas veias o sangue de bravos troncos e possuindo a consciência do dever, o amor pela terra em que nasceram, era forçoso seguir o exemplo daqueles de quem descendiam.
Bento Correia da Câmara, nascido em Rio Pardo (RS), aos 26 de julho de 1786, foi militar como fôra seu irmão mais velho e como fôra seu pai Patrício José Correia da Câmara, a quem o Rio Grande deve assinalados serviços nas lutas que teve de sustentar contra os espanhóis, do rio da Prata.
Casou-se com Maria Benedita Ferreira de Brito, irmã de Antero José Ferreira de Brito - Barão de Tramandaí.
Como seu irmão, também verificou praça no Regimento dos Dragões, do qual seu progenitor era o Comandante (1795-1806).
Iniciou sua vida militar o Bento Correia da Câmara, em 1801, quando mais acesa ia a luta pela conquista das Missões, sendo nessa campanha, da qual fez parte ativa, promovido a tenente, por ato de bravura em combate.
Valente, como deveriam ser todos os nossos antepassados, depressa conquistou o posto de capitão, fazendo a campanha de 1811.
Em 1816, já então coronel, seguiu para as fronteiras do Rio Grande de São Pedro, como comandante de tropa, afim de expulsar as forças de José Gervásio Artigas, que invadiam a Província, em cuja campanha foi ferido.
Seu triunfo maior, entretanto, coube-lhe no Combate de Taquarembó, no qual esse bravo militar se houve com inacreditável denodo, vencendo o inimigo superior em número, numa renhida batalha; é com razão, portanto, que o chamaram de Herói de Taquarembó.
Foi promovido, mais tarde, por merecimento, ao elevado posto de General e depois a Marechal; comandou as fronteiras de Bagé, Rio Grande e Jaguarão.
Tomou parte ainda nos combates de Santa Maria, do Tapeví, de Araicuá, de Ibicuí, de Cunhaperú, do Passo de São Borja, das Palomas, do Itaquatiá e do Catalão, sendo nesse último mais uma vez ferido gravemente; como se vê, esteve Correia da Câmara sempre à frente do perigo, em defesa da Pátria.
Já velho, quando por ocasião do sítio a Porto Alegre, pelos farrapos, apresentou-se para defender a capital.
Possuía as condecorações de Aviz, Ordem de Cristo, Ordem do Cruzeiro e da Rosa, além de medalhas de campanhas e a Cruz de Ouro das guerras do sul do Brazil.
Aquiles Porto Alegre, o inolvidável e saudoso historiador gaúcho, a quem devemos, repetimos, grande parte da ciência da nossa história, referindo-se aos feitos daquele ilustre riopardense, assim se expressou:
“Não era só valente, temerário e estratégico, mas um grande patriota. - Rico fazendeiro como era, mais uma vez ofereceu de suas estâncias, cavalos para remonta do Exército e abriu os seus cofres, contribuindo com valiosos donativos para aumentar e reforçar a nossa esquadra.”
Belo exemplo deixou para as gerações que passam, esse heróico gaúcho; transferindo-se, mais tarde, para o Rio de Janeiro, já então reformado, onde fixou residência, alí deixou a existência aos 13 de abril de 1851.



Marechal  BIBIANO SÉRGIO DE MACEDO COSTALLAT


Nasceu em Porto Alegre a 09 de setembro de 1845. Estudou os preparatórios no Colégio Gomes, tendo conquistado a estima e a consideração do seu velho mestre, pelo fulgor do seu talento e inexcedível aplicação.
Sentou praça em 25 de setembro de 1863, contando tempo de serviço de 30 de janeiro de 1862.
Tomou parte na guerra do Paraguai tendo obtido diversas promoções por atos de bravura. Assim se explica a rapidez da sua carreira militar, até aos bordados de marechal.
Pertenceu ao estado maior de 1ª Classe, tendo o curso de Engenheiro Militar.
Pouco depois conquistou, em concurso, o lugar de lente da Escola Militar.
Era um oficial distintíssimo não só pela bravura, como pelo seu valor intelectual.
Durante o tempo da revolta, serviu como Ministro da Guerra, havendo sido um auxiliar importante no governo do Marechal Floriano Peixoto.
Foi ministro do Supremo Tribunal Militar e aí, ativo, austero e inteligente.
Estava desempenhando as altas funções de Chefe do Estado Maior do Exército, quando a morte o colheu, aos 08 de dezembro de 1904.
Era muito religioso: não perdia festividades da Igreja.
Educado no catolicismo, parecia aumentar o fervor da fé religiosa, á proporção que ia envelhecendo.



Marechal de Ouro  CARLOS MACHADO DE BITTENCOURT

Filho de um militar de brio e bravo, o Marechal Carlos Machado de Bittencourt atingiu ao mais alto posto do exército, seguindo, sem ziguezagues, a firme e reta vontade que herdara de seu pai, o general Jacinto Machado de Bittencourt.
Tendo nascido na província do Rio Grande do Sul, a 12 de abril de 1840, assentou praça em janeiro de 1857, matriculou-se na Escola Militar em 1858 e foi promovido a 2º Tenente em 1860.
Tinha então 20 anos de idade e o alto orgulho da farda que envergava, pelo que, com mais apego á classe, aperfeiçoou os seus estudos militares. Soldado desse tempo, não podia deixar de ser atraído para a guerra, em 1865, quando o Império levantou o cartel de desafio paraguaio, e o 2º Tenente Carlos Machado de Bittencourt foi, nesse mesmo ano, enviado para o campo de operações.
De 1865 a 1869, sem interregno, o jovem oficial rio-grandense afrontou o inimigo em Itapirú, Tuiutí, Tuiu-Cué, Chaco, Humaitá, Timbó, Itororó, Avaí, Lomas Valentinas, Angustura, etc.
Por aqui se vê que o nosso patrício tomou parte em quase todos os principais feitos da guerra do Paraguai, não como figura apagada, mas com o seu nome em destaque. Assistiu às rendições de Humaitá e Angustura em 1868, foi ferido no combate de 24 de maio. Voltou da cruenta campanha, trazendo o posto de capitão, o hábito do Cruzeiro, a medalha de mérito militar, conquistados por serviços e atos de bravura.
Foi um militar brioso e sua fé de ofício é brilhantíssima. Na paz como na guerra, a sua ação era refletida e por isso, eficaz. Em 1873, recebeu a medalha geral de mérito militar, em 1874, o hábito de S. Bento e no ano seguinte o grau de Cavalheiro da Rosa.
Suas promoções aos postos militares foram rápidas: foi major em 1876, tenente-coronel em 1881, coronel em 1885 e brigadeiro em 1889. A República veio, pois, encontrá-lo com a farda bordada, soldado de tão altos méritos e virtudes não podia ser letra morta no novo regime. Assim, a 13 de maio de 1890, vemos o general Carlos Machado de Bittencourt, que era então comandante das armas do Rio Grande do Sul, assumir o governo do Estado, que saía das mãos do Dr. Francisco da Silva Tavares. A 24 do mesmo mês, o Gen. Bittencourt passava-o ao Gen. Cândido Costa, que havia sido, pelo governo provisório, nomeado governador e comandante das armas do Rio Grande do Sul. Foi promovido a general de divisão, em 1892, e a marechal graduado em l2 de julho de 1895.
Foi nomeado comandante do 40 distrito militar em 1891, comandante superior da guarda nacional em 1894 e ajudante general, em 1895. Em 17 de maio de 1 897,o presidente da República, Dr. Prudente de Morais conferiu ao marechal Carlos Machado de Bittencourt a Pasta da Guerra.
Nesse ano a atenção nacional estava vivamente preocupada com os tenebrosos sucessos de Canudos, nos sertões da Bahia. Quatro expedições já haviam sido enviadas contra Canudos, com graves perdas para o exército nacional. O Ministro da Guerra dispôs-se a partir para o teatro das operações, e de fato, a 3 de agosto de 1897, o Marechal Bittencourt seguiu para Canudos. Sua ação ai foi rápida: a 5 de outubro terminava a ingrata campanha, com a tomada e arrasamento de Canudos.
Três meses depois, em 5 de novembro, voltava para o Rio o Ministro da Guerra, com a consciência do dever cumprido. O Dr. Prudente de Morais fora recebê-lo no Arsenal de Guerra da Capital. Em dado momento, um anspeçada do 10º Batalhão, Marcelino Bispo, tentou disparar uma garrucha contra o presidente da República. O Marechal Carlos de Bittencourt acudiu em defesa do chefe do Estado e no ato de desarmar o soldado sanguinário, este vibrou-lhe várias punhaladas.
Assim, fazendo do seu corpo uma couraça, na defesa de vida alheia, acabou a vida gloriosa do bravo rio-grandense que tantas vezes, no fragor dos combates e batalhas, passara incólume por entre as lanças, as balas e as metralhas inimigas.
Por esse seu feito e fim trágico, Carlos Machado de Bittencourt foi pela admiração dos contemporâneos, cognominado o “Marechal de Ouro.”



Marechal  FÁBIO PATRÍCIO DE AZAMBUJA

Natural de São Gabriel (RS), nasceu aos 29 de julho de 1862. Era filho de Manoel Patrício de Azambuja e de D. Maria José da Costa Azambuja.
Seu pai foi abastado estancieiro e o primeiro grande industrialista de S. Gabriel. Construiu em seus campos a primeira charqueada do município, no distrito de Vacacaí, no ano de 1889, dando o nome à estação ferroviária que alí existiu.
No ano de 1879, com 17 anos de idade, assentou praça no 1º Regimento de Artilharia a Cavalo (o Boi de Botas), sediado no velho quartel Caserna de Bravos, em S. Gabriel.
No ano de 1880, seguiu para Porto Alegre, onde foi matriculado no curso prepartório de cavalaria e infantaria.
Em 1883, foi declarado alferes-aluno; em 1886, terminou o curso sendo matriculado na Escola Militar da Côrte.
Aos 18 de junho de 1887. Foi promovido a 2º Tenente, quando terminou o curso de Engenharia Militar, sendo classificado no 1º Regimento de Artilharia a Cavalo, sua unidade de origem.
Aos 26 de janeiro de 1889, foi promovido a 1º Tenente e em março daquele mesmo ano foi promovido a Capitão e designado professor na Escola Militar do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre; aos 18 de julho, é exonerado daquele cargo, a seu pedido.
No ano de 1892, foi nomeado Ministro da Guerra, para servir na Comissão de Tomada de Contas das Estradas Estratégicas do Estado do Paraná.
Em virtude da invasão dos estados de Santa Catarina e Paraná, pelas forças revolucionárias do Gen. Gumercindo Saraiva, sua alterações são bruscamente interrompidas de 09-03-1894 até 18-11-1897.
Na retirada heróica dos maragatos, de Curitiba (Pr), a força de revolucionária dividiu-se em três colunas e o Cap. Fábio Patrício de Azambuja seguiu com o Gen. Gumercindo Saraiva
Em 18 de novembro de 1895, baseado na “Lei de Anistia de 1895” > ele retorna. Esse interregno na vida militar do então Cap. Fábio Patrício de Azambuja, decisão de se transferir para o lado dos revolucionários maragatos; impelidos pelos deveu-se a sua princípios ideológicos, pelos quais sempre foi coerente e nunca delas abriu mão, mormente, quando teve de decidir a favor da sua terra e dos bravos coestaduanos.
Depois de ser reformado aos 08 de março de 1899 > voltou à ativa, sendo provido a Major, em 21 de dezembro de 1904; a Tenente-coronel, em 31 de julho de 1911 e a Coronel a 20 de janeiro de 1915.
Aos 08 de fevereiro de 1922, foi promovido ao posto de General de Brigada, sendo depois removido para diversos cargos políticos e de comando.
Aos 11 de abril de 1924, o Gen. Fábio Patrício de Azambuja pediu a sua reforma, por contar mais de 40 anos de serviço, alcançando então o posto de Marechal.
Faleceu o Marechal Fábio Patrício de Azambuja, em 20 de janeiro de 1955 de colápso cardíaco, conforme consta no Atestado médico, assinado pelo Dr. Oswaldo Passos d’Utra, com idade de 93 anos.
Era casado com D. Adália Patrícia de Azambuja e deixara duas filhas, Áurea Azambuja e Manuelita Azambuja Ferraz casada com o Dr. Pedro Ferraz Neto; seu falecimento deu-se na sua residência particular.



Marechal  FRANCISCO FELIX DA FONSECA PEREIRA PINTO

Nasceu na cidade de Porto Alegre em princípios do século XIX. Era filho legítimo do brigadeiro Joaquim Felix da Fonseca, que tão bons serviços prestara à Pátria adotiva.
Criança ainda, assentou praça em 1817, começando a servir nas fileiras do exército em 1819; alguns anos depois, foi nomeado ajudante pelos seus relevantes serviços e pouco depois, promovido a capitão, pelo valor revelado na batalha do Passo do Rosário, a 20 de fevereiro de 1827.
Quando rebentou a revolução no Rio Grande, pôs a sua espada ao serviço da legalidade, desde 20 de setembro de 1835 a 19 de março de 1845.
Em 1838, passou a major por merecimento, sendo logo designado para assumir o comando do 8º Batalhão de Caçadores.
Em 1851, fez a campanha do Uruguai e Buenos Aires, comandando então a 1ª Brigada da 1ª Divisão.
Assistiu ao combate de Tonelero em 17 de dezembro de 1851 e batalha de Moron, em 3 de fevereiro de 1852, sob as ordens do Conde de Porto Alegre.
Por uma e outra ação foi elogiado, em ordem do dia, pela bravura e sangue frio de que dera provas diante do inimigo; depois desses triunfos, voltou à terra natal, ao seio da família, esquecer os maus dias que passara longe do lar carinhoso.
A 27 de março de 1854, invadiu o Estado Oriental, chegando a 3 de maio a Montevideo, à frente da divisão imperial de observação naquela república.
Pouco tempo depois, a 2 de dezembro de 1856, foi promovido a mare¬chal de campo.
A 2 de novembro de 1858 o governo deu-lhe o comando das armas da Província da Bahia, onde procedeu a merecer aplausos de gregos e troianos. Concluída essa delicada comissão a 7 de novembro de 1860, passou a exercer o cargo de ajudante-general, vindo a falecer no Rio de Janeiro, a 28 de novembro de 1861.
Foi sempre considerado um dos nossos grandes generais, pelo saber e valor.



Marechal  GASPAR FRANCISCO MENA BARRETO

Natural do Rio Pardo (RS), nasceu em 1790 e faleceu em Porto Alegre (RS), no ano de 1856; filho mais velho do Visconde de S. Gabriel.
Aos treze anos assentava praça no Regimento de Dragões e nele serviria de soldado voluntário a coronel-comandante.
Participou de todas as operações de guerra na campanha guaranítica, conquistando por bravura, o posto de alferes.
Na 1ª Campanha da Cisplatina (1811-1812), tomou parte nos assaltos aos Fortes de S. Miguel e Stª Teresa e na marcha circular do Exército Pacificador da Banda Oriental, de D. Diogo de Souza.
Na 2ª Campanha da Cisplatina (1816-1821), destacou-se nas ações de Santana, Carumbé e Catalão, onde foi gravemente ferido, recebendo no campo de batalha, os galões de capitão e a espora de ouro de cavaleiro.
Cessada a luta, com a incorporação da Banda Oriental ao Reino Unido do Brasil, foi logo promovido a tenente-coronel e em seguida a coronel-comandante de seu tradicional Regimento, aquartelado no Rio Pardo.
Em 1825, tendo sido atacado de grave enfermidade, passou o comando do Regimento e pediu reforma, que lhe foi concedida no posto de brigadeiro, mais tarde melhorado em marechal-de-campo.
Contra essa e outras melhorias de reforma, falou da tribuna da Câmara o Deputado Antônio Carlos.
No movimento farroupilha foi acusado de parcialidade em prol dos Farrapos, o que parece ter sido mais uma vingança pessoal.
Em 1840, assumia o comando militar de S. José do Norte, que deixava dois anos depois, para exercer o das Milícias na região de Taquari, até Torres e Mostardas.
Gaspar Francisco Mena Barreto era poeta e homem de letras, destacando-se suas “ordens do dia” - que os companheiros achavam fora das normas usuais.



Marechal  JOÃO DE DEUS MENNA BARRETO

Visconde de São Gabriel

João de Deus Menna Barreto nasceu no antigo povoado do Rio Pardo (RS), aos 02 de julho de 1769; filho do Cel. João de Deus Barreto Pereira Pinto e de Francisca Veloso da Fontoura.
Bem jovem ainda, assentou praça no Regimento de Dragões alí estacio¬nado, alcançando, em poucos anos, os postos de oficial subalterno.
Casou com Rita Bernarda Côrtes de Figueiredo Mena (natural do Rio de Janeiro, filha do Tenente José Maria de Figueiredo Mena, natural de Portugal). Resolveu mudar seu nome, para João de Deus MENA BARRETO, tornando-se assim o fundador da família MENA BARRETO.
Do seu matrimônio, lhe nasceram os seguintes filhos legítimos:
01 - Sebastião (1780-1846);
02 - Gaspar Francisco, Marechal (1790-1856);
03 - José Luiz (1796-1825), morto heroicamente no combate do Haedo;
04 - João Propício, Barão de S. Gabriel (1808-1867);
05 - Luiz José;
06 - Propício;
07 - Mafalda Sinforosa, casou c/ o Cap. Manoel Pedroso de Albuquerque;
08 - Maria Pulcra, casou c/ o Cap. José de Paula Prestes da Fontoura;
09 - Antônio;
10 - João ( I );
11 - João ( II );
12 - Francisca de Paula;
Deixou mais quatro filhos legitimados:
13 - João Manoel, Brigadeiro (1824-1869), morto na Batalha de Peribebuí;
14 - Luiz Francisco;
15 - Maria Sinforosa, casou com Antônio da Silva Neves Pitanga;
16 - João Batista, Alferes.
Havendo tomado parte, com o seu regimento, na campanha de 1801 e praticado atos de verdadeiro heroísmo, foi promovido ao posto de sargento-mor.
Em 1811, o Capitão-general D. Diogo de Souza teve ordem de invadir o Estado Oriental à frente de um poderoso exército; antes de o fazer, determinou que uma coluna fosse guarnecer o território das Missões e, incumbiu dessa delicada comissão o Tenente-coronel João de Deus Menna Barreto, que era um oficial de sua inteira confiança.
Como continuassem as correrias e depredações na capitania do Rio Grande do Sul, por parte da gente da pior espécie, que acompanhava o caudilho D. José Gervásio Artigas, D. João VI entendeu que devia acabar para sempre com este estado de coisas.
Em 3 de outubro de 1816, o Brigadeiro Menna Barreto, bateu por completo, os espanhóis no território das Missões. Foi um feito brilhante em que o ilustre general revelou a sua bravura e alta capacidade estratégica.
Mas era preciso atacar quanto antes, a divisão do caudilho Verdurn que dominava em Quaraí, lbirocaí, Inhanduí e Pai-Passo, João de Deus não se fez esperar: foi ao seu encontro, destroçando completamente as forças contrárias que eram muito mais numerosas.
Ocupando-se desse combate um distinto escritor, finaliza a sua narrativa, com as seguintes linhas:
“Assim findou a batalha de Ibirocaí, tão funesta para o inimigo, que alí purgou os crimes e horrores cometidos na invasão daquele território por ele assolado”.
Nessa memorável ação, o ilustre general que a comandava, conservou-se firme no seu posto, apesar de ferido; o caudilho inimigo, diante daquele medonho desbarato fugiu do campo de luta, antes de concluído o combate; só encontrou salvação nas patas do cavalo que montava.
A 4 de janeiro de 1817, Menna Barreto, já restabelecido do ferimento que recebeu em Ibirocaí, coube-lhe o papel saliente na batalha de Catalão. Aí obrou prodígios de valor, investindo contra o inimigo, à frente da sua ca¬valaria, que ia levando a morte por toda a parte.
Em 1832, já com mais de 60 anos e adoentado, solicitou sua reforma que lhe foi concedida, em 2 de outubro.
Em junho de 1836, de acordo com outros chefes locais, tomou a inicia¬tiva da reação, em Porto Alegre.
Depois da Paz de Ponche Verde foi residir no Rio Pardo, onde contava com afeições que lhe eram muito caras.
Por carta imperial de 10 de janeiro de 1846, o governo o condecorou com o título de Visconde de São Gabriel, com honras de grandeza.
A 27 de agosto de 1849, faleceu em Rio Pardo, o Marechal João de Deus Menna Barreto.
Um escritor daquela época, ocupando-se da sua morte, traçou as seguintes linhas:
“Perdeu a Pátria um benemérito servidor, e a província do Rio Grande do Sul, em particular, deverá chorar a perda do distinto soldado, cujos gloriosos feitos são para ela um padrão de glórias”.



Marechal  JOÃO PROPÍCIO DE FIGUEIREDO MENNA BARRETO

Barão de S. Gabriel

Natural do Rio Pardo (RS), João Propício de Figueiredo Menna Barreto nasceu aos 05 de agosto de 1808. Era filho do marechal João de Deus Menna Barreto (I Barão de S. Gabriel - e depois, Visconde de S. Gabriel) e de D. Rita Bernarda Cortês de Figueiredo Menna.

Em 27 de junho de 1820, com apenas 12 anos de idade, assentou praça como 1º Cadete, no Regimento de Dragões, do Rio Pardo (RS).

Em 1º de março de 1826, com 18 anos chegava a Montevideo, onde apresentou-se no 5º Regimento de Cavalaria; participou da célebre “Batalha do Rosário” (Ituzaingó), em 20-02-1827.

Aos 12 de outubro de 1828, foi promovido ao posto de alferes; mas, a 1º de maio de 1832, pediu exclusão do Exército, para tratar de interesses particulares, tornando-se “estancieiro” nos campos do Batoví, no município de S. Gabriel (RS).

Casou-se com D. Francisca Palmeiro da Fontoura (filha de Sebastião Pinto da Fontoura); do matrimônio, tiveram cinco filhos legítimos > Maria da Glória Menna Barreto, Sebastião Menna Barreto, Corina Menna Barreto, João Propício Menna Barreto Filho e Cecília Menna Barreto e, dois filhos ilegítimos > João Batista Menna Barreto e Propício Afonso Menna Barreto.

Impelido pelo seu espírito guerreiro, o tenente Propício Menna Barreto não vacilou um só momento para empunhar as armas, enganjando nas tropas imperiais, incorporadas à Brigada do Gen. Bento Manoel Ribeiro, tomando parte ativa na Revolução Farroupilha de 1835, combateu a favor da legalidade, sem o menor recuo, durante os dez anos de luta encarniçada; venceu ao Cel. Agostinho José de Mello, no combate no passo do Piquirí (Cachoeira), em 25 de novembro de 1841.

Em 1846, foi promovido ao posto de coronel e em 1851, foi com as nossas forças até a República Argentina, a fim de derrotar a tirania de Rosas, voltando com a consciência de haver cumprido o seu dever.

Em 14 de março de 1854, foi promovido a “Brigadeiro” (General de Brigada); aos 15 de março de 1858, foi nomeado Vice-presidente do Rio Grande do Sul e aos 10 de abril daquele ano, era agraciado com a Dignatária da Ordem do Cruzeiro do Sul.

Aos 17 de abril de 1863, foi agraciado com a medalha Comendador da Ordem da Rosa.

Em 1864, nomeado comandante em chefe do exército, invadiu o Esta¬do Oriental do Uruguai, para esmagar o poderio de Aguirre que deixou enxovalhar a nossa bandeira, quando o populacho desenfreado, arrastou-se pelas ruas de Montevideo.

Quando o Gen. João Propício teve ordem de marchar o quanto antes para a república vizinha, o seu estado de saúde era muito delicado.

02 de março de 1864, foi elevado ao posto de Marechal-de-campo, assumindo o comando das Armas da Província do RGS; logo, recebe ordens para marchar contra Os vizinhos “orientales”; nessa marcha penosa, os seus incômodos se agravaram, mas Menna Barreto seguia sempre para a frente, com o peito e as costas cobertos de cáusticos, com uma resignação que admirava a todos que o cercavam, na sua barraca e assim, neste deplorável estado, quase um moribundo, assistiu entre dores cruéis, ao ataque de Paissandú em 31 de dezembro de 1864 e pouco depois à tomada de Montevi¬deo, a 20 de fevereiro de 1865. Um outro teria abandonado logo o seu posto de honra, ele, entretanto, não quis fazê-lo porque acima de tudo, colocava sempre o cumprimento do dever.

Concluída a guerra com a vitória das nossas armas, voltou para S. Gabriel, a terra adotada pelo Marechal João Propício Menna Barreto.

Em atenção aos seus valiosos serviços, o governo o condecorou como Barão de São Gabriel.

Sua Majestade, o Imperador D. Pedro II, ao passar por S. Gabriel em viagem para Uruguaiana, a fim de assistir a rendição da força expedicionária paraguaia (ao mando do Tenente-coronel Antônio de La Cruz Estigarriba, já cercado pelas tropas brasileiras), aproveitou para visitar o Barão de São Gabriel, assim descrito por seu genro, o Conde d’Eu:

“Dia 31 de agosto de 1865. De tarde, foi o Imperador visitar o Barão de São Gabriel, Marechal-de-campo João Propício Menna Barreto. É o General que no princípio da atual guerra comandou a invasão do Estado Oriental e tomou Paissandú, cooperando com Venâncio Flores e com o Visconde de Tamandaré.

Mas, o infeliz militar, na campanha adquiriu a “tísica” (tuberculose), que o vai lentamente consumindo; já não pode erguer-se do leito, junto do qual vimos a baronesa, duas irmãs desta, cinco filhos, o mais velho dos quais ainda não tem cinco anos.”

Foi um dos generais mais ilustres que teve o nosso exército. Nenhum outro o excedeu em valor, em audácia e em bravura. Era um soldado completo; nada lhe faltava.

Em todos os combates em que tomou parte, sempre se pôs em relevo pelos seus rasgos de coragem.

Faleceu na tarde de 09 de fevereiro de 1867, na sua estância da Boa Vista, bem próxima do legendário Cerro do Batoví, sendo sepultado na cidade de S. Gabriel

É o Patrono do “9º Regimento de Cavalaria Blindada” sediado na terra dos Marechais (S. Gabriel).



Marechal  JOÃO TOMÁS CANTUÁRIA

Quando, após uma longa ausência de sua terra natal, o general Cantuária, em princípios de março de 1896, voltou a Porto Alegre, investido das funções do comando do 6º Distrito Militar, era uma bonita estampa de veterano; alto, espigado, de longas e alvíssimas barbas à feição dos patriarcas bíblicos, o porte ereto, varonil, imponente.

Ele tinha sido na sua mocidade um rapaz desenvolto, de físico insinuante, uma bonita figura enfim; não admirava, pois, que no ancião se notassem, malgrado as campanhas que pelejara, os requisitos naturais de sua formosa, longínqua mocidade.

Porque não se julgue, como podia supor-se, que esse forte e bonito velho de 1896 tinha tido uma descansada vida de soldado, galgando postos em disponibilidade, como deputado ou senador, à maneira de tantos outros. Não.

Praça de 1854, no 1º Regimento de Artilharia, fez a campanha do Uru¬guai e, em 1865, a guerra do Paraguai veio encontrá-lo, com o posto de 1º Tenente, servindo na expedição enviada por esse tempo a Mato Grosso. Aí teve o nosso patrício de enfrentar o temeroso sanguinário inimigo e, é um dos heróis da famosa Retirada da Laguna, que a pena magistral do Visconde de Taunay (integrante dela), narrou com tanta eloqüência e tão colorido e poderoso estilo, que esse livro é considerado pelos melhores críticos superior à Retirada dos dez mil, do historiador Xenofonte, o principal chefe desse notável feito das armas da antigüidade.

Pelos serviços prestados na expedição do Mato Grosso, o nosso patrí¬cio foi comissionado no posto de major e agraciado com o título de Cavaleiro da Ordem do Cruzeiro.

Após a sua transferência para o corpo do estado-maior de 1ª Classe, foi nomeado diretor da fábrica de pólvora e promovido por merecimento a Ten.-coronel.

Proclamada a República, foi João Tomás Cantuária, em janeiro de 1890 promovido a coronel por serviços relevantes, em 1892 a general de brigada, em 1895 a general de divisão e em abril de 1900 a marechal do exército, tendo servido, em diversas épocas, nesta sua brilhante carreira ascendente, o cargo de comandante de polícia da corte e de, chefe de seção da diretoria geral de obras militares, o de comandante da Escola Militar, do Rio, o de diretor do Arsenal de Guerra, os de comandante ao 3º e 6º Distritos Militares, o de ajudante general do exército, o de ministro da guerra, o de chefe do es¬tado-maior do exército e, por último, o de ministro do Supremo Tribunal Militar — onde a morte o colheu, no Rio de Janeiro, a 22 de março de 1908.

Foi, como se viu, um rio-grandense que honrou a sua terra natal — a terra lendária que o verbo inflamado de Barbosa Lima, chamou um dia, num dos seus arroubos tribunícios, com profunda psicologia étnica e verdade histórica — “Jerusalém dos Eleitos”.



Marechal  JOSÉ CARLOS PINTO

Natural da cidade do Alegrete (RS); nasceu aos 13 de abril de 1850. Muito jovem ainda, dedicou-se à carreira das armas, para percorrer toda a escala da hierarquia militar até chegar ao posto de Marechal, pela arma de artilharia.

Quando Major, José Carlos Pinto foi ajudante do Arsenal de Guerra, de Porto Alegre (RS).

Esteve na Europa, como chefe da comissão de compras de material bélico, para o Exército Imperial do Brazil e foi comandante e remodelador das fortalezas de Santa Cruz e S. João, no Rio de Janeiro (RJ).

No governo do Marechal Hermes Rodrigues da Fonseca desempenhou importante missão no norte; era a esse tempo Comandante da Região Militar com sede em Recife (PE) e recebeu o encargo de pacificar o grande estado convulsionado pela campanha “Rosa e Silva” - Dantas Barreto.

Do que foi sua missão harmonizadora da família pernambucana, fartamente a história nos fala.

Já avançado em idade, José Carlos Pinto reformou-se, passando a viver no Rio de Janeiro (RJ), então capital federal do Brazil, cercado do respeito de quantos tiveram a ventura de privar com ele e conhecer tão grande coração.

Após a Proclamação da República, foi eleito Deputado à Constituinte Rio-Grandense e, em 1893, foi um dos mais bravos defensores republicanos, fazendo toda a campanha contra o “PF” (Partido Federalista) do Dr. Gaspar Silveira Martins, sendo um de seus feitos mais notáveis a defesa da cidade do Rio Grande (RS) e entrada da Barra, na investida da Esquadra comandada por Wandencolk. Ainda hoje um dos arrabaldes dali tem o nome de Major Carlos Pinto, recordando o acontecimento.

Quanto à sua ação no comando geral da Brigada Militar do RGS, há inúmeras referências nos anais daquela corporação; esteve à testa dessa força desde 11 de fevereiro de 1897 até 15 de fevereiro de 1909, reorganizando-a integralmente.

Foi no RGS que nasceu e nele viveu sua mocidade; nesse estado desenvolveu a maior parte de sua atividade militar, quer nas fileiras do Exército, quer no comando geral da Brigada Militar do RGS; nesse estado fez a propaganda da República, militou na política, marchou pelas coxilhas desse estado e por aqui combateu por essa mesma política, em 1893.

O Marechal José Carlos Pinto foi casado com Virgínia Gonçalves; dos sete filhos que o casal teve, contam-se: Arnaldo Carlos Pinto (advogado residente no Rio de Janeiro – RJ), José Carlos Pinto Filho (Militar do Exército), Esther Gonçalves Pinto (esposa do militar e Dr. Eurico Laranja), Geny Gonçalves Pinto (esposa do também militar Francisco Farias) e Alice Gonçalves Pinto.

O Marechal José Carlos Pinto, embora afastado do Rio Grande do Sul há muitos anos, conservou por aqui muitos admiradores e amigos dedicados.



Marechal  JOSÉ INÁCIO DA SILVA

Nasceu na antiga capitania do Rio Grande do Sul, na segunda metade do século XVIII. Bem moço sentou praça num dos regimentos de milícias estacionados na mesma capitania distinguindo-se, desde logo, pela sua brilhante inteligência.

Devido aos belos dotes de natureza, conseguiu facilmente os primeiros postos na carreira militar.

A 5 de fevereiro de 1784, na fronteira do Chuí, reuniu-se à comissão demarcadora dos limites entre o Brasil e as colônias espanholas, sendo escolhido para exercer o cargo de secretário, o nosso patrício.

Alguns anos depois, havendo dado cabal desempenho a essa comissão, foi distinguido com a promoção a sargento-mor, por merecimento.

Pouco depois passou a exercer o cargo de ajudante de ordens do governo da capitania de S. Pedro, sendo promovido a tenente-coronel, logo em seguida à campanha de 1801, em que praticou atos de bravura.

Tendo o Gen. D. Diogo de Souza sido empossado em 1807 27 , na capitania geral do Rio Grande do Sul, continuou o nosso patrício a exercer o cargo de ajudante de ordens do novo governador.

Havendo tomado parte na campanha de 1811 a 1812, foi graduado no posto de coronel, em atenção aos bons serviços que prestara.

Em 1814, assumindo o governo da capitania o Gen. Marquês do Alegrete, o designou logo para ocupar os cargos de intendente da marinha e deputado da junta da Fazenda Nacional.

Em 1818, foi graduado no posto brigadeiro, pelos assinalados serviços da última campanha.

Tendo sido criada a junta governativa, foi empossado no lugar de membro e secretário dos negócios da guerra do governo representativo do Rio Grande do Sul, estabelecido em Porto Alegre, a 22 de fevereiro de 1822.

A 12 de novembro de 1823 substituiu o Marechal João de Deus Mena Barreto na presidência da Junta Governativa, deixando esse cargo no mês de março de 1825, quando foi nomeado o Visconde de S. Leopoldo, presidente do Rio Grande do Sul.



Marechal  JOÃO BAPTISTA MASCARENHAS DE MORAES

Comandante da FEB

Natural de S. Gabriel (RS), nasceu aos 13 de novembro de 1883. Filho de Lafayette Appolinário de Moraes (natural de Encruzilhada - RS) e de D. Manoela Mascarenhas de Moraes (S. Sepé – RS); foi batizado e crismado na igreja (do Galo) da sua cidade natal.

Matriculou-se com 15 anos de idade, na Escola Preparatória de Tática, do Rio Pardo (RS), a 1º de abril de 1899, tendo como colegas, os cadetes Bertholdo Klinger, Getúlio Dorneles Vargas e Eurico Gaspar Dutra, que se dignificaram em relevantes serviços prestados ao Brasil.

Aos 21 de março de 1902, matriculou-se na Escola Militar do Brasil, Praia Vermelha, Rio de Janeiro.

Aos 20 de agosto de 1905, foi promovido a alferes-aluno e neste posto serviu no 1º Regimento de Artilharia de Campanha (Caserna de Bravos), sediado em S. Gabriel (RS), de 16-10-1905 até 09-11-1906.

Entre os anos de 1910 a 1914, participou como membro da Comissão de Limites, entre o Brasil e a Bolívia.

Aos 04 de agosto de 1915, casou-se com a também gabrielense Adda Ribeiro Brandão, filha do Gen., Belo Augusto Brandão, de cujo consórcio vieram dois filhos: Roberto, em 1916 e Martha, em 1919.

Aos 14 de janeiro de 1932, foi nomeado comandante do 1º Regimento de Artilharia Montada, sediado no Rio de Janeiro (RJ).

Aos 26 de maio de 1932, assumiu o comando do 9º Regimento de Artilharia Montada, sediado em Curitiba (PR).

Aos 09 de março de 1934, foi nomeado Diretor-Geral das Escolas de Armas, na Vila Militar, sediada no Rio de Janeiro (RJ).

Comandou a Escola Militar do Realengo de 1935 até 1937.

O Cel. João Baptista Mascarenhas de Moraes chegou ao generalato, aos 15 de novembro de 1937, sendo promovido a General de Brigada, sendo efetivado no comando da 9ª Região Militar, sediada em Campo Grande (MT - hoje MS), sendo que, como general sempre esteve no comando de grandes unidades do nosso Exército, como a Artilharia Divisionária, da 1ª DI, sediada no Rio de Janeiro (RJ) e a 7ª Região Militar, sediada no Recife (PE).

Aos 04 de maio de 1942, foi promovido a General de Divisão, sendo nomeado comandante da 2ª Região Militar, sediada em S. Paulo (SP), em 1943.


II - GUERRA MUNDIAL

A 1º de setembro de 1939, a Alemanha de Adolf Hitler, com seu poderoso exército mecanizado, invadiu a Polônia, dando início à 2ª Guerra mundial, envolvendo e afetando, direta ou indiretamente, todas as nações do mundo.

A guerra com seu furor ensandecido e destruidor, foi estendendo seus tentáculos em todas as direções, atingindo nossas costas marítimas, com submarinos alemães aqui custodiando os navios cargueiros que transportavam mantimentos procedentes da Argentina (que apoiava a Alemanha); esses submarinos (que alguns afirmam serem americanos), torpedearam em horas mortas da noite sem prévia declaração de guerra, navios cargueiros brasileiros (quando se aproximavam nas naus argentinas), sepultando no abismo das águas, centenas de vidas (homens, mulheres, crianças e idosos) que viajavam a bordo; foram 31 navios afundados, constituindo um prejuízo material, além da perda lamentável de 971 pessoas, vítimas dos naufrágios.

Com o contínuo afundamento de navios brasileiros, inclusive na nossa costa atlântica, o povo saiu às ruas em quase todas as cidades do nosso país, principalmente nas capitais, exigindo o desagravo da honra nacional, pela qual levou o Brasil, à Declaração de Guerra às “Potências do Eixo” (Alemanha, Itália e Japão) e outros povos do seu bloco.

Aos 10 de agosto de 1943, o Gen. João Baptista Mascarenhas de Moraes recebeu o convite do Gen. Eurico Gaspar Dutra (então, Ministro da Guerra) e depois a escolha foi confirmada pelo Presidente Dr. Getúlio Dorneles Vargas (seu ex-colega da Escola Preparatória e de Tática, do Rio Pardo – RS), o convite para comandar uma Divisão de Artilharia, que integraria com mais duas Divisões de Infantaria, a “Corpo Expedicionário Brasileiro” (CEB), com 25 mil homens (cada uma); mas não passou da primeira que, mais tarde, passou a chamar-se Força Expedicionária Brasileira (FEB) e seus soldados ganharam o carinhoso apelido de Pracinhas.

O EMBARQUE DOS ESCALÕES DA “FEB”
1º Escalão, zarpou do Rio de Janeiro (RJ), aos 02 de julho de 1944, para Nápoles (Itália), a bordo do navio General Mann” > comandado pelo Gen. Zenóbio da Costa, lá aportando aos 16 de julho do mesmo ano, com um efetivo de 5.075 homens, dos quais 304 oficiais.

O Presidente Dr. Getúlio Dorneles Vargas foi a bordo do grande transatlântico “General Mann” acompanhado pelo Ministro da Guerra, Gen. Eurico Gaspar Dutra > e pelo microfone de bordo falou ao contingente embarcado, com palavras de confortável estímulo patriótico, dizendo:

“Soldados do Brasil!

O Presidente da República aqui vem acompanhado do Ministro da Guerra, para trazer-vos os votos de feliz viagem e, não podendo fazê-lo pessoalmente a cada um, o faz por meio deste microfone. É sempre uma glória lutar-se pela Pátria e por um ideal.

O Governo e o povo do Brasil vos acompanham em espírito na vossa jornada, vos saúdam e vos aguardam cobertos de glória.”

2º Escalão, zarpou do Rio de Janeiro (RJ), aos 22 de setembro de 1944, para Nápoles (Itália), a bordo do navio “General Mann” > comandado pelo Gen. Osvaldo Cordeiro de Farias, lá aportando aos 06 de outubro do mesmo ano, com um efetivo de 5.075 homens, dos quais 368 oficiais.

3º Escalão, zarpou do Rio de Janeiro (RJ), aos 22 de setembro de 1944, para Nápoles (Itália), a bordo do navio “General Meigs” > comandado pelo Gen. Olímpio Falconiere da Cunha, lá aportando aos 06 de outubro do mesmo ano, com um efetivo de 5.239 homens, dos quais 318 oficiais.

4º Escalão, zarpou do Rio de Janeiro (RJ), aos 23 de novembro de 1944, p/ Nápoles (Itália), a bordo do navio “General Meigs” > comandado pelo Cel. Mário Travassos, lá aportando aos 07 de dezembro do mesmo ano, com um efetivo de 4.691 homens, dos quais 285 oficiais.

5º Escalão, zarpou do Rio de Janeiro (RJ), aos 08 de fevereiro de 1945, p/ Nápoles (Itália), a bordo do navio “General Meigs” > comandado pelo Tenente-coronel Ibá Jobim Meireles, lá aportando aos 22 do mesmo mês e ano, com um efetivo de 5.082 homens, dos quais 247 oficias.

A “FEB” totalizava 25.162 militares dos quais, 1.522 eram oficiais e ainda mais 111 médicos e 67 enfermeiras, permanecendo 239 dias na Itália.

FIM DA GUERRA
Finalmente, aos 08 de maio de 1945, a luz da compreensão e do amor fraternal iluminou a consciência dos homens e, a PAZ calou a boca das armas e todos os povos se regozijaram pela confraternização das nações.

NOSSAS BAIXAS
Brasileiros Enviados Mortos Capturados Feridos
Oficiais 1.522 21 1 0
Pracinhas 23.640 430 34 0
Diversos 178 15 0 0
TOTAL 25.340 466 35 2.722

O REGRESSO
A “FEB” regressou da Itália, para o Brasil, no período de 06 de julho até 03 de outubro de 1945.

OS RESTOS MORTAIS DOS EXPEDICIONÁRIOS
Estavam sepultados em Pompéia (Itália) e vieram para o Brasil (sua pátria), aos 02 dezembro de 1960, em tocante solenidade de patriotismo e saudade, foram depositadas as 466 urnas com os restos dos heróis expedicionários, sacrificados pela liberdade e pela democracia dos povos livres.

Após a Campanha da FEB, na Itália, veio juntamente com sua esposa, visitar a sua terra natal, onde foram recebidos com as significativas demonstrações de apreço e estima.

Sem dúvida, entre os vultos ilustre de S. Gabriel, se destaca na soma dos seus méritos, pela causa que abraçou como ideal supremo, que o fez memorável na sua gloriosa carreira até alcançar o píncaro da sua consagração pessoal

CONDECORAÇÕES
01 - Medalha de Campanha (Brasil);
02 - Grã-Cruz da Ordem do Mérito Militar (Brasil);
03 - Medalha Militar de Ouro [40 anos de serviço] (Brasil);
04 - Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito (Brasil);
05 - Grande Oficial da Ordem do Mérito Militar Aeronáutico (Brasil);
06 - Medalha de Campanha “Broze Star” (EUA):
07 - Grande Oficial da Legião do Mérito (EUA);
08 - Medalha Cruz de Guerra com Palma (França);
09 - Grã-Cruz da Legião de Honra (França);
10 - Grande Oficial de Mais Excelente Ordem (Império Britânico);
11 - Grã-Ordem de Leopoldo II (Bélgica);
12 - Medalha de Ouro “Croce Lateranense” (Vaticano);
13 - Grã-Cruz, com Palma de Ordem Militar de Cristo (Portugal);
14 - Grã-Cruz da Ordem do Mérito Militar (Portugal);
15 - Grã-Cruz da Ordem do Mérito Militar (República Italiana);
16 - Grande Oficial da Ordem Nacional do Mérito (Paraguai);
17 - Grã-Cruz da Ordem do Mérito Militar de “Ayacucho” (Peru);
18 - Grã-Cruz da Ordem “Rubem Darío” (Nicarágua);
19 - Ordem da Coroa (Itália).

TÍTULOS HONORÍFICOS
01 - Doutor Honoris causa pela Universidade de São Paulo;
02 - Sócio honorário do Instituto de Geografia e História do Brasil;
03 - Membro da Junta Internacional de Defesa;
04 - Membro honorário do Instituto dos Ideais Americanos (Grupo América);
05 - Cidadão honorário da cidade de Florença (Itália);
06 - Cidadão honorário da cidade do Rio de Janeiro (Brasil);
07 - Cidadão honorário da cidade do Recife (Brasil);
08 - Cidadão honorário da cidade de Curitiba (Brasil);
09 - Cidadão honorário da cidade de São Lourenço (Brasil);
10 - Cidadão honorário da cidade de Juiz de Fora (Brasil).

MONUMENTO
Em São Gabriel (RS), foi levantado um “Monumento Simbólico” constituído por um “arco do triunfo” > sob o qual se ergue um pedestal encimado pelo busto em bronze, do Marechal JOÃO BAPTISTA MASCARENHAS DE MORAES, Comandante da “Força Expedicionária Brasileira.”
No arco há a “cobra fumando”, símbolo da FEB e um conjunto compreendendo: Bandeira do Brasil, Capacete e Folhas de louro.

Inscrições:
“O povo gabrielense aos heróis da FEB”
“Marechal João Baptista Mascarenhas de Moraes -
Cmt. Força Expedicionária Brasileira”
“Camaiore - Monte Plano - Monte Castelo, Montese - Zocca - Colégghio - Fornovo.”


--- ::: o ::: ---


O falecimento de D. Adda Ribeiro Brandão > deu-se aos 09 de janeiro de 1962.
O falecimento do Marechal João Baptista Mascarenhas de Moraes > deu-se aos 17 de setembro de 1968.



Marechal  JOÃO NEPOMUCENO DE MEDEIROS MALLET

Natural da freguesia de Bagé (RS), nasceu aos 16 de maio de 1840. Filho do Marechal Emílio Luiz Mallet (Patrono da arma de Artilharia e Barão de Itapeví) e de D. Joaquina Castorina de Medeiros Mallet; geraram quatro filhos e todos na Rainha da Fronteira: Emília, Pedro Félix, Antônio Júlio e João Nepomuceno.

João Nepomuceno de Medeiros Mallet fez o curso primário e parte do secundário, em Bagé, revelando desde cedo uma inteligência precoce.

Em princípios de 1856, seguiu com o pai para o Rio de Janeiro onde foi matriculado no Colégio Episcopal de São Pedro de Alcântara.

Na Côrte, ficou entregue a um velho amigo da família, o tenente-coronel João Carlos Pardal (que mais tarde seria o seu sogro).

Aos 12 de março de 1857, já com 17 anos incompletos de idade, assentou praça como voluntário, no 1º Regimento de Artilharia a Pé (Fortaleza de Santa Cruz – Rio de Janeiro), como cadete de 1ª Classe.

Aos 10 de outubro de 1858, obteve permissão para se matricular na Escola Militar da Corte, passando adido ao 1º Batalhão de Engenharia, do qual mais tarde seria comandante.

Aos 04 de junho de 1859, foi nomeado alferes-aluno da Escola Central.

Aos 02 de novembro de 1861, foi promovido a 2º Tenente, sendo classificado no Corpo de Artífices da Corte.

Em 1861, casou-se no Rio de Janeiro, com D. Mariana Leopoldina de Carvalho Pardal; geraram três filhos: João Carlos, Emília e Ana.

Aos 03 de maio de 1863, o tenente João Nepomuceno recebeu o Diploma de Engenheiro Geógrafo e na Escola Militar, concluiu o curso de Artilharia e Engenharia, recebendo o grau de Bacharel em Matemática e Ciências Físicas.

Aos 03 de dezembro de 1863, foi promovido a 1º Tenente e classificado (a seu pedido), no legendário 1º Regimento de Artilharia a Cavalo (na época , comandado por seu pai, o Tenente-coronel Emílio Luiz Mallet), sediado na atual Caserna de Bravos, em S. Gabriel (RS); ao apresentar-se, foi designado para servir na 3ª Bateria, sob o comando do Cap. Hermes Ernesto da Fonseca (pai do Marechal Hermes Rodrigues da Fonseca)

Participou da tomada de Paissandú (02-01-1865), seguindo depois para Buenos Aires 04-01-1865, depois seguindo para Montevideo, onde foi condecorado com o grau de Cavaleiro da Ordem de Cristo e a Medalha de Prata, da campanha do Uruguai (15-01-1865).

Aos 28 de fevereiro de 1865, o 1º Tenente João Nepomuceno foi integrar a 3ª Divisão, do Brigadeiro José Gomes Portinho e aos 06 de janeiro de 1866, recebeu a incumbência de organizar a 1ª Bateria, do Regimento.

Aos 22 de janeiro de 1866, foi promovido a Capitão. A concentração do Exército estava acampado em Mercedez (Argentina), sob o comando do gaúcho Gen. Manoel Luís Osório que marcho pela Província de Corrientes, indo acampar à margem esquerda do rio Paraná, frente ao Forte de Itapirú (dos paraguaios).

A travessia deu-se por heroísmo das forças aliadas da Tríplice Aliança, com o Gen. Osório à frente, sendo primeiro brasileiro a pisar o território inimigo. A artilharia tomou posição, o Tenente-coronel Emílio Mallet ordenou ao Cap. Floriano Peixoto que fizesse um largo e fundo fosso à frente de suas peças alinhadas já em posição de combate; tal operação foi determinada que se fizesse à noite e esparramasse a terra, para iludir a vista do inimigo. Esse valo foi de vital importância no desenrolar da luta, pois alí estancar todo o furor do ataque da cavalaria paraguaia, destroçando-se entre o fogo certeiro dos canhões do 1º Regimento de Artilharia, brasileiro.

Os paraguaios atacaram de surpresa, na manhã de 24 de maio de 1866; avançaram com um efetivo de 24.000 homens, contra 22.000 dos aliados que se portaram melhor na defensiva, para rebater as cargosas investidas inimigas, até exaurir suas resistências, tantas vezes rechaçadas com galhardia e denodo dos soldados da Tríplice Aliança.

Generaliza-se o combate com o ataque de massas surpreendentes dos paraguaios, que surgem de toda a parte, esparramando-se a carnificina; os valentes inimigos lançam ataques suicidas contra as posições aliadas.

Dionísio Cerqueira assim viu aquele momento em que lutou, observando:

“Os batalhões avançam; a artilharia ruge, rápida, infatigável, a revólver, era um contínuo trovejar. Parecia uma tempestade. Cornetas sovam à carga; lanças se enristavam, cruzavam-se as baionetas; rasgavam-se os corpos sadios dos heróis; espadas brandidas a duas mãos, como os montantes dos pares de Carlos Magno, abriam crânios, cortavam braços, decepavam cabeças. Quadrados formavam-se aqui; além . . . ”

Os 24 canhões “La Hitte” do 1º Regimento de Artilharia a Cavalo, de S. Gabriel, sob o comando do intrépido Cel. Mallet, rugem sem cessar, desfazendo o ímpeto furioso da cavalaria paraguaia que se desfaz, varrida pelos tiros certeiros das suas peças. Os inimigos se refazem e voltam, como ensandecidos, impetuosos, persistentes e, quando escapam dos fogos arrasadores da nossa artilharia, esbarram no referido fosso, sendo destroçados; e o velho Cel. Mallet a comandar:

“Fogo! Fogo! Granada e metralha, espoleta de 6 segundos. Eles que venham!”

Todo o ambiente local, vira numa grossa nuvem de fumaça, ferro e fogo; e o velho Cel. Mallet confiante exclamava, satisfeito, repetindo:

“Por aqui, eles não entram!”

Enquanto isso, o gaúcho Gen. Osório multiplicava-se por toda a parte, chegando a combater de lança em riste; é um predestinado. Aos recados de Osório, para sustentar o fogo, Mallet repetia:

“Por aqui, eles não entram!”

A “Artilharia Revólver” com seu “fogo de horror” sempre lembrada pelos seus velhos soldados veteranos daquela guerra, no avoengo solar castrense de S. Gabriel, até quando morreram.

Conta-se que, o Cel. Mallet, preocupado com o seu filho mais moço, pelo qual devotava uma afetiva predileção, Cap. João Nepomuceno, em meio ao cerrado da fumaça dos canhões, chamava ansiado: “Joãozinho, meu filho, onde estás?”

E ele respondia: “Estou aqui, papai.”

Havia bem como cinco horas de combate sem cessar e não estávamos cansados. Não há tempo que corra tão ligeiro como o das batalhas. De quem seria a vitória?

Surge, no seu belo cavalo de combate, o Gen. Osório, com largo chapéu de feltro negro, o ponche flutuante deixando ver a gola bordada, a lança de ébano incrustada de prata na mão larga e robusta e o olhar fascinante, dominando aquele cenário trágico da glória e da morte. Ouviu-se um VIVA retumbante; de todos os lábios secos, daquelas gargantas roucas, saiu imenso entusiástico, um VIVA ao Gen. Osório.

Tudo transformou-se ao tremular mágico a bandeirola da lança legendária. A nossa infantaria avançou galvanizada por aquele homem, imensamente amado e, levou de vencida, até as profundezas densas da mata; dos valentes guerreiros inimigos, só restaram uns 500, que sobreviveram à horrorosa hecatombe, a “Batalha de Tuiutí” foi a maior batalha terrestre ocorrida na América do Sul.

A luta estava ganha; as glórias desses dia, já afirmaram diversos historiadores militares > pertenceram a Osório, a Sampaio e a Mallet.

E assim, o dia 24 de maio de 1866, foi um dia de glória nos feitos de nossa história militar. Era preciso sepultar 7.000 mortos. O pessoal encarregado dessa lúgubre tarefa, não deu vencimento e cansou. Sobraram 3.900, que foram empilhados para incineração.


A FOGUEIRA HUMANA

Empilharam os corpos, uns sobre os outros, em longas filas, interpondo-se entre as camadas lenha e palha. Riscavam-se em cruz os pés dos mortos, de onde vertia um líquido gorduroso, que inflamava-se logo ao toque da mecha em labareda. Punha-se fogo a partir das camadas de baixo, subindo as línguas de fogo, alimentadas pela gordura humana derretida até cobrir o último morto da enorme pilha.

O Gen. Pimentel testemunha de vista daquele macabro espetáculo, assim descreveu aquelas cenas dantescas:

“Ora um braço se levanta hirto pela distensão nervosa dos músculos; depois, outro se contraía; ora uma perna que se encolhia, para rapidamente esticar-se arrojando fora da pilha o companheiro que lhe ficava perto.

Uns abriam a boca desmensuradamente com uma expressão terrível de ódio ou de raiva; outros ameaçavam o céu com o punho cerrado e braço teso; aquele dobrava-se formando um arco com a união dos pés à cabeça; outro investia a figura quebrando-se sobre as costas, qual serpente empinada; . . . e ainda outros tremiam entre os demais, como se experimentassem espasmos sucessivos de ataque de histeria.

Era um fervilhar contínuo; foi a dança dos mortos num verdadeiro inferno de cadáveres retesando-se no meio daquela inusitada fogueira.

Começava a explodir cartuchos ficados nas patronas das vítimas e todo aquele momento fúnebre, à proporção que o fogo crescia lambendo-lhes a epiderme, arrebentando-lhes com estouro os crânios, punha-se em movimento como se estivessem ainda sinais de vida.

Acelerava-se o pulular daqueles mortos, ao passo que aumentava a intensidade da fogueira macabra.

Nós, pálidos, nervosos, reverentes, ordenávamos tão triste mister, apertado o coração entre o pavoroso cenário aberto aos nossos olhos. Mas, não tínhamos outra alternativa.

Foi horrível! Muito horrível!”


--- ::: o ::: ---


O Cap. João Nepomuceno de Medeiros Mallet que participara dos bombardeios entre 16 e 18 de julho, assim como a tomada do Potreiro Pires.

Aos 13 de novembro fôra nomeado assistente do ajudante-general, junto ao comando da Brigada de Artilharia.

No ano de 1867, já o encontramos comandando a Brigada Provisória do 3º Corpo do Exército, organizada no Rio Grande do Sul pelo Marechal de Campo Manoel Luís Osório (o Marquês do Herval).

Aos 16 de maio de 1867, foi nomeado Major em comissão, recebendo o comando do 4º Corpo Provisório de Artilharia, encarregado de apoiar na operação do cerco de Humaitá.

Aos 06 de abril de 1869, recolheu-se ao Rio de Janeiro em gozo de licença

Aos 30 de julho de 1869, voltava ao território paraguaio e a Guerra terminou, com a morte do ditador Dr. Francisco Solano López (Presidente do Paraguai), a 1º de março de 1870, em Cerro Corá, lanceado pelo Cabo de Esquadra José Francisco Lacerda (Chico Diabo), que deu origem ao histórico trocadilho:

O cabo “Chico do diabo” do “diabo Chico” deu cabo.

Aos 09 de julho de 1870, o Major João Nepomuceno de Medeiros Mallet regressou ao Brasil.

Aos 27 de fevereiro de 1872, era nomeado para o Magistério, na Escola Central, no Rio de Janeiro e nessa função serviu até 31 de março de 1874.

A 1º de março de 1878, passou a servir no Gabinete do Ministro da Guerra, Marechal Manoel Luís Osório (Marquês do Herval)

Aos 07 de setembro de 1879, João Nepomuceno de Medeiros Mallet foi promovido a Tenente-coronel.

Aos 04 de outubro de 1879, foi nomeado Sub-comandante da Escola Militar da Praia Vermelha, assim permanecendo até 14 de junho de 1880.

Aos 08 de janeiro de 1880, contraiu segundas núpcias, com D. Maria Carolina Veloso Pederneiras, que faleceu aos 25 de junho de 1885, sem deixar descendência.

No ano de 1884, fôra nomeado para Comandante das Armas da Província do Pará, onde ficou até o fim daquele ano.

Quando do embarque do Imperador destronado e banido, ficou decidido mandar o Tenente-coronel João Nepomuceno de Medeiros Mallet à presença do Senhor D. Pedro II, com a triste incumbência de fazê-lo embarcar imediatamente.

O Tenente-coronel Medeiros Mallet chegou ao Palácio Imperial, às 2h e 30 min. (horas mortas) da madrugada de 17 de novembro de 1889.

Aos 29 de novembro de 1889, foi nomeado Coronel sendo efetivado aos 07 de janeiro de 1890, como Governador do Estado do Pará. Depois, passou pelos cargos de Governador e Comandante das Armas de Mato Grosso e, Comandante dos Corpos de Estado-Maior da 1ª e 2ª Classe.

Aos 18 de março de 1892, entrou para o generalato e era provido a General de Brigada e sua primeira missão foi o comando do Corpo de Estado-Maior de 1ª Classe, que já exercera como coronel.

Daí para a frente até 1932, a República se transformaria numa odisséia, tal um vampiro a sugar o sangue da juventude brasileira, tantas revoluções sangrentas ocasionou, tantas dissenções entre si.

Aos 06 de abril de 1892, o Gen. João Nepomuceno de Medeiros Mallet foi um dos 13 generais que assinaram o célebre “Manifesto” contra a República; no outro dia, eles foram reformados.

Aos 31 de agosto de 1895, Mallet reverteu ao serviço militar ativo do Exército.

Aos 25 de março de 1896, foi nomeado membro da Comissão de Promoções

Aos 15 de novembro de 1897, foi promovido a General de Divisão.

Aos 03 de outubro de 1898, foi nomeado Ministro do Supremo Tribunal Militar.

Quando o Presidente Campos Salles assumiu a Presidência da República, convidou e nomeou o Gen. João Nepomuceno de Medeiros Mallet, como General de Exército e o designou como Ministro da Guerra.

Aos 15 de janeiro de 1900, o Gen. João Nepomuceno de Medeiros Mallet foi promovido a Marechal e em 04 de fevereiro de 1902, aprovou o local para a construção da Fábrica de Pólvora (sem fumaça), na “Vila de Vieira de Piquete” finalmente inaugurada em 15 de março de 1909.

O Marechal João Nepomuceno de Medeiros Mallet culminou com uma carreira honrosa de soldado da Pátria > sendo agraciado com as seguintes honrarias:
01- Cavaleiro da Ordem de da Rosa (18-02-1865);
02- Oficial da Ordem da Rosa (11-04-1868);
03 - Comendador da Ordem da Rosa (06-09-1870);
04- Cavaleiro da Ordem de Cristo (17-08-1866);
05 - Cavaleiro da Ordem de S. Bento de Aviz (05-06-1873);
06 - Oficial da Ordem de S. Bento de Aviz (04-09-1890);
07 - Medalha da Campanha do Uruguai;
08 - Medalha do Mérito Militar;
09 - Medalha Geral da Campanha do Paraguai com o passador de ouro nº 5;
10 - Medalha da Argentina;
11 - Medalha do Mérito Militar de Ouro (por mais de 30 anos de serviços).

O Marechal João Nepomuceno de Medeiros Mallet faleceu aos 12 de dezembro de 1907, na cidade do Rio de Janeiro e lá foi sepultado no cemitério S. Francisco Xavier.

Fulgura na História Militar Brasileira, como um símbolo referencial de virtudes superiores. Foi um mestre de orientação segura, seguida por muitos que conhecem a sua passagem no Exército, como padrão de austeridade, tal fanal luminoso no caminho da honra e de devoção ao dever.

Por Decreto Lei, de 1º de junho de 1940, foi denominado de Ministro Mallet > o conjunto de estabelecimentos militares agrupados nos terrenos do antigo “Jokey Club” em S. Francisco Xavier, na cidade do Rio de Janeiro.

Inegavelmente, João Nepomuceno de Medeiros Mallet foi um homem de valor . . .



Marechal  SEBASTIÃO BARRETO PEREIRA PINTO

Sebastião Barreto Pereira Pinto nasceu em Rio Pardo, aos 14 de setembro de 1780; filho de Francisco Barreto Pereira Pinto Filho, do Rio Pardo (RS) e de Eulália Joaquina de Oliveira, do Rio Grande (RS).

Aos 18 de outubro de 1791, sentou praça no Regimento de Dragões de Rio Pardo, quando era comandante o Ten-cel. Patrício José Corrêa da Câmara (um oficial de incontestáveis méritos).

Casou-se com Matilde Clara de Oliveira, nascida em 1787.

Na campanha de 1801, serviu com distinção, dando fiel desempenho às incumbências de que fora encarregado.

Tomou parte nas guerras de 1811 e 1812, distinguindo-se no combate de Itapebuí. Em campanha iniciada em 1816, o general Marquês do Alegrete o incumbiu de arriscadas comissões, dando a todas completo desempenho.

À frente do seu regimento entrou no combate de Carumbé e na célebre batalha de Catalão, sendo este o primeiro corpo que, em ambas as ações, rompeu a linha do inimigo, o que muito cooperou para tão assinaladas vitórias.

Em março de 1818, invadiu o Estado Uruguai, assistindo aos ataques em Chapecuí, Rabão e Sanclus, à frente do seu regimento; depois do desbarato das forças do caudilho Artigas, foi imediatamente promovido a coronel.

Em 1823, reuniu-se às forças que sitiavam Montevideo, onde o general D. Álvaro da Costa se batia contra a Independência do Brasil.

Assumindo mais tarde, o Marquês de Barbacena o comando de todas as forças que operavam no sul, foi dado o comando da primeira divisão ao brigadeiro Sebastião Barreto Pereira Pinto, à frente da qual tomou parte na memorável batalha de Ituzaingo, merecendo, nesse dia, especial distinção do gene¬ral comandante em chefe.

Por decreto de 04 de novembro de 1830, foi nomeado para exercer o cargo de comandante das armas do Rio Grande do Sul, tendo servido essa comissão até 11 de janeiro de 1831.

A 20 de setembro de 1835, quando rebentou a revolução em Porto Alegre, achava-se, no comando das armas da Província e, em serviço de campanha, o marechal Sebastião Barreto Pereira Pinto.

Assumindo a Presidência do Rio Grande, o Dr. Marciano Pereira Ribeiro, um dos seus primeiros atos foi a suspensão do comandante das armas, que estava na fronteira do Livramento, vendo-se, então, abandonado por grande parte das suas tropas.

Voltando mais tarde de Montevideo, assumiu o comando das forças legais, sendo porém de um caiporismo sem nome; foi batido nos campos de Atanagildo e no combate de Rio Pardo a 30 de abril de 1838, onde os revolucionários dispunham de outros elementos de guerra.

Seguindo, depois, desgostoso, para o Rio de Janeiro, o governo o nomeou para presidir a Província de Minas Gerais, onde pôs em evidência a sua capacidade administrativa.

Em 1846, aos 66 anos de idade veio a falecer o ilustre brasileiro, tendo consagrado mais de meio século ao serviço da pátria.



MARIANO DA ROCHA FILHO,  JOSÉ

Médico Catedrático

Natural de Santa Maria (RS), nascido aos 12 de fevereiro de 1915; filho de José Mariano da Rocha e de Maria Clara Marques da Cunha.

Em sua terra natal, fez seus estudos primários no Colégio Sant’Ana e cursou o secundário no Ginásio Estadual Santa Maria, concluindo o ginasial em 1931.

Em 1932, ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade de Porto Alegre (RS); desempenhou, quando estudante, as funções de secretário e logo presidente (1935), do Centro Acadêmico Sarmento Leite, da Faculdade de Medicina de Porto Alegre (RS), tendo sido reeleito para o cargo máximo, em 1936, ano em que prestou sua colaboração à organização da Casa do Estudante; foi diplomado, colando grau aos 18 de dezembro de 1937; foi-lhe conferido o Prêmio Carlos Chagas por haver obtido distinção nas cadeiras de Microbiologia, Parasitologia, Dermatologia, Sifiligrafia e Clínica das Doenças Tropicais e Infectuosas.

Ex-interno de vários serviços clínicos e cirúrgicos, pela Faculdade de Medicina e Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre (RS). Interno Plantão por concurso desse mesmo Hospital.

Iniciou o exercício de suas atividades profissionais em sua cidade natal, onde dedicou-se à Cirurgia Geral e Ortopédica.

Empreendeu viagens de estudos, sendo que a primeira foi em 1936, ainda como doutorando, à Argentina e ao Uruguai; posteriormente, retornou à esses países, em viagens consecutivas feitas em 1939, 1941, 1942 e 1943, freqüentando serviços cirúrgicos de mestres da cirurgia argentina, sendo que em 1939 estagiou em Córdoba (Argentina), freqüentando cursos de Tisiologia desse afamado centro, onde fôra a convite do Professor Pavlowsky, e em 1941, freqüentando os serviços cirúrgicos dos Professores Ricardo e Enrique Finochietto.

Participou das Primeiras Jornadas Médicas de Cruz Alta (RS), em 1940, concorrendo com a tese “O tratamento biológico da Tuberculose pelo método de Robertson Lavalle”. Representou o Brasil, juntamente com o Dr. Cesar Pinto, no 1º Congresso Internacional, celebrado em Colônia (Uruguai), em 1941.


Entre os trabalhos científicos que publicou, constam os seguintes:

01 - Tratamento Biológico da Tuberculose - Medicina e Cirurgia, nº 1 (1940);

02 - Sobre um caso de framboesia - Medicina e Cirurgia, nº 3 e 4 (1940);

03 - Sobre o primeiro caso de ósteo-artrite tuberculosa, da articulação coxo-femural, operado em Santa Maria (RS), pelo processo Robertson Lavalle - Medicina e Cirurgia, nº 1 (1941);

04 - A propósito de cinco casos de esporotricose - Medicina e Cirurgia, nº 1 (1942);

05 - Estudo do surto de disenteria amebiana, verificado em Santa Maria (RS), no verão de 1941 / 42 - Medicina e Cirurgia, nº 2 (1942);

06 - Fratura supra-condiliana do úmero, por extensão; seu tratamento pelo método do Professor R. Finochietto, de Buenos Aires (Argentina) - Medicina e Cirurgia, nº 3 (1942);

07 - Novos rumos da Microbiologia (aula inaugural na Faculdade de Farmácia de Santa Maria, RS) (1939);

08 - Buenos Aires vista por um Médico - Diário do Interior de Santa Maria, RS, de junho a outubro de 1939.

Completou os seguintes cursos de aperfeiçoamento:
a - Técnica Operatória - Professor Bruno Maciel (1937);
b - Clínica Pediátrica Médica e Higiene Infantil - Professor Décio Martins Costa (1937);
c - Cirurgia Geral e Neurológica - Professor R. Finochietto (Buenos Aires, Argentina) (1941);
d - Especialização em Parasitologia - Professor Cesar Pinto (1941).

Ao lado de suas atividades profissionais, dedicou-se ao magistério, com Professor de Microbilogia, da Faculdade de Farmácia de Santa Maria (RS), desde 1938; Vice-presidente da Sociedade de Medicina de Santa Maria (1941) e sendo Presidente da mesma, em 1942.

Foi o principal batalhador, criador e fundador da Universidade Federal de Santa Maria - UFSM.

Casado com Maria Zulmira Velho Dias, com teve os seguintes filhos:
01 - Maria de Lujan;
02 - Mariana Giselda;
03 - José Mariano da Rocha Neto.



MARIANO DA ROCHA,  FRANCISCO

Médico Catedrático

Natural de Taquarí (RS), filho de Joaquim Mariano da Rocha e de Ana Eulina de Siqueira, professores públicos em Taquarí (RS).

Exerceu sua atividades profissionais em Santa Maria (RS), onde integrou o corpo médico do Hospital de Caridade.

Foi membro fundador da Sociedade de Medicina de Santa Maria e redator dos Anais da mesma sociedade onde teve publicado vários trabalhos, dentre outros:

01 - Sobre um caso de infestação humana pelo “Dipylidium Caninum” e Doenças de Franke!;
02 - Um caso de “Triscoporidiose” - Pediatria “Hortai”, Sífilis varioceliforme ou varicela sifilítica;
03 - Complicações no decurso da varicela;
04 - Confusão mental curada com punção lombar, Endrocardite lenta, Blastocytis hominis.

Foi um dos fundadores da Faculdade de Farmácia e Odontologia de Santa Maria, organizada sob os auspícios da Sociedade de Medicina dessa cidade.

De colaboração com José Mariano da Rocha (seu irmão e também médico), instituiu para a Sociedade Médica de Santa Maria, o prêmio bienal - Mariano da Rocha - constante de medalha de ouro e diploma.



MARIANO DA ROCHA,  JOSÉ

Médico Catedrático

Natural de Taquarí (RS), nascido aos 21 de dezembro de 1874; filho de Joaquim Mariano da Rocha e de Ana Eulina de Siqueira, professores públicos em Taquarí (RS).

Fez os estudos primários na cidade de Pelotas (RS) e o curso de humanidades em São Leopoldo (RS), no Ginásio N. S. Conceição, dos Padres Jesuítas.

Matriculou-se na Faculdade de Medicina de Salvador (BA), no ano de 1893, pela qual se doutorou com distinção, havendo colado grau aos 14 de dezembro de 1898.

Desempenhou as funções de interno de Clínica Psiquiátrica e Moléstias Nervosas, sob a direção dos Professores Tilemont Fontes e Juliano Moreira e a de interno dos Hospitais de Sangue, em Salvador (BA), em 1897 - Campanha de Canudos.

Fez viagens de estudos à Europa; a primeira delas em 1904, lá permanecendo até 1906, freqüentando então as primeiras clínicas de Viana (Áustria), Berlim (Alemanha) e Paris (França). Depois, empreendeu novas viagens à Europa, nos anos de 1919 e 1925, acompanhando cursos de Alta Cirurgia, especialidade a que se dedicou.

Exerceu sua atividades na cidade de Santa Maria (RS), onde fixou residência desde que se diplomou; alí ocupou a cadeira de Farmacologia da Faculdade de Farmácia de Santa Maria (RS).

De colaboração com o Dr. Francisco Mariano da Rocha (seu irmão e também médico), instituiu para a Sociedade de Medicina de Santa Maria (1935), o prêmio bienal - Mariano da Rocha - constante de medalha de ouro e diploma.

Era casado com Maria Clara Marques da Cunha, com quem teve dez filhos, conforme segue:
01 - Maria Clara Mariano da Rocha (médica);
02 - José Mariano da Rocha Filho (médico);
03 - Edith Mariano da Rocha (médica);
04 - Celeste Mariano da Rocha (farmacêutica);
05 - Manoel Mariano da Rocha;
06 - Ana Eulina Mariano da Rocha;
07 - Augusta Mariano da Rocha;
08 - Joaquim Mariano da Rocha;
09 - Maria Isabel Mariano da Rocha;
10 - Ruth Mariano da Rocha.



MARIANO DA ROCHA,  MARIA CLARA

Médica

Natural de Santa Maria (RS), filha de José Mariano da Rocha e de Maria Clara Marques da Cunha.

Fez os estudos primários no Colégio Sant’Ana, em Santa Maria (RS); os secundários no Colégio Bom Conselho de Porto Alegre (RS) e Estadual de Santa Maria.

Doutorou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade de Porto Alegre, aos 19 de setembro de 1933, com a defesa da tese (aprovada com distinção), sobre “Dermatite fitogênica - Hipersensibilidade às aroeiras” - sendo laureada com o prêmio Carlos Chagas; especializou-se em Clínica Pediátrica Médica e Higiene Infantil.

Fez viagens de estudos a São Paulo e Rio de Janeiro, nos anos de 1936 e 1937, freqüentando os cursos ministrados pelo Professores Pasteur Vallery Radot e Emile Sergent; também viajou a Buenos Aires (Argentina), onde fez o curso oficial da Faculdade de Ciências Médicas de 1940 a 1941.

Participou do 2º Congresso Pan-Americano de Endocrinologia, em Montevidéu (Uruguai), em março de 1941, ao qual apresentou o trabalho feito em colaboração com o Professor Florêncio Ygartúa e Dr. Manoel G. Maia - intitulado: Bócio colóide familiar com um caso de Mixedema e com enfermidade de Calvé-Legg-Perthes.

Publicou, também, outros trabalhos, entre os quais:
01 - Sífilis congênita virulenta (1941);
02 - Sobre um caso de espina bífida com hidrocefalia (1942);
03 - Escrófula (1942);
04 - Contribuição ao diagnóstico da carência em Vitamina C, em Pediatria (1943).

Em 1943, na capital argentina, freqüentou o Instituto de Pediatria y Puericultura, do Professor Juan Garrahan, o curso de Neurologia infantil do Professor Florêncio Escardó e o de Puericultura e Dietética Infantil, com os Professores Pedro de Elizalde e Mario de Carril.

Desempenhou as funções de Assistente da Cadeira de Clínica Pediátrica Médica e Higiene Infantil, da Faculdade de Medicina de Porto Alegre; de Assistente da Cadeira de Puericultura, do Curso de Samaritanas, da Cruz Vermelha Brasileira, de médica assistente da Clínica de Crianças, do Serviço Olinto de Oliveira, em Porto Alegre, onde exerceu a clínica de sua especialidade.



MARIENSE,  APARÍCIO

Político
Natural de São Borja (RS), nascido aos 30 de maio de 1856; poeta, dramaturgo, político e jornalista.

Foi um dos pregoeiros mais distintos da idéia republicana entre nós. Era em S. Borja vereador da Câmara Municipal, quando apresentou a célebre moção protestando contra o terceiro reinado e aventando a idéia de um plebiscito nacional, para se saber se o país aceitava a ascensão da prin¬cesa d. Isabel ao trono do Brasil.

Essa moção fez enorme ruído em todo o país, tornando o nome do seu autor bem conhecido. Depois de proclamada a República, foi eleito deputado à Constituinte Rio-grandense e, mais tarde ao Congresso Nacional. Foi ainda intendente municipal de S. Borja, onde prestou assinalados serviços.

Com o correr do tempo, separou-se dos antigos companheiros de pro¬paganda, voltando depois de alguns anos de retraimento à atividade política.

Na fronteira missioneira era um nome benquisto pela pureza dos seus sentimentos patrióticos; nos últimos tempos era o chefe do partido democrata em S. Borja.

Sua obra:
01 - O Filho duma Escrava (drama) 1882

Sua produção poética está esparsa por este Rio Grande.

O Coronel Aparício faleceu em S. Borja (RS), aos 04 de maio de 1910.



MARINHA DA SILVA,  JOSÉ MARIA

Militar

Era um general cuja fé de ofício é o mais belo atestado dos seus bons serviços à Pátria. Nasceu no Rio Grande do Sul, aos 24 de maio de 1848.

Em 25 de setembro de 1865, apenas com 17 anos de idade, marchou para o Paraguai, só voltando de lá depois de concluída a guerra.

Teve o seu batismo de sangue no combate do Potreiro Pires, sendo gravemente ferido no peito, por bala de fuzil.

Ainda não restabelecido de todo, tomou parte no ataque contra Curupaiti, marchando depois com o grosso do exército para Tuiutí.

Bateu-se como um bravo em frente do entrincheiramento do Passo Pocu, assistindo em seguida ao reconhecimento de Humaitá e à rendição da força que se achava no Chaco.

Fez parte do exército que atacava Angostura, transpondo logo o rio Paraguai e caiu entrando no combate de Itororó.

Na encarniçada batalha de Avaí, salientou-se por seu valor, sendo promovido a alferes pela conduta que aí tivera.

Marchou depois para Lomas Valentinas e ai pôs, mais uma vez à prova o seu heroísmo, combatendo contra o forte que aí existia.

Pela sua conduta honrosa, pelo seu passado brilhante, recebeu em ordem do dia, elogios do Conde d’Eu e do Marquês de Caxias.

Concluída a campanha de 1871, matriculou-se na Escola Militar terminando o curso geral em 1876, havendo feito aí bonita figura.

O governo do Império e da República, reconhecendo os seus grandes méritos, o incumbiram de comissões delicadas dando ele sempre o mais cabal desempenho.

Morava no Rio de Janeiro, sempre em serviço ativo, quando a morte o levou; com o seu passamento, perdeu o país uma das mais belas figuras do nosso exército.



MARQUES DA CUNHA,  FRANCISCO
Advogado

Nasceu na cidade de Porto Alegre a 08 de junho de 1845.

Feitos os preparatórios embarcou para S. Paulo e matriculou-se na Faculdade de Direito. Estava no meio do curso, quando um incidente qualquer o incompatibilizou com o sisudo instituto. Não perdeu tempo em hesitações fúteis: partiu para Pernambuco, reatou na Academia dali o curso interrompido e em 1873 recebia o grau de bacharel em ciências jurídicas e sociais.

Aparelhado assim para a luta da vida, regressou ao Rio Grande do Sul e em 1874 abriu banca de advogado em Porto Alegre. Pouco depois foi nomeado promotor público para a comarca de Taquarí. Esteve durante alguns anos no exercício desse cargo, sendo depois nomeado juiz municipal da mesma localidade.

De Taquarí, veio para Porto Alegre, onde ocupou o lugar de promotor público e por diversas vezes o de chefe de polícia, sendo em 1887 nomeado juiz de direito para a comarca de Alegrete. Conservou-se no exercício desse cargo, durante mais de quatro anos, e em 1892 foi nomeado juiz da 1ª Vara criminal de Porto Alegre. Estava exercendo esse cargo, quando foi novamente nomeado para a comarca de Alegrete, onde pouco depois foi declarado em disponibilidade. Voltou então à atividade de advogado.

Os longos anos de exercício na magistratura e de prática forense lhe davam uma autoridade incontestável.

A sua clara inteligência, forrada de uma cultura sólida, impunha-o à admiração dos seus colegas e o velho advogado vivia e respirava numa atmosfera de respeito e carinho, que lhe tornava risonha a velhice consagrada ainda ao trabalho, de que ele fora toda a vida um fervoroso apóstolo.

O Dr. Francisco Marques da Cunha faleceu em Porto Alegre, a 5 de abril de 1915.



MARQUES DE SOUZA ( I ),  MANUEL

Militar

(Nome de três oficiais generais do Exército Brasileiro - este, é o primeiro)

O dono desta biografia > Nasceu na freguesia de “Jesus Maria e José” (Rio Grande), do Rio Grande de S. Pedro do Sul, sendo batizado na casa, quando abriu os olhos, aos 27 de fevereiro de 1743.

Por ocasião da invasão das tropas espanholas, ao mando do general D. João de Vertiz e Salcedo, distinguiu-se como ajudante de ordens do Maj. Patrício José Correia da Câmara.

Em 1776, já com um nome feito na carreira das armas, pôs mais uma vez em evidência o seu valor no ataque levado ao forte da Trindade, a 19 de abril.

Declarada a guerra entre Portugal e a Espanha em 1801, tomou ele a iniciativa de conseguir elementos para opor séria resistência à invasão dos nossos inimigos do Prata, que não tardaria.

Havendo sido incumbido pelo governador Capitão-general para dar parecer sobre a força de cavalaria de que dispunha a capitania, foi aceito o seu trabalho, como se vê do final do ofício dirigido ao governo da corte:

“De todos os pareceres eu prefiro o do Marechal Marques de Souza, tanto pelo respeito à constituição, como à posição, regime e conservação dos corpos militares desta capitania; não pode, à vista das condições que lhe foram propostas, haver nada mais acertado do que pondera este oficial tão conhecedor do local, tão inteligente, tão modesto . . . ”

Em janeiro de 1814, o Tenente-general Marques de Souza acampou próximo aos cerros de Bagé.

Em junho desse mesmo ano, tendo D. Diogo de Souza recebido do Rio de Janeiro, terminantes ordens para obstar que a cidade de Montevideo caísse em poder dos insurgentes, que haviam deposto o vice-rei Sysneiros, o Capitão-general invadiu a Banda Oriental, com um grosso exército, indo à frente de uma coluna o Marechal Marques de Souza.

As forças que efetuaram essa invasão, eram denominadas “Exército Pacificador” e foram levando tudo de vencido.

Na campanha de 1816, tomou parte ativa o Tenente-general Marques de Souza, concorrendo para repelir e desbaratar as forças do caudilho José Artigas, que tanto se celebrizou pelos seus feitos de banditismo.

A 22 de setembro de 1820, tendo o governador Conde da Figueira seguido no gozo de licença para o Rio de Janeiro, assumiu o Tenente-general Marques de Souza, a presidência da Capitania.

Tendo mais tarde se empossado no governo da capitania do Rio Grande, o brigadeiro João Carlos de Saldanha Oliveira e Daum, mandou recolher à corte o Tenente-general Marques de Souza, por atribuir-lhe o intento de tentar apossar-se do governo da mesma capitania.

Chegando ao Rio de Janeiro, encontrou batendo-se esforçadamente pela causa da nossa emancipação política o seu genro marechal de campo Joaquim de Oliveira Alvares.

Em seguida a estes fatos, organizou o Príncipe D. Pedro o seu primeiro ministério, cabendo ao genro do Tenente-general Marques de Souza a pasta da guerra, ficando desta forma prejudicado o motivo pelo qual foi enviado ao Rio de Janeiro o nosso ilustre patrício.

Desgostoso, porém, com a injustiça que sofrera, apaixonou-se por tal forma que veio a falecer a 22 de abril de 1822, na terra do exílio para onde fora mandado.

Prestando uma justa homenagem à memória de varão tão cheio de serviços à Pátria, o nosso ilustrado patrício Alfredo Ferreira Rodrigues traçou as seguintes linhas:

“Porém, nem a lembrança das façanhas da juventude, nem a glória de que se cobriu o seu nome, nem os altos cargos de que se vira investido, nada se podia comparar ao íntimo júbilo de que se sentia possuído o velho guerreiro, vendo a continuação de seu passado, vivo, brilhante e glorioso nos feitos de seu filho primogênito, nas primeiras proezas do neto idolatrado, o Conde de Porto Alegre”.

“Podia morrer descansado e feliz — Cansara o braço ao serviço da Pátria, porém, legava-lhe outro que saberia empenhar a espada, que lhe caiu da mão e com ela levaria os inimigos de vencido”.

“O seu nome não desapareceria: dera-o ao filho que o transmitia, rico de novos louros, ao neto; este, recebendo a sagrada herança do nome do pai e do avô, devia ilustrá-lo ainda mais, levando-o às culminâncias da fama, glorioso por todo o sempre”.



MARQUES DE SOUZA ( II ),  MANOEL

Militar

(Nome de três oficiais generais do Exército Brasileiro - este, é o segundo)

É filho do Tenente-general de igual nome que, durante meio século, encheu com seus feitos de heroísmo, as páginas de nossa história.

Nasceu na vila do Rio Grande, no ano de 1780, que era então, quase deserta.

Ainda bem moço, alistou-se na legião de cavalaria ligeira, que alí estacionava, sendo promovido em pouco tempo a tenente ajudante pelos atos de bravura praticados na campanha de 1801.

Em junho de 1811, quando o Capitão-general D. Diogo de Souza, invadiu a Banda Oriental, à frente do Exército Pacificador, o Capitão Marques de Souza também seguiu para lá, tomando parte nos combates que se deram, até estacionarem em Maldonado.

Em 181 2, partiu com destino a Buenos Aires para desempenhar uma comissão reservada de que fora incumbido pelo comandante em chefe do Exército Pacificador.

Em 1816, já então sargento-mor, foi encarregado pelo governador da capitania, Marquês de Alegrete, de atacar o forte de Santa Thereza, o que fez à frente de uma coluna composta de cem homens de cavalaria da legião de S. Paulo e duas companhias do regimento de milícias do Rio Grande.

A 24 de outubro desse mesmo ano, o Maj. Marques de Souza ataca e derrota, no passo de Chafalote, uma partida de trezentos homens da coluna de Fructuoso Rivera.

Na batalha da Índia-Muerta, travada em 19 de novembro contra o exército sob o comando de Fructuoso Rivera, o Major Marques de Souza, pôs-se em forte destaque pelos seus rasgos de valor, recebendo nessa ocasião sérios ferimentos.

Em 1817, estando Montevideo ocupada pelo nosso exército sob o comando do general. Lecor, o Tenente-coronel Marques de Souza, prestou serviços de tal natureza que foram levados ao conhecimento de D. João VI.

Em 17 de junho de 1822 foi promovido a brigadeiro “em atenção aos seus merecimentos e bons serviços prestados em Montevideo, no comando das legiões de voluntários de S. Pedro do Rio Grande do Sul”.

Por ocasião da nossa independência, o general português D. Álvaro de Souza, que era hostil ao movimento emancipador, tomou conta do governo civil e militar de Montevideo, obrigando assim o general Lecor a refugiar-se em Canelones.

Mas o general não se tornou inativo no retiro que buscara; tratou logo de conseguir elementos para dar combate a D. Álvaro de Souza.

Nessa ocasião salientou-se o Gen. Marques de Souza, auxiliado poderosamente pelo coronel Fructuoso Rivera, então a serviço do Brasil desde 1820.

Forças que guarneciam Montevideo, ao mando de D. Álvaro de Souza, vieram atacar o exército sitiante e foram completamente derrotadas pelo Gen. Marques de Souza, em Las Piedras.

Moço e no fastígio da glória, com um radiante futuro diante de si, acabou os seus dias em Montevideo, envenenado, a 21 de novembro de 1824, o valoroso cabo de guerra.

Morreu, porém, feliz, porque, na hora derradeira, teve a visão de que deixava um continuador do seu nome e dos feitos de heroísmo incomparável.

E assim foi! Seu filho, chamou-se como ele Manoel Marques de Souza, tornando-se o “Conde de Porto Alegre”.



MARQUES DE SOUZA (III),  MANOEL

Militar
Barão, Visconde e Conde de Porto Alegre

(Nome de três oficiais generais do Exército Brasileiro - este, é o terceiro)

Este Manoel Marques de Souza era filho do Gen. Manoel Marques de Souza e neto do Tenente-general do mesmo nome, nasceu, na vila do Rio Grande, a 13 de junho de 1805.

Com 13 anos de idade, assentou praça no 1º Regimento de Cavalaria da extinta divisão de voluntários reais, no dia 20 de janeiro de 1818.

Não se pode principiar mais cedo a prestar serviços à Pátria!

Ainda criança alistara-se nas fileiras do exército para tornar-se um dia o símbolo do valor e do heroísmo.

Achando-se no sítio de Montevidéu, no ano de 1823, por ocasião da guerra da Independência, assistiu à ação de 18 de maio desse ano.

Fez as campanhas que tiveram lugar desde 1825 até 1828; esteve na batalha do Passo do Rosário no dia 20 de fevereiro de 1827, onde por sua conduta foi promovido ao posto de capitão.

Em 07 de abril de 1836, o Maj. Manuel Marques de Souza é aprisionado em Pelotas, pelos coronéis farroupilhas Antônio de Souza Netto e João Manuel de Lima e Silva.

Em 15 de junho de 1836, o Maj. Manuel Marques de Souza (com o auxílio dos mulatos atrevidos Sgt. Sisenando e Sgt. Chagas), evade-se do “Presiganga” (infecto navio prisão, fundeado no estuário do Guaíba) e dirige a retomada de Porto Alegre, que nunca mais retornou ao domínio dos farrapos.

Tomou parte nas campanhas do Uruguai e da Argentina, onde comandou a 1ª Divisão do Exército que bateu as forças do tirano Rosas, na memorável batalha de Monte Caseros, em 03 de fevereiro de 1852. Como um ato de inteira justiça foi promovido ao posto de marechal de campo e agraciado com o título de Barão de Porto Alegre.

Organização talhada para a guerra, espírito grandemente patriótico e liberal, que tanto tinha de exato no cumprimento dos seus deveres sociais, quanto de valente e brioso na defesa das nobres causas da pátria, o ilustre Conde de Porto Alegre não hesitava um só momento sempre que os brios e a honra da nação apelavam cheios de confiança para a sua espada enobrecida ao sol da glória.

Por ocasião da guerra do Paraguai, o Gen. Marques de Souza havia abandonado há muitos anos a carreira das armas.

Requintes de suscetibilidades fizeram-no deixar para sempre os labores da vida de soldado. Mas, quando o país apelou para o patriotismo de seus filhos, vendo as suas fronteiras invadidas pelas forças paraguaias, o nobre ge¬neral esqueceu todos os ressentimentos, que guardava no coração e ofereceu-se como voluntário para servir no exército que ele tantas vezes tinha guiado no caminho da vitória.

Por mais de uma ocasião representou o Rio Grande do Sul no parlamento nacional. sendo também por diversas vezes eleito deputado à Assembléia Provincial. Pertenceu política liberal e foi chefe que sempre honrou aos combatentes da mesma idéia.

Foi nomeado ministro e secretário dos negócios da guerra, lugar que pouco tempo exerceu, por ter caído dias depois o gabinete Zacarias de que fazia parte.

Infelizmente o ilustre general faleceu no Rio de Janeiro a 18 de julho de 1875, causando o seu passamento a maior consternação no país.

Para dar uma idéia exata dos sentimentos elevados do ilustre patrício, basta a narração do seguinte fato:

Quando marchou para o Paraguai, recebeu, por ordem do governo, na tesouraria da Fazenda, a quantia de vinte contos para atender a despesas secretas.

Voltando da guerra, foi, imediatamente, àquela repartição e restituiu, integralmente, a importância que havia recebido.



MARQUES LISBOA,  JOAQUIM

Almirante Patrono da Marinha de Guerra do Brasil
Marquês de Tamandaré

Era filho legítimo de Francisco Marques Lisboa e de D. Eufrásia Joaquina de Azevedo Lima.

Nasceu a 13 de dezembro de 1807, em S. José do Norte, que era um deserto de aspecto desolado, com uma ou outra palhoça solitária, emergindo dos cômoros de areia, sem uma árvore sequer, para quebrar, como uma nota risonha, a monotonia da paisagem mais entristecida ainda pelo contínuo bramir do mar.

Foi nesse sítio áspero, agreste e pobre de todos os dons da natureza que o grande herói abriu os olhos à luz.

Nascido ali, entre as dunas movediças e as vagas do oceano, na convivência de marujos e pescadores, ouvindo contar episódios trágicos desenrolados no seio das ondas, só a vida do mar lhe sorria com todos os seus encantos e desencantos.

Desde pequeno, empunhando o remo, com o arrojo de um velho lobo do mar, em sua frágil canoa, cruzava o canal para ir ao povoado fronteiro.

O mar, com todos os seu perigos, não o atemorizava; pelo contrário, parecia atraí-lo como uma tentação irresistível.

Aos 13 anos senta praça de voluntário na marinha, indo servir na fragata “Niterói”; desde logo revelou suas aptidões para a vida do mar, que fora sempre o seu sonho dourado.

A 7 de março de 1827, na guerra que sustentávamos com os argentinos, caiu prisioneiro na Patagônia, conseguindo, todavia, daí escapar por um rasgo de inconcebível temeridade.

Dessa época em diante, começa a pôr-se em destaque o vulto homérico do ousado marinheiro, que durante mais de meio século encheu a história de sua Pátria de feitos de valor e de coragem inexcedíveis.

Em sua vida há episódios tão impressionantes, tão comovedores, tão trágicos, que a memória popular os retêm ainda, com todas as suas minúcias tocantes, como se houvessem sido desenrolados agora, diante dos nossos olhos.

Em 1848, deixava o porto de Liverpool o vapor “D. Afonso”, sob o comando do Capitão-de-mar-e-guerra Joaquim Marques Lisboa. Vinham como passageiros o Príncipe Joinville, sua esposa D. Francisca, os Duques de Aumale e o chefe de esquadra Greenfelld. Momentos depois de terem deixado o “Mar da Mancha”, um espetáculo horroroso se apresentava diante dos olhos dos passageiros e tripulantes do vaso de guerra.

Um incêndio medonho lavrara à bordo da galera inglesa “Ocean Monarch”.

Sem medir a iminência do perigo, Joaquim Marques Lisboa manda dar toda a força à maquina e acode em socorro do navio que ardia, conseguindo salvar cento e tantos infelizes que teriam perecido fatalmente, se não fosse a temeridade do bravo marujo.

A 06 de março de 1850, o morro do Castelo comunicava que fora da barra estava um navio em perigo.

Era a nau portuguesa “Vasco da Gama”, que corrida após medonho temporal, ali se achava completamente desarvorada.

Marques Lisboa, a bordo do vapor “D. Afonso”, imediatamente transpõe a barra, voltando horas depois, trazendo a reboque o navio salvo de grande perigo.

Em 1851, por ocasião da guerra contra o ditador Rosas, que oprimia a República Argentina, o bravo marinheiro deu as mais belas provas de sua coragem, na passagem do Tonelero, ponto de difícil acesso pelos acidentes da natureza e suas valiosas obras de arte.

Mais tarde, em 1864, no sítio do Salto, em poder dos blancos, o Marquês de Tamandaré colheu novos louros para juntar às suas glórias imperecíveis. Comandava a divisão naval brasileira, no Rio da Prata, ao irromper a “Guerra do Paraguai” na qual tomou parte ativa, dirigindo todas as operações navais da guerra.

Quando o nosso exército pôs cerco a Montevideo, levantou acampamento tomando o rumo do Paraguai, os doentes e os feridos no ataque de Paissandu foram transportados para Buenos Aires.

Nessa ocasião, o nosso almirante revelou o mais vivo interesse pelos nossos soldados, procurando suavizar a sorte deles.

Escolheu para alojá-los o “Hospital Italiano”, que acabava de ser construído num belo sítio da cidade. Nesse imponente edifício de aspecto encantador, nada faltava para tornar menos penosos os sofrimentos dos nossos patrícios.

E não era só isto; a miúdo visitava as enfermarias, ouvia os doentes e animava-os com tocante carinho paternal.

Nada, absolutamente nada, aí faltava para o conforto dos enfermos, era um hospital modelo, onde a ciência andava de braço com o coração.

Após a Proclamação da República (15-11-1889), continuou monarquista, mas o governo republicano teria com ele todas as considerações, conservando-o no serviço ativo, depois de ter atingido a idade limite.

Solidarizou-se com seus companheiros que assinaram o Manifesto dos Treze Generais e considerou-se preso em sua residência.

Foi Ministro do Supremo Tribunal Militar, Grande do Império, Barão, Visconde, Conde e Marquês e, recebera em vida todas as ordens brasileiras nos graus mais elevados.

Em 1890, Marques Lisboa foi reformado, tendo prestado ao país, durante sua longa existência, serviços de tal natureza, que jamais poderão ser esquecidos.

Recolhido, então, à vida tranqüila do lar, consagrou-se à cultura das plantas com os desvelos de um apaixonado jardineiro.

Entre esses cuidados, o velho lobo do mar sucumbiu no Rio de Janeiro, aos 21 de março de 1897 com o espírito sereno de um justo, deixando as suas flores queridas, que eram o enlevo dos seus últimos dias de vida.



MARQUES PINHEIRO,  . . .

Teatrólogo

Marques Pinheiro abandonando sua cidade natal, Rio Pardo (RS), radicou-se no Rio de Janeiro (RJ), onde veio a falecer em 1936.

1 - Escreveu as seguintes obras (dramas):
a - Abool
b - Lei Suprema
c - A Renúncia
d - Ao pôr do Sol

2 - Traduziu:
e - Capus
f - Bataille

3 - Representou:
g - Sainetes
h - Comédias



MARQUES PORTO, . . .

Escritor e Teatrólogo

Segundo Ari Martins, in “Os Nossos Autores Dramáticos” > Marques Porto nasceu no Rio Pardo (RS): “. . . produtor, de abem dizer, uma nova revista cada semana”.

Ao morrer em 1934, deixou escritas cento e tantas peças desse gênero popular e, o que é importante, todas elas havendo constituído, à época das respectivas estréias, cartazes de prolongada permanência e grandes êxitos artísticos e financeiros.

Basta lembrar que foi da pena desse teatrólogo riopardense de nascimento, que brotaram as mais conhecidas revistas no Brasil, representadas nos últimos anos, como, entre outras:
01 - Verde e Amarelo
02 - Comidas meu Santo!
03 - A mulata
04 - Brasil da gente
05 - Vai dar que falar
06 - Paulista de Macaé
07 - A la garçone
08 - Pirão de Areia
09 - Mão na Roda
10 - Prestes a chegar
11 - Se você jurar . . .
12 - Não quero saber mais dela
13 - Segura esta mulher
14 - Cachorro quente

. . . etc. . . .



MARQUES,  AFFONSO

Professor

Nasceu aos 19 de setembro de 1847 e faleceu a 10 de agosto de 1872; era filho legítimo de Jacome Luiz Marques e Maria Amélia Corrêa Marques, que faleceu recentemente com o peso dos seus 80 anos.

Bem criança, Afonso Marques viu-se privado dos carinhos paternos; sua mãe, apesar de pobre, fez tudo quanto estava nas suas forças pela educação do seu único e querido filho.

Depois de haver cursado com o mais notável aproveitamento uma escola pública, matriculou-se no Liceu D. Afonso, instituto oficial de ensino superior, que funcionava no mesmo prédio outrora ocupado pelo Centro Telefônico e onde hoje se ergue o belo edifício da “Biblioteca Pública”. Aí Afonso Marques revelou, desde logo, o brilhantismo e a pujança do seu privilegiado talento.

Concluído o curso no Liceu, foi o nosso jovem patrício aprender filosofia e retórica com o grande mestre padre Santa Bárbara, luzeiro da tribuna e do magistério. E, por tal forma se afeiçoou ao ilustre sacerdote que o procurava fora das horas da lição, para ouvir, sobre todos os assuntos, a palavra acatada do venerando mestre.

Quem passasse à tarde ou à noite pela modesta habitação do padre Santa Bárbara, que era defronte ao Colégio Sevignê, encontraria, quase sempre, ao redor da mesa redonda da sala, o discípulo e o mestre, um em frente do outro em animada palestra.

Nesta época o padre mestre já rastejava os oitenta invernos, mas conservava, apesar da avançada idade, a lucidez perfeita do seu espírito esclarecido. Os anos passavam por cima de sua cabeça, respeitando-lhe os belos traços fisionômicos, o aprumo do corpo, a figura do atleta encarnada no tipo solene de um velho senador romano.

Afonso Marques tinha por ele uma espécie de adoração, e, não sabemos se pela íntima convivência, adquirira o passo grave, os gestos fidalgos e o encanto da palavra do mestre querido.

A camaradagem entre ambos ia arrastando o jovem discípulo à vida serena do sacerdócio. Durante algum tempo Afonso Marques só pensava em entrar para o Seminário a fim de se ordenar. Era uma idéia que não o abandonava, e, ia de dia em dia, tomando corpo. Se não fosse a oposição, de alguns amigos, é bem possível que ele houvesse realizado o seu intento.

Os triunfos oratórios do velho mestre, parece que influíram poderosamente no seu ânimo e o seduziam como uma cega paixão; o púlpito aparecia nos seus sonhos de moço como se fora o Capitólio.

A morte do ilustre sacerdote veio, porém, desvanecê-lo deste propósito. Afonso Marques dedicou-se então à vida do magistério com coragem, sem vacilações, com o ardor de um fanático. Em pouco tempo tornou-se um mestre de invejável reputação, e tal era o conceito que se fazia de seus méritos que, apesar de pertencer ao partido liberal, foi nomeado em 1870, em situação conservadora, lente de história da Escola Normal. E nenhum outro podia ter sido escolhido para exercer esse cargo com mais direito do que ele. Ao conhecimento perfeito da disciplina reunia vasto cabedal literário, e, como sobre dourando tudo isto o encanto da palavra brilhante e opulenta.

Afonso Marques tinha a envergadura do orador. Era um belo tipo meridional, alto, cheio de corpo, rosto insinuante, vasta cabeleira anelada, grandes olhos castanhos. Era um homem bonito, como o Mano de Aragão ou o Joaquim Nabuco, o nosso brilhante embaixador que faleceu em Washington, em 17 de janeiro de 1910.

Além das qualidades superiores de orador, Afonso Marques era um delicado poeta lírico. Seus versos são repassados de um doce perfume de saudade e melancolia. Parece que o seu coração franco e sincero pressentira a aproximação da morte em plena florescência dos anos.

Quando a notícia do seu passamento se espalhou pela cidade, não houve quem não sentisse a crueldade da sorte, que nos levara para sempre um dos nossos mais belos talentos.

Pobre e de nascimento obscuro, tudo quanto chegou a ser, só devia ao seu bom coração, ao seu nobre esforço e às faculdades superiores do seu brilhante espírito.

Morreu aos 25 anos de idade, sem levar para a outra vida a sombra de uma má ação, sem deixar um único desafeto. Era, como vulgarmente se diz, em tom carinhoso, uma pérola, um coração de anjo.


MARSIAJ,  NINO

Médico Catedrático

Natural de Santa Maria da Boca do Monte (RS), nascido aos 05 de janeiro de 1909; fez o curso primário no Colégio Ítalo-Brasileiro e Liceu Santa-Mariense em Santa Maria; e, o secundário nos Ginásios Anchieta e Júlio de Castilhos, da capital Rio-Grandense.

Doutorou-se em 1928, pela Faculdade de Medicina de Porto Alegre, defendendo a tese versando sobre “Estudo anátomo-topográfico da segunda porção do duodeno”.

Especializou-se em Clínica Médica, tendo feito viagens em 1936, ao Rio de Janeiro e a São Paulo; em 1939, foi a Montevidéu (Uruguai) e a Buenos Aires e La Plata (Argentina), chefiando uma caravana oficial de 5º e 6º anistas, da Faculdade de Medicina de Porto Alegre; e participou do 2º Congresso Médico Brasileiro.

Membro da Comissão do RGS, organizadora do Congresso Pan-Americano de Endocrinologia, realizado na cidade de Montevidéu (Uruguai), em março de 1942; Membro do 2º Congresso Brasileiro de Tuberculose, realizado na cidade de Porto Alegre em 1941.

Desempenhou as funções de:
01 - Interno do Professor Octavio de Souza (1926 a 1928)
02 - Assistente da 9ª Enfermaria (1928 a 1933)
03 - Assistente da 20ª Enfermaria (1933)
04 - 1º Assistente da Cadeira de Terapêutica clínica (1932 e 1933)
05 - Chefe de clínica da 1ª Cadeira de Clínica Médica (1933)
06 - Membro da Comissão Julgadora do Concurso para Docente Livre de Clínica Médica (1934)
07 - Catedrático interino da 3ª Cadeira de Clínica Médica (1935)
08 - Membro da Comissão Julgadora do Concurso para Docente Livre de Terapêutica Clínica (1935)
09 - Aprovado e classificado em 2º lugar por diferença de um ponto (170 contra 169), no Concurso para Professor Catedrático de Clínica Médica, realizado em 1935
10 - Membro do Conselho Universitário da Universidade de Porto Alegre, como representante dos livre-docentes da Universidade, desde sua fundação até 1938
11 - Catedrático interino da 3ª Cadeira de Clínica Médica (1939 e 1940)
12 - Catedrático interino da 2ª Cadeira de Clínica Médica (1942)

São muitos os trabalhos publicados; possui os seguintes títulos:
01 - Docente-livre de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de P. Alegre
02 - Sócio efetivo da Sociedade de Medicina de Porto Alegre
03 - Sócio fundador da Seção de Cardiologia (da mesma acima)
04 - Membro correspondente estrangeiro da Sociedade de Medicina de Montevidéu (Uruguai)
05 - Membro correspondente estrangeiro da Sociedade de Medicina interna de Buenos Aires (Argentina)
06 - Sócio fundador e Membro da Comissão Organizadora do Sindicato Médico do RGS
07 - Diversos Prêmios obtidos nos anos de 1928, 1932, 1934, 1935 e 1937.

Casado com Helga, de cujo matrimônio teve a filha Edda.



MARTINS CHAVES,  HENRIQUE

Advogado

Nasceu na cidade de Pelotas, onde veio a falecer a 13 de fevereiro de 1902, em pleno vigor dos anos.

Aí mesmo estudou os preparatórios, seguindo depois para S. Paulo, onde se bacharelou na Faculdade de Direito, deixando um bom nome entre os lentes e colegas, pela sua conduta irrepreensível e pelo seu belo talento.

Era um republicano sincero, ardoroso e bem intencionado. Fez parte do Club 20 de Setembro, que havia sido criado pelos nossos patrícios, que freqüentavam a Academia.

Concluindo os estudos, voltou logo á terra natal, pondo o seu brilhante talento ao serviço do partido que o tinha em alta conta.

No período mais agudo da revolução de 1893, exerceu em Pelotas o cargo de Intendente Municipal, não permitindo que fosse cometida a mais leve violência contra os adeptos da revolta.

Em quadra tão delicada e tão espinhosa, os inimigos do governo viviam tranqüilos, confiantes no espírito tolerante do ilustre rio-grandense.

Apesar das múltiplas preocupações do momento crítico em que se via o nosso Estado, o Dr. Henrique Martins Chaves imprimiu a todos os seus atos, o cunho da mais louvável moderação.

Administrou o município com zelo e probidade, bem podendo a sua conduta servir de modelo aos que sobem os degraus do governo, esquecendo, quase sempre, nas alturas, as mais ligeiras lições do dever.

Que estas nossas últimas palavras não sejam esquecidas pelos moços de hoje, que serão os governantes de amanhã.



MARTINS COSTA,  DÉCIO

Médico Catedrático

Natural de Porto Alegre (RS), nascido aos 18 de agosto de 1900; fez os estudos primário e secundário no Ginásio Anchieta, de Porto Alegre.

Doutorou-se pela Faculdade de Medicina de Porto Alegre, com a defesa da tese sobre o tema Da tuberculose no terreno sifilítico.

Especializou-se em Pediatria, fazendo curso de aperfeiçoamento no Rio de Janeiro, com o Professor Martinho da Rocha.

Empreendeu viagens de estudos aos principais centros médicos europeus, estagiando em Berlim (Alemanha), em Paris (França), em Viena (Áustria); em 1938, visitou novamente a Alemanha, tendo freqüentado mais cursos.

Participou do 2º Congresso Internacional de Pediatria, reunido em Estocolmo (Suécia), em 1930.

Figuram entre os seus trabalhos publicados:
01 - Evolução e estado atual da Pediatria
02 - Formas iniciais da tuberculose
03 - Das piúrias na infância
04 - Da tuberculose no terreno sifilítico (sua tese)
05 - Da doença de Legg-Calné-Pertles

Foi Deputado à Assembléia Legislativa do RGS; desempenhou as funções de Assistente da Cadeira de Clínica Pediátrica e Higiene Infantil e também Docente Livre, na Faculdade de Medicina da Universidade de Porto Alegre; foi Diretor do Ambulatório de Crianças da Santa Casa de Misericórdia e Pediatria da Caixa de Serviços Urbanos; e, exerceu as atividades profissionais de sua especialidade, em Porto Alegre.

Casado com Nélia , de cujo matrimônio teve os filhos:
01 - Heloísa
02 - Décio Júnior
03 - Fernando José



MARTINS DE MENEZES,  ANTÔNIO

Dragão

Antônio Martins de Menezes é o 5º filho dos onze de Bento Martins e de Simeana Joaquina.

Antônio nasceu no Rio Pardo (RS), em 1793 e faleceu na cidade de Porto Alegre (RS), em 1853.

Casou-se duas vezes; a primeira no Rio Pardo, em 1827 com a viúva Maria do Carmo do Amaral, de Cachoeira (RS) e a segunda na cidade de Porto Alegre (RS), em 1833 com a também viúva Rita de Cássia.

Antônio Martins de Menezes é o pai de Bento Martins de Menezes, nascido em 1818, na Cachoeira (RS) e falecido na cidade de Uruguaiana (RS), em 1881. Bento recebeu os títulos de “Brigadeiro Honorário” e depois o de “Barão de Ijuí”.

Distinguiram-se dos dez filhos de Antônio, mais os seguintes: Bárbara Joaquina, que casou com José Joaquim de Almeida Gomes Portugal (moço Fidalgo da Casa Real, que veio ao Brazil, com D. João VI); Gabriel Martins de Menezes, que atingiu o posto de Tenente-coronel); Bernardina Olímpia, que casou em Porto Alegre (RS), cidade onde nasceu, com o seu primo Dr. Antônio Corrêa de Oliveira.



MARTINS DE MENEZES,  BENTO

Barão de Ijuí

Nasceu em Cachoeira (RS), aos 07 de setembro de 1818, sendo filho de Antônio Martins de Menezes e de Maria do Carmo Gomes (ambos, açorianos).

Foi casado duas vezes, com sobrinhas suas; seu primeiro casamento foi com Joana Umbelina Portugal de Menezes - e o segundo casamento foi com Semiana Portugal de Menezes > as duas irmãs, eram filhas de José Joaquim Rodrigues de Almeida Gomes Portugal natural de Lisboa (Portugal), moço Fidalgo da Casa de S. M. REAL, vindo para o Brazil em 1808, juntamente com a Família Real e de sua esposa Bárbara Martins de Menezes (irmã do Barão de Ijuí).

Tomou parte na Revolução Farroupilha em 1835, servindo com Bento Manoel Ribeiro; tendo feito parte do Imperial Exército Brasileiro em operações no Estado Oriental, no posto de Major da Guarda Nacional em 1854, quando lhe foi conferida a Medalha de Ouro desta Campanha.

Em 1868, em atenção aos serviços militares prestados no combate de 03 de outubro de 1867, S. M. I. nomeou0o Cavaleiro da Imperial Ordem do Cruzeiro. Em atenção aos relevantes serviços prestados na luta contra os paraguaios, em dezembro de 1868, foi promovido a Coronel Honorário do Imperial Exército Brasileiro, em 1870; e logo a seguir, S. A. I. o Príncipe Gastão de Orleans, Comandante em Chefe das Forças Brasileiras em operações no Paraguai, usando da autorização que lhe foi conferida por Decreto Imperial de 24 de março de 1869, concedeu, em nome de S. M. I., a Medalha do Mérito, criada pelo Decreto Nº 4.131, de março de 1868, ao Coronel Bento Martins de Menezes, Comandante da 8ª Brigada de Cavalaria, pela notável bravura que mostrou no combate do dia 08 de junho de 1869, portando-se com valor e calma, e rompendo a linha inimiga que o envolvera e conseguindo juntar-se ao Imperial Exército, após prolongada peregrinação, durante a qual arrastou com inúmeros perigos e privações.

Pouco depois, foi promovido a Brigadeiro Honorário do I. E. B. e em 22 de junho de 1870, S. M. I. tendo em atenção os serviços militares prestados na guerra do Paraguai, pelo Brigadeiro Honorário Bento Martins de Menezes nos combates de dezembro de 1868 e da Cordilheiras e nos últimos feitos desta Campanha, honrou-o com o Oficialato da Imperial Ordem do Cruzeiro.

Por Decreto Imperial de 06 de julho de 1870, foi agraciado com o título de Barão de Ijuí. Em 06 de agosto de 1870, foi condecorado com a Medalha Geral da Campanha do Paraguai, com passador de ouro e com o número 5. Em 26 de novembro de 1870, foi-lhe concedida a Medalha do Mérito Militar.

De suas duas esposas, o Barão de Ijuí deixou a seguinte descendência:

01 - Adolfo Martins de Menezes, que nasceu em Uruguaiana (RS), aos 10-12-1861 e foi batizado aos 30-11-1863; casou-se aos 29-05-1886, com Josefina Gonçalves Viana, de quem teve os seguinte filhos:
a - Euclides Martins de Menezes;
b - Eurico Martins de Menezes que casou em S. Paulo com Lucilia Montera, de quem teve os seguinte filhos: Maria Aparecida (nascida no Rio de Janeiro) e Lígia (nascida em Uruguaiana);
c - Brasilia Martins de Menezes, faleceu com menor idade;
d - Dinorá Martins de Menezes;
e - Círo Martins de Menezes;
f - Bento Martins de Menezes;
g - Brasilina Martins de Menezes.

Do segundo matrimônio, teve os seguinte filhos:
01 - Maria Olímpia, nascida em 1873, na cidade de Artigas (Uruguai);

02 - Bárbara, nascida na cidade de Artigas (Uruguai) e falecida em Uruguaiana (RS); foi casada com o
General Setembrino Alves de Oliveira, falecido em Alegrete. O casal teve os seguintes filhos:
a - Bento Martins Alves de Oliveira, que faleceu solteiro, em Uruguaiana (RS);
b - Josefina Alves de Oliveira;
c - Bento Martins de Menezes Filho, que nasceu em 1881 e faleceu com menor idade.

Bento Martins de Menezes - Barão de Ijuí > Faleceu em Uruguaiana (RS), aos 27 de março de 1881.



MARTINS DE MENEZES,  JOSÉ

Fazendeiro

Batizado em Rio Pardo (RS), cidade onde nasceu em 1785 e morreu na cidade de Porto Alegre (RS), em 1836.

José Martins de Menezes era o primeiro filho dos onze havidos do casal Bento José Martins (natural de Portugal) e casado no Rio Pardo (RS), com a riograndina Simeana Joaquina de Menezes, filha de açorianos.

José Martins de Menezes era fazendeiro que se envolveu na política nacionalista do Rio Pardo, casou-se com Genoveva Joaquina de Aviz, nascida em Triunfo (RS), filha do Capitão Bento José do Amaral.

José Martins teve uma filha e um filho, casados com filhos de Inácio Manoel Domingues, doutor e tenente-coronel natural do Rio de Janeiro (RJ) e casado com a riopardense Belmira Rita da Fonseca > como se lê em Bento José Martins - tese de Jorge Felizardo, ao III Congresso Sul Rio-grandense de História e Geografia.



MARTINS,  CYRO SANTOS

Médico

Cyro Martins nasceu em Quaraí (RS), aos 05 de agosto de 1908; ainda em sua cidade natal começa seu curso primário.

Em 1920, transfere-se para Porto Alegre, onde faz os estudos primário e secundário, no Ginásio Anchieta.

Em 1928, encara a Faculdade de Medicina, em Porto Alegre e escreve seus primeiros contos; diplomou-se em 1933, especializando-se em Neuro-Psiquiatria, havendo freqüentado o curso do Professor Austregésilo, no Rio de Janeiro, em 1937.

Ex-interno da Enfermaria de Neurologia, da Faculdade de Medicina de Porto Alegre; foi alienista do Hospital São Pedro e Médico da 15ª Enfermaria de Neurologia, da Santa Casa de Misericórdia, de Porto Alegre.

Retorna à sua terra natal e casa-se com Suely de Souza, com quem teve uma única filha, chamada Maria Helena.

Em 1924, e ingressa na sua carreira de escritor, com produções em prosa e verso, quando aparece seu primeiro artigo no jornal A LIBERDADE - editado em Artigas (Uruguai).


SUAS OBRAS

1934 - Publica sua primeira obra - CAMPO FORA (contos);

1937 - Desloca-se para o Rio de Janeiro a fim de estudar neurologia; no Rio de Janeiro é editado - SEM RUMO (romance);

1939 - Abre consultório em Porto Alegre e publica - ENQUANTO AS ÁGUAS CORREM (romance);

1942 - Publica - MENSAGEM ERRANTE (romance);

1944 - Publica - PORTEIRA FECHADA (contos);

1951 - Viaja à Buenos Aires e forma-se em clínica psicanalista, onde desenvolve grande atividade como anestesista;

1954 - Publica - ESTRADA NOVA - formando a chamada Trilogia do Gaúcho (Sem Rumo / Porteira Fechada / Estrada Nova);

1964 - Publica e lança - DO MITO À VERDADE CIENTÍFICA (ensaios);

1968 - Publica - A ENTREVISTA (ficção);

1979 - Publica - SOMBRAS NA CORRENTEZA (contos);

1980 - Publica - A DAMA DO SALADEIRO (contos);

1982 - Publica - O PRÍNCIPE DA VILA (contos).



MÁXIMO DE SOUSA,  MILITÃO

Visconde de Andaraí

Nasceu no Rio Pardo (RS), em 1808; filho de Leocádio Máximo de Sousa e de Ana Leocádia da Natividade, que era filha Manoel Antônio da Silveira (natural da Ilha do Faial, Açores) e de Maria Jacinta de Bittencourt (natural de Triunfo (RS, filha de Jacinto de Matos Bittencourt e de Isabel Josefa).

Militão Máximo de Sousa era um capitalista e homem de negócios, Membro da Junta Administrativa da Caixa de Amortização e Tesoureiro da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro.

Por Imperial Decreto de 10 de julho de 1872, foi agraciado com o título de Barão de Andaraí e, aos 30 de maio de 1888, foi elevado a Visconde de Andaraí, com grandeza; portanto, era grande no Império do Brazil.

Sua esposa faleceu com título de “Condessa de Andaraí”; do casal, foi filho o “Barão do Andaraí” Militão Máximo de Sousa Júnior, que foi Diretor do Banco do Brasil, Presidente da Caixa Econômica e do Monte Socorro, que faleceu no Rio de Janeiro aos 13 de outubro de 1904.

Faleceu no Rio de Janeiro (RJ), em 1888.



MAYA FAILLACE,  JANDYR

Médico

Natural de Porto Alegre (RS); fez os estudos primário e secundário no Instituto Ginasial Júlio de Castilhos, realizando o curso acadêmico na Faculdade de Medicina da mesma cidade.

Doutorou-se em 1918, tendo defendido TESE intitulada “Do Conceito Atual da Profilaxia da Lepra” aprovada com distinção, pela banca examinadora.

Especializou-se em Bacteriologia, efetuando diversas viagens de estudos ao Rio de Janeiro, onde freqüentou cursos de aperfeiçoamento.

Entre outros, publicou trabalhos sobre:
01 - Vacina de Calmette-Guérin
02 - Profilaxia da Tuberculose
03 - Profilaxia e sorologia da Lepra
04 - Doença de Nicolas-Fevre
05 - Hidrologia
06 - Alcoolismo
07 - Saneamento

Foi Livre-docente de Higiene da Faculdade de Medicina de Porto Alegre, na qual desempenhou as funções de Chefe do Laboratório de Higiene.

Ocupou ainda, o cargo de médico, por concurso, da extinta Diretoria de Higiene do Estado do RGS, exercendo as funções de Diretor da Divisão de Laboratórios do D.E.S.

Foi Presidente da Sociedade de Higiene e Saúde Pública do RGS, tendo participado de diversos congressos médicos e, foi um dos dirigentes do Laboratório de Análise Faillace-Carrion, de Porto Alegre.

Casado com Araci, de cujo matrimônio teve os filhos:
01 - Raul
02 - Renato
03 - Roberto.



MAYA,  ALCIDES DE CASTILHOS

Romancista

Natural de São Gabriel (RS), nascido aos 15 de outubro de 1878 e falecido no Rio de Janeiro (RJ), aos 02 de setembro de 1944; era romancista, crítico, contista, ensaísta e jornalista.

Pertencia à Academia de Letras do Rio Grande do Sul e à Academia Brasileira de Letras. Colaborou na imprensa gaúcha e carioca. Seu pseudônimo era Guys.

Suas obras:
01 - Pelo Futuro (artigos) 1897
02 - O Rio Grande Independente - Ataque ao Separatismo 1898
03 - Através da Imprensa 1898-1900
04 - A Poesia Popular dos Gaúchos (conferência) 1907
05 - Ruínas Vivas (romance) 1910
06 - II Giorello del Brasile - (Richesi, Belese e Originalitá dello Stato di Rio Grande do Sul) 1910
07 - Tapera (contos regionais) 1911
08 - Algumas Notas Sobre o Humor (ensaio) 1912
09 - Crônicas e Ensaios 1918
10 - Alma Bárbara (contos regionais) 1922
11 - Romantismo e Naturalismo na Obra de Aluízio de Azevedo 1926



MEDEIROS E ALBUQUERQUE,  FRANCISCO DE PAULA

Fidalgo

Natural do Rio Pardo (RS), nasceu em 1812 e faleceu na cidade de Jaguarão (RS), em 1865.

Filho do Capitão José Medeiros e Albuquerque nascido na Ilha de S. Miguel dos Açores e casado em segundas núpcias com Ana Joaquina Leocádia da Fontoura riopardense, uma das 16 filhas do Visconde de Pelotas.

Francisco era Fidalgo Cavaleiro da Casa Real; casou-se com Francisca Delfina de Faria (filha de Luiz Faria Santos e Delfina Maria da Silveira).

O casal Francisco de Paula e Francisca Delfina teve 13 filhos.



MEIRELES,  MIGUEL PEREIRA DE OLIVEIRA

Militar

Miguel Pereira de Oliveira Meireles nasceu na cidade de Pelotas a 03 de setembro de 1830.

Era filho do coronel Pedro Maria Xavier de Oliveira Meireles e de D. Rita Cândida Barreto Meireles.

Bem jovem, com apenas 12 anos, sentou praça no 2º Regimento de Cavalaria. Em 1852 fez a campanha do Uruguai, sob as ordens do marechal Francisco Felix Pereira Pinto.

Em novembro de 1861, por motivo de moléstia, foi reformado no posto de tenente. Apesar de retirado à vida íntima do lar, apresentou-se como voluntário para servir às ordens do Conde de Porto Alegre, quando os paraguaios invadiram o Rio Grande do Sul; e marchou para Uruguaiana, no posto de major, servindo de secretário do ilustre conde.

Depois da rendição da cidade, que estava em poder dos inimigos, voltou ao seio da família, gravemente enfermo.

Filiado ao partido liberal, em 1859 foi eleito Deputado à Assembléia Provincial, onde prestou bons serviços.

A sua estréia na tribuna foi uma verdadeira revelação dos seus dotes de orador correto e imaginoso; durante oito anos, sem interrupção, representou, sua terra natal.

Apesar das preocupações da política, cultivava com carinho as letras como poeta e prosador.

No periódico “Guaíba” que se publicava aqui, nessa época, apareciam os produtos literários do nosso talentoso patrício.

Escreveu diversos dramas, sendo representados com gerais aplausos “A mulher do artista” e “A Baronesa da Tijuca”.

Além dessas duas produções deixou-nos mais “O Homem do Século” e “Sem Título”.

Moço ainda, em pleno vigor dos anos, faleceu o nosso ilustre patrício a 11 de dezembro de 1872.




MELLO E ALBUQUERQUE,  ANTONIO DE
Militar

Nasceu na cidade de Rio Pardo, a 4 de dezembro de 1803. Era filho do capitão do regimento de dragões Ricardo Antônio Melo e Albuquerque.

Seu pai o destinou à carreira do comércio, mas o rapaz não se sujeitou por muito tempo à prisão do balcão.

Aos 18 anos, assentou praça no regimento que servira seu pai, sendo reconhecido 19 cadete, pela nobreza dos seus avós.

Tomou parte em diversas campanhas, distinguindo-se na batalha do Rosário, em que o seu regimento havendo sido destroçado, salvou a vida do comandante, levando-o na garupa. Cansado de sofrer preterições na sua carreira, pediu exclusão do serviço do exército e retirou-se para a vida privada.

Rebentando a revolução de 1835, em poucos dias apresentou-se com mais de 200 homens, armados em grande parte à sua custa.

O governo o nomeou logo comandante da força que trouxera; e tais serviços prestou neste posto à causa da legalidade, que foi nomeado para comandar uma brigada.

Em 1839 e 1840, andou por Lages e Curitiba em perseguição dos farrapos.

Em 12 de janeiro de 1840, o Cel. Mello bateu aos farroupilhas de Teixeira Nunes, em Curitibanos, após um ataque renhido, fazendo um grande número de prisioneiros. Comandava a força que foi batida, pelo mercenário Garibaldi.

Concluída a revolução, onde se celebrizou pelos seus feitos, rejeitou elevadas posições que o governo lhe ofereceu como recompensa dos seus bons serviços.

Foi eleito diversas vezes deputado à Assembléia Provincial.

Nos últimos anos foi vítima de toda a sorte de injustiça. Os invejosos, raça maldita que não se extingue, não podiam ver com bons olhos o valente guerreiro que voltara ao seio da família coberto de louros.

Apesar de todos os desgostos que o torturavam, ainda por ocasião da guerra do Paraguai, mandou para lá diversos contingentes.

E à proporção que o tempo ia passando, agravaram-se os seus sofrimentos, vindo a falecer a 17 de março de 1868 o ilustre patrício, que tão relevantes serviços prestou ao país com o maior desprendimento.



MELLO,  AGOSTINHO DE

Militar Farroupilha

Esse guapo gaúcho foi Chefe da concentração farroupilha do Couto (Rio Pardo), que depois de assaltar a guarnição legalista de Rincão d'El Rei (Rio Pardo), marchou sobre Rio Pardo.

Foi Capitão comandante do V Esquadrão de Guerrilhas, formado de guardas nacionais e pertencente com outras tropas às forças de Côrte Real, aquarteladas na margem esquerda do arroio Capané (perto de Cachoeira), em 1836.

Tentou, certo tempo (o Capitão Agostinho), com 60 de seus carabineiros, descobrir pelas coxílhas, as forças inimigas sob o comando de Bento Manuel Ribeiro, que pretendiam (entre o Capané e o Iruí), bater a Côrte Real.

Agostinho de Mello tomou parte no serviço de proteção da vanguarda farrapa;  perseguido, Bento Manuel Ribeiro, debandou em direção a São Gabriel.

Em 1837, o Cel. Agostinho de Mello expede ordem de soltura de um legalista;  tratava-se de Francisco de Paula de Siqueira (Juiz de Paz de Santo Amaro), que fôra preso.

Agostinho era Coronel Comandante de Brigada, assinando com o acréscimo "de campo em marcha".

José Antônio da Cruz (capitão da Guarda Nacional) faz, como testemunha em juízo, acusações contra muitos farroupilhas, no processo que se lhes instaurou, citando Agostinho de Mello, como um dos cabeças da revolução de 35; afirmação essa, corroborada por Joaquim Antônio da Cruz (morador do Triunfo), capitão reformado que depõe em Porto Alegre, também contra Agostinho de Mello, aliás, outras testemunhas, como Paulo de Azevedo e Souza, Antônio Francisco de Almeida, João Antunes Tavares, Joaquim José da Silva Rocha e demais pessoas referem-se à destacada atuação de Agostinho de Mello como revolucionário.

Em 1837, por sentença do Juiz Manoel José da Câmara, é condenado com dezenas de personalidades, à prisão.

Agostinho de Mello era compadre do farroupilha Capitão-de-Mar-e-Guerra José Peixoto da Silveira (1798-1844), porque batizou seu único filho José Peixoto da Silveira Mello (10-09-1839 / 08-05-1904), este resgatou o MELLO de sangue, à pedido do seu padrinho.

Agostinho de Mello era Comandante de forças rebeldes, no Rio Pardo.

Nas "Memórias Históricas" de Silva Pontes narram-se os acontecimentos que levaram Agostinho de Mello, em 1835, para o comando das rondas e patrulhas da vila do Rio Pardo e ainda nas "Memórias" de Sá Brito, Agostinho de Mello é (por volta de 1837), o revolucionário que maior número de soldados tem em campo.

Araujo Ribeiro, como um dos primeiros atos de sua administração, ordena, ao lado de muitos outros mais, a prisão de Agostinho de Mello, mas como vimos, não a conseguiria.

Aos 25 de novembro de 1841, o Cel. João Propício Mena Barreto vence os farroupilhas de Agostinho de Mello, no combate no passo do arroio Piquirí, próximo à estância de seu compadre Cap-de-Mar-e-guerra José Peixoto da Silveira.

O Cel. Agostinho de Mello morreu em ação, combatendo no ataque do Iruí, em Encruzilhada, aos 04 de dezembro de 1843.

(Estas informações, constam no livro "ALMANAQUE de RIO PARDO" - MCMXLVI (1946) - do professor "Dante de Laytano" - pág.160).



MELLO,  JOÃO GOMES DE

Dragão engenheiro
Gaúcho por adoção

João Gomes de Mello nasceu em 1712, na cidade de Olinda (PE), filho de Santos Gomes da Veiga e de Maria Assunção de Mello esta, filha de Manuel Gomes de Mello, neta de Antônio Gomes de Mello e bisneta de um outro João Gomes de Mello casado com Maria de Albuquerque Cavalcante.

João Gomes de Mello casou-se em 1740, na cidade de Rio Grande (RS), com Maria Josefa da Conceição > nascida em 1720, na cidade de Congonhas, Ouro Preto (MG) e falecida aos 22 de dezembro de 1811, em Rio Grande (RS).

João Gomes de Mello (irmão de Manuel Mello da Veiga) é pai de Wenceslau Gomes de Mello, avô de Felizardo Gomes de Mello, bisavô de Maria Joanna Álves de Mello, trisavô de Pedro Álves de Oliveira, tetravô de Cândida Álves de Oliveira (casada com Brígido Belén Rollano), pentavô de Idália Álves Belém (casada com Octavio Peixoto de Mello), exavô de Alvise Álves de Mello (que empresta o seu nome a uma rua no Bairro Nova FUNCAP, cidade de Cachoeira do Sul) e heptavô de Otávio Peixoto de Melo.

Manuel Mello da Veiga (irmão de João Gomes de Mello) é pai de Maria Assunção, avô de Francisco Martins Laia, bisavô de Perpétua Joaquina da Paixão (casada com Vicente Álves Coelho), trisavô de Anna Álves Coelho, tetravô de José Peixoto da Silveira Mello, pentavô de Octavio Peixoto de Mello (casado com Idália Álves Belém), exavô de Alvise Álves de Mello, heptavô de Otávio Peixoto de Melo.

João Gomes de Mello como Cabo de Dragões, veio na missão de José da Silva Paes (Militar, engenheiro arquiteto especialista na construção de fortins) e trabalhou afoitamente na construção do “Fortim Presídio Militar” de Rio Grande, construído com paliçadas e areia, acabado aos 19-02-1737. (* 7)

Em 1751, ao iniciar os preparativos para a demarcação dos limites entre os domínios português e espanhol > o General Gomes Freire de Andrade - Conde de Bobadela > ordenou ao engenheiro João Gomes de Mello que escolhesse um lugar próximo à foz do rio Taquari, mandando alí construir vastos armazéns, para servir como depósitos de víveres. (* 1 e 7)

Em 1752, o General Gomes Freire ordenou pessoalmente ao Tenente de Dragões João Gomes de Melo, para construir um forte na foz do rio Pardo com o rio Jacuhy, levantado numa iminência depois chamada “Alto da Fortaleza” e que mais tarde foi designado por “Forte: Jesus–Maria–José” > para, depois de pronto ser entregue ao destacamento comandado pelo Capitão de Dragões Francisco Pinto Bandeira (pai de Raphael Pinto Bandeira), que ali ficou guarnecendo a praça. (* 1-6, 8)

Em 1753, o Tenente de Dragões João Gomes de Mello recebeu do General Gomes Freire, a incumbência de defender a fronteira meridional do Brazil e construir com grossas estacas, uma “Trinxa” (reduto), 10 léguas pelo rio Jacuhy acima da foz rio Pardo, depois designado por Guarda do Jacuhy, nas proximidades do passo do rio Jacuhy, na colina logo abaixo da cachoeira do fandango. (* 1-5 e 8)

Em 20 de abril de 1754, o agora já Capitão de Dragões João Gomes de Mello comandando 110 soldados paulistas e lagunistas foi atacado pelo morubixaba Sepé Tiarajú, que toma e incendeia a Guarda do Jacuhy matando quase toda a guarnição sendo socorrida somente três dias depois, quando sepultaram os cadáveres numa vala comum nas proximidades daquele local. (Originando-se alí o Cemitério do SS. Sacramento e das Irmandades do Rosário, naquele campo santo). (* 1)

Em 1756, a fim de defender aquela posição, foi construído no mesmo local o Forte de S. Nicolau da Cachoeira; voltando da demarcação, Gomes Freire manda aldeiar em São Nicolau e Botucaraí, os índios que fez transportar das Missões, o que deu origem a essas duas aldeias, sendo o comandante deles o capitão de dragões Antônio Pinto Carneiro. (* 1 e 7)

Aos 02 de setembro de 1756, na cidade do Rio Grande, consta que João Gomes de Mello registrou uma petição feita por ele, solicitando uma “Licença para tratar de saúde, no Rio de Janeiro.” (* 8)

Pelos serviços prestados ao Brazil, o gaúcho por adoção João Gomes de Mello recebeu uma SESMARIA no município de Rio Pardo, onde hoje se situa a Vila MELLO.

O Capitão João Gomes de Mello morreu em 1770, na localidade de Castro Marim ( ? ).

Aos 21 de janeiro de 1789, feita na cidade de Porto Alegre, consta “Registro de uma Provisão de Sua Exa. Reverendíssima passada ao Reverendo Antônio Teixeira de Souza de Vigário Encomendado da freguesia de São Nicolau da Cachoeira.” (* 8)

--- ::: o ::: ---

* FONTES:
1 - Atos de Gomes Freire de Andrade - Conde de Bobadela, Governador do SUL do Brazil (1733-1763)
Tomo II - f. e v. das folhas 25 e 35-37 - Biblioteca Nacional - Rio de Janeiro (RJ)
2 - História de Cachoeira (1930), pág. 5, de Paranhos Antunes
3 - História de Rio Pardo (1933), págs. 9-16, de Paranhos Antunes
4 - Almanaque de Rio Pardo (1946), págs. 67-72 e 181, Dante de Laytano
5 - Rio Pardo - Cidade Monumento (1946), pág. 18, Duminense Paranhos Antunes
6 - Dragões de Rio Pardo (1954), págs. 27-63, Ten. Cel. de Paranhos Antunes
7 - Revista do Museu Júlio de Castilhos e Arquivo Histórico do RGS (1957) - vol. 7, págs. 63 e 64
8 - Anais do Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul (1995) - vol. 11, pág. 139, 151, 232, 235, 249, 254, 267, 273, 276, 286 e 337



MELO MONTEIRO,  JULIETA DE

Educadora

Natural da cidade de Porto Alegre (RS), onde nasceu aos 21 de outubro de 1863 e faleceu aos 27 de janeiro de 1928.

Professora, poetisa, cronista, teatróloga e contista; seu pseudônimo era Penserosa.

Com sua irmã Revocata Heloísa de Melo fundou com sua irmã Revocata de Melo, na cidade do Rio Grande (RS), o periódico “O Corimbo”, tendo ainda colaborado em vários jornais e revistas de Porto Alegre e Pelotas.

Em Rio Grande fundou também a revista “A Violeta”.

Suas obras:
01 - Prelúdios (versos) 1881
02 - Oscilantes (sonetos) 1891
03 - Coração de Mãe (drama) 1893
04 - Noivado do Céu (drama) 1899
05 - Alma e Coração (contos) 1903
06 - Berilos (contos e crônicas) 1911
07 - Terra Sáfara (poesias) 1924-1928
08 - Tabernáculo (poesias)  . . .

Em poesia desenvolveu os seus pendores pela escola parnasiana.



MELO,  ANTÔNIO CÂNDIDO DE

Barão de Toropi

Era natural de Sant’Ana do Livramento (RS).

Foi Tenente-coronel da Guarda Nacional, por ocasião da Guerra do Paraguai prestou relevantes serviços à Pátria.

Por Decreto Imperial, de 16 de maio de 1888, foi agraciado com o título de Barão de Toropí.

Foi casado com Eleufrida Martins da Cunha a “Baronesa de Toropí”.



MELO,  REVOCATA HELOÍSA DE

Educadora

Natural da cidade do Porto Alegre (RS), nascida aos 31 de dezembro de 1860 e falecida em Rio Grande (RS), aos 18 de fevereiro de 1945.

Poetisa, jornalista, teatróloga e educadora; seu pseudônimo era Sibila e assinava Revocata ou, Revocata Melo.

Foi a fundadora (com sua irmã Julieta de Melo Monteiro), do jornal literário “O Carimbo” que dirigiu sempre.

Filiada ao Partenon Literário, tendo colaborado em vários periódicos literários.

Suas obras:
01 - O Solitário do Mirante (conto) 1874
02 - Folhas Errantes (fantasias em prosa) 1882
03 - Coração de Mãe (drama) 1893
04 - Berílios (prosa) 1911



MELO,  RITA BARÉM DE

Poetisa

Natural de Porto Alegre (RS), nasceu aos 30 de abril de 1840 e faleceu na cidade de Rio Grande (RS), aos 27 de fevereiro de 1868.

Poetisa e seu pseudônimo era Juriti.

Aos 16 anos de idade publicou os seus primeiros versos em O Guaíba, sob o pseudônimo de Juriti.

Livro póstumo: Sorrisos e Prantos (Rio Grande, 1868).



MENDONÇA LIMA  ALCIDES DE

Advogado

Natural de Bagé (RS), nascido aos 11 de outubro de 1859 e falecido no Rio de Janeiro (RJ), aos 26 de agosto de 1935.

Bacharel em Direito, Político, Historiador e era filiado ao IHGRGS; assinava “Alcides Lima”.

Suas obras
01 - Clube Vinte de Setembro de São Paulo (discurso inaugural) > 1881
02 - História Popular do Rio Grande do Sul > 1882
03 - Resposta do Juiz de Comarca à Denúncia do

Procurador do Estado > 1886



MENDONÇA,  JOÃO JACINTO DE

Médico

Nasceu na cidade de Pelotas a 16 de março de 1817. Era filho do Cap. João Jacinto de Mendonça e de D. Florinda Luiza da Silva.

Em 1836 doutorou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, onde deixou uma bela reputação, não só de estudante como de um gentil espírito cavalheiresco.

Voltando à terra natal, filiou-se à política conservadora, pondo-se, desde logo, em destaque, pelos excepcionais dotes de orador, que já havia revelado nos bancos acadêmicos.

Era um encanto ouvi-lo nas palestras Intimas ou na tribuna parlamentar.

Bonita figura, insinuante, imaginoso, com um belo timbre de voz, mal aparecia na tribuna, dominava, de pronto, o auditório. Nas discussões mais renhidas que teve de sustentar com os seus adversários, como Gaspar Martins, Felix da Cunha e outros, nunca lhe escapou uma palavra que pudesse melindrar os contrários. Era de uma delicadeza extrema para com todos.

Nestas condições, em pouco tempo, tornou-se a figura mais saliente do partido conservador que o acatava com a maior justiça.

A preocupação política o absorvia inteiramente, tanto assim que foi, pouco a pouco, deixando de clinicar, só atendendo a um ou outro amigo do peito.

Eleito diversas vezes à Assembléia Provincial e à Câmara dos representantes da nação, só não conseguiu voltar à Assembléia Geral do período de 1862 a 1865, quando os progressistas saíram vitoriosos das urnas.

Foi nomeado para presidir a Província de S. Paulo e tão bem se conduziu neste posto que, quando deixou a administração, mereceu os mais francos aplausos dos seus adversários.

A 3 de junho de 1869, faleceu na cidade do Rio de Janeiro o ilustre rio-grandense, cujo nome ocupava o primeiro lugar na lista tríplice, que ia ser submetida, então, à escolha de D. Pedro II.



MENDONÇA,  JOAQUIM JACINTO DE

Advogado
Conselheiro do Império

Nasceu na cidade de Pelotas, a 20 de maio de 1828 e lá faleceu a 19 de janeiro de 1891; o Dr. Joaquim Jacinto de Mendonça foi um dos políticos mais notáveis do Rio Grande de S. Pedro.

Era filho de João Jacinto de Mendonça e de D. Florinda Luiza da Silva Mendonça. Fez os estudos preparatórios no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, seguindo para S. Paulo, onde bacharelou-se em Direito, em 1850.

Filiou-se ao partido conservador a que pertencia toda a sua família.

No ministério presidido pelo Visconde do Rio Branco, foi-lhe oferecida a pasta da marinha, que não aceitou por insistência da dissidência conservadora, chefiada por Paulino de Souza, Andrade Figueira e outros.

Magistrado, administrador, político, de qualquer modo foi ele sempre de uma respeitabilidade enorme; quando exerceu o lugar de promotor público, a justiça não teve mais nobre representante; quando governou Sergipe e a sua terra natal, era o bem público a sua única preocupação; na assembléia provincial e na câmara tempo¬rária, a sua palavra elegante apadrinhou sempre as causas justas e do interesse de todos.

Sem que excedesse as faculdades potentes de seu saudoso irmão João Jacinto, o Dr. Joaquim Jacinto de Mendonça soube honrar na tribuna política e judiciária o nome do Rio Grande, ilustrando o posto em que tantas gló¬rias conquistaram Gaspar Martins, Amaro da Silveira, Félix da Cunha e tantos outros.

Ao inaugurar-se a situação liberal de 1889, entendeu o governo do país, por iniciativa de Silveira Martins, testemunhar o seu apreço ao nobre adversário conferindo-lhe o título de Conselheiro.

O desgosto irreparável da perda de sua extremosa esposa, que era uma digníssima senhora, agravou os antigos padecimentos do rio-grandense ilustre, que no retraimento a que de último se votara, ainda assim passou sempre rodeado da solicitude daqueles que o sabiam prezar pelo muito que apreciavam as jóias de seu caráter e as virtudes de seu coração.



MENEZES PAREDES,  JUVÊNCIO AUGUSTO DE

Escritor

Era um bom poeta e um boêmio incorrigível. Publicou, aos vinte anos, um livro de versos com o título “Parietarias”.

A imprensa indígena o acolheu com aplausos, já não acontecendo o mesmo em Portugal, onde Camilo Castelo Branco deu-me uma tremenda tunda, no seu Cancioneiro Alegre.

O ilustre crítico foi de uma selvajaria sem nome para com o nosso patrício, que iniciava sua carreira literária, apresentando um bom trabalho. Não era um livro impecável, mas tinha, não há dúvida, muito valor.

Para esse ataque feroz, só encontro explicação na enfermidade cruel que atormentava os últimos anos de vida do grande mestre, fazendo-o perder a paciência e levando-o ao desespero. O que ele queria era dar pancada de cego, a torto e a direito.

Com certeza foi num desses dias de mau humor, envenenado pelas dores atrozes que o mortificavam, que Camilo Castelo Branco atacou, sem piedade, o nosso distinto patrício.

Para mostrar o seu estado agudo de nervosismo, basta citar que até o título do livro caiu no seu desagrado, provocando umas pilhérias de mau gosto, que não ficavam bem em quem havia conquistado, depois de tão no¬bres esforços, o cetro da realeza, o estado de irascibilidade que o dominava, em conseqüência da cegueira, do seu reumatismo gotoso, foi, pouco a pouco, afugentando da sua casa os seus melhores amigos. Ninguém podia mais suportar os seus amargos de boca.

O juízo crítico de Camilo não esmoreceu o nosso patrício; ao contrário, parece que foi um incentivo para ele empunhar a lira e entoar novos cantos repassados de uma suave melancolia, que era, então, a exclusiva maneira de travar dos poetas de meio século atrás.

Além de poeta, era orador. Tinha uma expressão fácil, belas imagens e extrema correção. Parecia que as frases irrompiam-lhe brunidas, luminosas, como se sobre elas refletissem as cores vistosas do arco-íris.

Já cansado da vida de boêmio que levava, procurou um tépido aconchego doméstico e casou; mas em seu doce, amoroso ninho de ave poética o seu gorjeio foi de duração efêmera, pois, pouco depois, morria, com a fronte sonhadora inclinada no seio da mulher que elegera para esposa.



MENEZES PIRES,  JOSÉ DE

Chimango

José de Menezes Pires era natural de Porto Alegre (RS), onde nasceu aos 18 de setembro de 1886; filho de Antônio José Pires, 1º Escrivão Distrital do 8º Distrito (Pintada), cujo cargo também foi exercido pelo nosso biografado.

Casado com Antonietta Prates Dornelles com teve um casal de filhos: Maria Dornelles Pires e Pedro Antônio Dornelles Pires.

Foi um ardoroso “castilhista” desfrutando de um ótimo conceito social e sempre pronto a prestar o seu serviço à comunhão partidária do Dr. Júlio Prates de Castilhos.

Como funcionário público, não foi menos apreciável a atuação de José de Menezes Pires, destacando-se com zeloso e inteligente.



MENEZES,  LUIZ

Compositor – Poeta – Cantor

Natural do Quaraí (RS), nasceu aos . . . filho de . . .

Esse ilustre gaúcho foi o fiel parceiro e escudeiro do tradicionário Darcy Fagundes, nos tempos do grande “Rodeio Curinga” da famosa “PRH-2 - Rádio Farroupilha” de Porto Alegre, com seus 100 KW de potência sintonizados no dígito 600, lá pelos idos da década de 1950.

Já naquela época, Luiz Menezes se acompanhando ao violão, com sua inconfundível voz cantava suas cantigas (como ele costumava apresentá-las); em sua discografia constam as seguintes:

01 - Última Lembrança (valsa)
02 - Ronda
03 - Juca Pedro
04 - Nossa Estória (valsa)
05 - Quaraí
06 - Ao te encontrar
07 - Cantiga da Saudade
08 - Milônga do Calaveira (milônga)
09 - Judiaria
10 - Cantiga pra meu Bairro
11 - Rosa Maria
12 - Quando a Saudade apertar
13 - Solteirona

Luiz Menezes era um poeta sonhador e romancista; o tema central de suas cantigas era a mulher gaúcha a donzela, a pécora, a amada, a percanta, a pinguancha, a rapariga, a sirigaita, a infiel, a garivana (mulher feia que gosta do marido das outras), era dotado de um vasto vocabulário campeiro, sabendo usar a palavra adequada no momento certo e sem forçar o seu palavreado (como fazem certos tradicionalistas).

A inspiração poética de Luiz Menezes vinha à lume ao natural . . . com denodo, singeleza, afoiteza campeira, peleadora e descomunal simplicidade como consta nas páginas 10 à 12, do seu livro TROPA AMARGA > com o poema Paissano (uma verdadeira obra de arte, como se vê na páginas seguinte desta biografia), que seu velho amigo e companheiro Darcy Fagundes declamava com exclusiva propriedade e com aquele dom que DEUS lhe dera

O “Magrão” (como o Darcy chamava-o), morreu aos 12 de outubro de 2005 em Porto Alegre e foi sepultado em sua amada querência de Quaraí.


PAISSANO - Luiz Menezes

Um dia chegou de longe,                                        E finalmente aos pouquitos
nunca se soube de donde.                                      por ser pronto e servidor,
Chapéu quebrado na testa                                     foi conquistando a amizade
e um lenço preto ao pescoço,                               desde a peonada ao patrão.
negro como pensamento
de uma china despeitada.                                       E foi num final de tarde
                                                                             que alguém entrou no galpão
E afinal, ficou de peão                                            e disse pros que mateavam -
na estância do “seu Quirino”.                                  que uma patrulha do povo
                                                                              buscava um “sorro” qualquer.
Primeiro que levantava
ao canto do quero-quero,                                       O que se ouviu de repente
pra impeça a lida do dia.                                         foi uma voz que de um canto
E quando lhe davam um alce,                                 falou por primeira vez,
passava groseando os cascos                                 dizendo apenas: “ Tô aqui ! ”.
de um rozilhito cinzento,
pingo que era um pensamento                                Foi como se lá do céu
segundo se comentava.                                          um trovão se desgrudasse
                                                                             preludiando temporal.
Ninguém sabia seu nome,                                       Logo o galpão foi sitiado
talvez nem mesmo o patrão.                                   pela patrulha do povo.

Mas, quando de noitezita                                         E até parece mentira,
a indiada puxava um banco                                      que um indiosito tão quieto,
em derredor do fogão,                                             pudesse ser tão ligeiro,
lá sob um canto, solito,                                             na hora do ferro-branco.
um pinho entrava de manso
cantando coisas bonitas                                            . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
que faz a gente pensar.

                                                                               Quando cessou o reboliço
E finalmente a peonada                                            e os gritos do entrevero,
se acostumou com o estranho;                                  jaziam lá no terreiro,
pra todo mundo da estância                                      três índios ensangüentados.
era o PAISSANO no más.

                                                                               E ao longe na polvadeira,
Talvez, pelo seu mutismo                                         um rozilhito cinzento
despertava nas mulheres                                          de cascos bem aparados,
caprichos de coração.                                             debandava pra outros “norte”
                                                                               talvez, pra banda Oriental.

Porém, muito maneiroso
fazia sempre segredo,                                               Levava apenas no lombo,
quando por necessidade                                           um guapo e quieto PAISSANO,
precisava do carinho                                                 que um dia chegou de longe
de alguma china qualquer;                                         - nunca se soube de d’onde! ...

Depois - voltava solito                                              Copiado das páginas 10 à 12, do livro
ao trote de seu rozilho,                                              TROPA AMARGA do mesmo autor,
levando para os pelegos                                            por Otávio Peixoto de Melo - em
mais uma história de amor.                                        27 de dezembro de 2001.



MENEZES, MARIA EMÍLIA DE

Baronesa de Gravataí

Nasceu no Rio Pardo (RS), aos 15-10-1802 e morreu em Porto Alegre (RS), aos 17-11-1888.

Em 1823, casou-se com João Batista da Silva Pereira, coronel do Exército Brasileiro e Barão de Gravataí.

João Batista nasceu na cidade de Braga (Portugal), em 1797, sendo filho de Francisco José Pereira e de Joana Maria.

João Batista comendador da Ordem de Cristo e oficial do Imperial Exército Brasileiro, adotou nossa nacionalidade e prestou relevante serviço ao Rio Grande de São Pedro.

O Barão de Gravataí como filântropo fez muito pela pobreza e foi provedor da Santa Casa que lhe ficou a dever um período de desenvolvimento,

Como comerciante, mostrou-se sempre homem adiantado. Como armador de navios, construiu barcos que fizeram linhas diretas do Rio Grande à Ásia e vice-versa, para trazer da Índia produtos de importação difícil.

Como capitalista, emprestou na presidência de Caxias, avultadas somas ao governo rio-grandense mas não para negociar, pois não cobrou juros, aliás, muito altos naquela época. Como militar, chegou por seus méritos, a coronel.

Como figura da sociedade local, levantou em Porto Alegre, suntuoso palacete residencial, o primeira e maior até então, construído, segundo Jorge Felizardo.

“O Barão de Gravataí > contribuição à história Genealógica do Rio Grande do Sul, tese ao III Congresso Sul-Riograndense de História e Geografia.”

A riopardense Maria Emília de Menezes recebeu, por decreto de 03 de outubro de 1854, um ano seguinte à morte do marido, o brasão de armas, devidamente registrado no Cartório da Nobreza.

João Batista fôra agraciado com o título de Barão do Gravataí, em 1852, morre em 1853, como vimos e em 1854 a viúva, que lhe sobrevive mais trinta e tantos anos, obtém um brasão de armas.

O casal do Barão de Gravataí teve oito filhos.



MENNA BARRETO,  FRANCISCO DE PAULA

Fidalgo

Francisco de Paula Menna Barreto é o 6º (último) filho do casal do “Visconde de S. Gabriel”.

Francisco de Paula nasceu no Rio Pardo (RS), em 1808; foi Capitão do Exército e obteve o fôro de Fidalgo Cavaleiro da Casa Real, aos 10 de setembro de 1822.



MENNA BARRETO,  GASPAR FRANCISCO

Militar
Fidalgo e Cavaleiro da Casa de S. M. Real

Nascido em 1790, no Rio Pardo (RS) e falecido em 1865, em Porto Alegre (RS). Casou em primeiras núpcias com Amabília Amália da Fonseca de Sousa e em segundas núpcias com Balbina Carneiro da Fontoura.

Gaspar sentou praça em 1794, apenas com 4 anos de idade, entretanto somente ingressou no seu Regimento quando atingiu 15 anos de idade, o que foi então em 1805.

Alferes em 1809, tenente em comissão em 1812, tenente efetivo em 1813, capitão em 1817, major em 1818, tenente-coronel em 1824 com 34 anos de idade e reformou-se no mesmo ano no posto de Brigadeiro.

Na Batalha de Catalã, ao lado de seu pai, foi Gaspar gravemente ferido. Fez a campanha farroupilha de 1835-1845 contra os farrapos e como legalista defendeu S. José do Norte, socorre a Aldeia dos Anjos (Gravataí), Viamão e Mostardas, venceu os revolucionários em Pelotas, os dominou no Rio Grande, aclamado chefe monarquista em S. Leopoldo e preparou a reação de Porto Alegre.

Terminado o Movimento Farroupilha, pediu reforma outra vez, mas como Marechal de Campo. Sua família empobrecera com as guerras.

Gaspar após a reforma dedicava-se à literatura, conhecendo-se dele interessantes poesias.

Gaspar é o filho mais velho do Militar João de Deus Menna Barreto - Visconde de S. Gabriel.

Gaspar Francisco Menna Barreto teve em 1819, o foro de Fidalgo e Cavaleiro da Casa de S. M. Real.



MENNA BARRETO,  JOÃO DE DEUS

Militar

Natural de Porto Alegre (RS), nasceu em 1874 e faleceu no Rio de Janeiro (RJ), em 1933; filho do Marechal José Luís Menna Barreto.

Em 1890, assentava praça em sua cidade natal, com destino à Escola Militar do Rio Grande do Sul.

Destemerosamente, deixou de tomar parte no movimento político em que a Escola se envolveu, com o fim de derrubar o Governo do Estado. Logo depois, irrompia a Revolução Federalista (1893-1895), contra o Governo do Marechal Floriano Peixoto; então, o cadete João de Deus Mena Barreto tranca a matrícula e apresenta-se ao Comando do Distrito, seguindo para as operações contra os maragatos revoltosos; tomou parte em vários encontros, até a assinatura do Tratado de Paz de Pedras Altas, em 1895.

Já com a patente de alferes, voltou aos bancos escolares, concluindo, na Praia Vermelha, do Rio de Janeiro (RJ), o curso geral.

Subiu, sempre pelo princípio de merecimento, até o posto de general-de-divisão. Comandou várias unidades e cumpriu missões de restabelecimento da ordem interna, como a da Concentração no Vale do Amazonas.

A este João de Deus Mena Barreto devem-se-lhe as primeiras experiências de motomecanização no Exército, as comemorações do Dia do Soldado (antes realizadas a 24 de maio, passando para o dia 25 de agosto) e a criação do “Centro de Preparação de Oficiais da Reserva” - CPOR.

Exercia a Inspetoria do 1 º Grupo de Regiões, ao irromper a Revolução de 3 de Outubro de 1930; aos 24 dias daquele mês, para evitar mais derramamento de sangue, assumiu com seus colegas de farda (General Augusto Tasso Fragoso e o Contra-almirante Isaías de Noronha), o controle da situação brasileira, prendendo o Presidente Dr. Washington Luís Pereira de Lima e entregando dias depois o poder ao gaúcho Dr. Getúlio Dorneles Vargas, chefe civil da revolução.

As últimas funções que exerceu o general João de Deus Mena Barreto foram a interventoria federal no Estado do Rio de Janeiro e o cargo de Ministro do Supremo Tribunal Militar (STM).

Na Revolução Constitucionalista de 1932, ainda teve influente atuação, obtendo, com amizade pessoal dos chefes rebeldes, o armistício e a cessação da luta armada.



MENNA BARRETO,  JOÃO MANOEL

Brigadeiro

João Manoel Menna Barreto era natural de Porto Alegre, nasceu aos 24 de janeiro de 1824; filho legitimado do Marechal-de-Exército João de Deus Menna Barreto (Visconde de S. Gabriel).

Tem-se dito e repetido que escrever sobre a família Menna Barreto é traçar o histórico da vida militar do Rio Grande do Sul e do Império do Brazil.

João Manoel assentou praça como voluntário, em 1º de julho de 1839, no 1º Regimento de Cavalaria, atingindo o posto de Brigadeiro em 1º de junho de 1867.

Foi condecorado com a medalha da Campanha do Estado Oriental (1851-1852); com o grau de Cavaleiro da Ordem de Cristo (1858); com o hábito da Ordem de São Bento de Aviz (1860); com o grau de Oficial da Ordem do Cruzeiro (1865); com o grau de Grande Dignitário da Ordem da Rosa (1869); e, com a Medalha de Mérito Militar.

João Manoel participou de campanhas e batalhas durante a formação e manutenção das fronteiras do SUL do Brasil, com destaque para aquelas da Guerra da Tríplice Aliança, particularmente o combate da Resistência de São Borja (RS) e de Piquiciri; nesse último, realizou um ataque de flanco por ordem de Caxias, ficando senhor de mais de 30 canhões inimigos.

No ataque de Peribebuí, João Manoel foi ferido mortalmente e faleceu aos 12 de agosto de 1869; lutava na vanguarda, como era de seu feitio e já conquistara vários troféus de guerra, como bandeiras e armas do inimigo.

Na ordem do dia do Exército Nacional, relativa ao dia em que João Manoel faleceu, foi registrado e lamentado o acontecimento.

O Brasil encerra em seus gloriosos fatos, muitos nomes de soldados que se têm transmitido de geração a geração, sendo que os Menna Barreto são desses nomes que mais se têm reproduzido em feitos de valor.

Já em 1867, ao traçar a biografia do Brig. João Manoel Menna Barreto, era isso notado por Eudoro Berlink.

Soldado valente, de uma disciplina inflexível, João Manoel fez uma carreira rápida e conquistou todos os seus postos por merecimento e bravura.

Era ao tempo em que o Império atravessava um período agitado com os nossos vizinhos de fronteira.

A campanha do Paraguai estava prestes a desabar sobre nós e em cada soldado brasileiro havia um ator em preparo para entrar nas cenas que se iam representar no palco estrangeiro.

De fato, quando a guerra rompeu, com a invasão perversa do inimigo, João Manoel empunhou a espada e marchou para a luta.

Já era um guerreiro experimentado. Tinha feito as campanhas do Uruguai e fôra promovido a coronel, por atos de bravura, no ataque de Paissandu. De resto, D. Pedro II o conhecia de perto, pois João Manoel coman¬dara na corte o 1º Regimento, guarda do Imperador.

Isto mais o estimulava. A caminho do Paraguai, no primeiro semestre de 1865, como comandante do 1º Batalhão de Voluntários da Pátria, o Cel. João Manoel Menna Barreto foi informado da invasão. Estava nas proximidades de S. Borja.

Diz Eudoro Berlink:

“Na sua marcha, cenas de desolação desenhavam o horror da invasão e o terror dominava as famílias, que fugiam do inimigo. No meio de toda essa cena de lágrimas, diante do exército inimigo forte de 6.000 homens, diante do roubo, da violência, do incêndio e da morte, só setenta bravas lanças rio-grandenses e um batalhão de paisanos. Bater o inimigo seria loucura pensar; era, porém, preciso salvar a honra da pátria e a vida das famílias de S. Borja, nova Termópilas.”

A despeito de sua pertinácia e valor, nada conseguiu contra o inimigo poderoso o nosso pequeno troco de soldados, mas ainda assim fez uma retirada honrosa.

Depois disso, o Gen. João Manoel reuniu-se ao grosso do exército, assistiu à tomada de Uruguaiana e foi assumir o comando de uma brigada que estacionava em S. Gabriel.

Ainda a guerra ia acesa, quando o bravo brigadeiro foi chamado à corte e assumiu o comando do 1º Regimento de Cavalaria.

Não era este, porém, o lugar que mais lhe convinha. A guerra prosseguia e João Manoel era atraído para ela. Voltou, pois, à campanha, sendo-lhe confiado pelo Marquês de Caxias um posto de destaque. A 19 de junho de 1867 recebia os bordados de brigadeiro.

Pouco depois, figurava salientemente nos combates de outubro e novembro desse ano; no ano seguinte esteve nas batalhas de Avaí e Lomas Valentinas.

Distinguido pelo Conde d’Eu, foi-lhe confiado o comando da 1ª Divisão de Cavalaria, tendo sido contínua e incansável a sua assistência contra o inimigo. Em 20 de fevereiro de 1868, recebeu do governo a medalha de mérito militar.

Infelizmente, o denodado general gaúcho foi ferido por bala, em 12 de agosto de 1869, no ataque de Peribebuí, vindo a falecer, desse ferimento, depois de uma existência de elevados serviços à Pátria, não só nos campos de batalha como no comando geral das fronteiras de Santana do Livramento, Uruguaiana e Missões e, ainda como comandante das Armas da Província.

Seu nome vive na história como um dos mais nobres e valentes soldados do Rio Grande do Sul; é Patrono do 2º Regimento de Cavalaria Mecanizada, sediado em S. Borja (RS), primeira cidade gaúcha invadida pelas tropas paraguaias comandadas pelo Gen. Antônio de La Cruz Estigarriba, em 12 de julho de 1865.


EXTRATO HISTÓRICO

O Regimento João Manoel origina-se do 6º Regimento de Cavalaria Ligeira, criado aos 15 de agosto de 1889, na cidade de Jaguarão (RS), tendo passado por Santa Vitória do Palmar, Bagé, Santana do Livramento e Dom Pedrito, onde teve seu batismo de fogo em fevereiro de 1893, durante a Revolução Federalista (Guerra da Degola).

Em 1897, o então 6º Regimento de Cavalaria Ligeira foi transferido para São Borja, a fim de integrar a Linha Divisionária de Comando da Fronteira das Missões, ocupando as instalações do Quartel Velho, no bairro do Passo.

O Regimento teve as denominações de “2º Regimento de Cavalaria Independe” e de “2º Regimento de Cavalaria” - sendo transformado em 1973, para 2º Regimento de Cavalaria Mecanizado.

O então 2º RCI ocupou seu atual aquartelamento aos 26 de julho de 1927; o local foi escolhido pelo Marechal Rondon, a fim de preservar a Cruz Grande, que marca o sítio histórico onde se travou o “Combate de São Borja” em seu interior.

Por Decreto Presidencial de 29 de abril de 1937, o 2º RCI recebeu a denominação histórica de REGIMENTO JOÃO MANOEL - justa homenagem em que a Pátria agradecida reverencia a memória do bravo Comandante do 1º Corpo de Voluntários da Pátria que, aos 10 de junho de 1865, acorreu em defesa da população da então Vila de São Borja (RS), por ocasião da invasão paraguaia.

Aos 21 de agosto de 1954, teve a sua Bandeira condecorada com a Ordem do Mérito Militar.



MENNA BARRETO ( I ),  JOSÉ LUÍS

Militar

Natural do Rio Pardo (RS), nasceu em 1796 e faleceu no Rincão do Haedo, Província Cisplatina (hoje, Uruguai), em 1825; filho do Visconde de S. Gabriel.

Com dispensa de idade, assentou praça quase menino e logo em 1816 era promovido a alferes, participante da Batalha de Carumbé.

Acompanhou o pai e os irmãos nas Campanhas do Prata e comandava o 24º Regimento de Índios Guaranis, quando recebeu a missão de marchar para o Rincão do Haedo (ou, Rincão das Galinhas), na confluência do rio Negro com o rio Uruguai, onde o Marechal José de Abreu concentrava 6.000 cavalos de sua tropa.

Também com aquele destino, marchava o 25º Regimento de Cavalaria do Cel. Jerônimo Gomes Jardim; ambos os regimentos, foram atacados inopinadamente por Fructuoso Rivera, que já atacara a pequena escolta da cavalhada e dela se apossara.

O Cel. Jerônimo Jardim reuniu os dispersos de seu regimento e retirou-se para o Arapeí; Mena Barreto, no entanto, resolveu resistir e ali morreu rodeado de seus 15 oficiais, que nunca o abandonaram.

Foi sepultado na Igreja Matriz de Mercedes, onde ainda se encontram os restos mortais deste valente gaúcho.



MENNA BARRETO ( II ),  JOSÉ LUÍS

Militar

Nascido de Porto Alegre (RS), nasceu em 1819 e faleceu também em Porto Alegre (RS), em 1879; era filho de José Luís Menna Barreto (1796-1825).

Tinha 6 anos de idade, quando morreu seu pai e começou a estudar quase sozinho. Ao irromper a Revolução Farroupilha, tinha 16 anos e colocou-se logo ao lado da causa do Império, quando aos 15-06-1836 assentava praça de cadete no 2º Regimento de Cavalaria Ligeira. Participou de várias operações de guerra, entre as quais a defesa da capital, muitas vezes sitiada pelos Farrapos.

Ao terminar as operações, era major do 4º Regimento de Cavalaria Ligeira; à seguir, esteve arregimentado até o início da Guerra de 1851-1852 contra Oribe e Rosas, voltando à Província após a Batalha decisiva de Monte Caseros (ou, Morón).

Promovido a tenente-coronel, foi servir no 1º Regimento de Cavalaria do Exército, na Côrte. Por uma incompreensão das autoridades superiores, não conseguiu matrícula na Escola Militar, apesar de tecnicamente habilitado.

Logo depois, foi promovido a coronel, por merecimento, voltava ao seu Rio Grande, tomando parte na concentração de fronteira de 1858, ao mando do Marechal Francisco Félix.

Promovido a brigadeiro aos 29-07-1864, foi comandar a 2ª Divisão do Exército do Sul, ao mando de seu tio, o Marechal João Propício Mena Barreto e que o concentrara na região de Bagé (RS).

Da Divisão, José Luís recebeu a missão de invadir o território uruguaio pelo Passo das Pedras; no dia 16-10-1864 José Luís ocupava a Vila Melo, ali permanecendo até 24, quando regressou ao acampamento do Piraí-Grande, próximo a Bagé; deixando-o a 01-12-1864, marchou com o Exército rumo a Paissandu, tomando parte no assalto e tomada da praça.

Já tivera início a Guerra do Paraguai e dela participou o Brig. José Luís Mena Barreto, desde a invasão de Estigarriba ao Rio Grande do Sul e a marcha rumo ao território inimigo até às operações finais, sob o comando do Príncipe Gastão d’Orléans.

No ataque à base de operações de Tuiuti, comandada pelo Ten-cel. Visconde de Porto Alegre, Mena Barreto foi ferido gravemente no rosto, deixando-lhe funda cicatriz.

Terminada a luta, coube-lhe comandar a marcha, por terra, de regresso da cavalaria. Em 1871, foi elevado ao posto de Marechal-de-campo, exerceu vários comandos importantes, entre os quais o das Armas de sua Província natal, no exercício do qual faleceu repentinamente, em seu quartel-general, aos 10-10-1879.

Apesar de Liberal, sempre deu ao adversário a mais ampla liberdade.



MÉRCIO PEREIRA,  CAMILO

Brigadeiro

Camilo Mércio Pereira nasceu na pitoresca vila de Taquarí a 13 de agosto de 1822. Três semanas depois todo o Brasil se agitava no auge do entusiasmo: tinha sido proclamada a nossa independência política.

O colosso havia quebrado as duras algemas que o prendiam ao jugo português. O brado de independência, partindo das margens do Ipiranga, ecoava do Pará ao Prata, e, assim, desde o berço Camilo Pereira foi habituando-se aos gestos de altivez que blindam o caráter dos homens livres.

Ao trocar as roupas infantis pelos trajes da juventude, novos estreme¬cimentos de patriotismo fizeram vibrar intensamente o coração do moço rio-grandense: eram os denodados Farrapos que soltavam nas coxílhas gaúchas o grito de liberdade, e empunhavam as armas republicanas contra o governo do Império.

Nessa época tinha o nosso patrício 13 anos apenas; mas, aos 17 não pode mais sofrear o ardor marcial que o impelia para a luta armada: correu a alistar-se nas hostes republicanas e, com o posto de tenente, que de logo lhe foi conferido, fez todo o resto da campanha farroupilha, no período que vai de 1839 a 1845.

Apesar de muito moço, os serviços que então prestou foram de maior relevância, tendo desempenhado distintamente várias comissões importantes e levado a efeito, com êxito excelente, arriscadas partidas volantes.

Feita a pacificação da Província, Camilo Mércio Pereira, voltou aos seus labores de homem útil tanto na paz como na guerra.

Em 1848, foi aproveitado na reorganização da Guarda Nacional, com serviço nos destacamentos da fronteira. Em 1851 e com o posto de capitão incorporou-se às forças que marcha¬ram contra o ditador Rosas.

Nesta campanha foi ele diversas vezes distinguido com comissões perigosas, pelo então Marquês de Caxias, comandante em chefe do exército em operações. Em 1858, foi nomeado tenente-coronel comandante do 39º Corpo da Guarda Nacional.

Quando rompeu a guerra do Paraguai, Camilo Mércio Pereira aparelhou-se para entrar em campanha e, como em meados de 1864, começassem a convergir forças do exército para o município de D. Pedrito, onde então residia, o nosso brioso patrício organizou em Piraí, com pessoal escolhido, o 22º Corpo provisório do seu comando, foi juntar-se à Brigada do Coronel Netto, marchou contra Paissandu, tomou parte no assédio da praça e ai permaneceu até a rendição da mesma.

Em 1865. serviu com as forças da vanguarda em marcha sobre Montevideo e pouco depois reuniu-se às do general Sampaio.

Por serviços prestados durante o sítio e a tomada de Paissandu foi agraciado com o oficialato da Ordem da Rosa.

Nesse mesmo ano, transpôs o Uruguai em direção à Corrientes. A 2 de abril de 1866 atravessou o Passo da Pátria e a 25 fez a passagem do Paraná. Tomou parte no combate de 2 e na grande batalha de 24 de maio, portando-se com extraordinária bravura.

Por feitos memoráveis nessas jornadas foi agraciado com a Comenda da Ordem do Cruzeiro. Assistiu aos combates de 16 e 18 de julho.

Em setembro operou com a coluna do general Flores e esteve nos com¬bates de Curuzú e Curupaiti, travados pelo 29º Corpo do Exército, em 3 e 24 de setembro.

Em 1867, servindo sob as ordens do legendário Osório, que dirigia a marcha de flanco com o exército, comandou a vanguarda, enfrentando e destroçando todas as forças inimigas que lhe opunham resistência. Em julho desse ano foi promovido a coronel e saiu a expedicionar pelo interior do Pa¬raguai, com muito proveito para as nossas armas.

Tomou depois parte nos combates de Tagí e Pilar e nas expedições dos generais Andrade Neves e Mena Barreto.

No ano seguinte regressou, doente e com licença, ao Brasil. Restabelecido, apressou-se a voltar ao exército em campanha. De novo no Paraguai, assumiu o comando da 6ª Brigada de Cavalaria, pertencente ao corpo de exército, comandado pelo general Argolo. Assistiu ao cerco de Humaitá, onde depois da vitória ficou de guarnição com a brigada de seu comando.

Em seguida, por ordem de Caxias, marchou para Assunção, chegando aí em janeiro de 1869 e assumindo imediatamente o comando de uma brigada de cavalaria. Pouco depois, na vanguarda da coluna do general Mitre, fez as marchas sobre as cordilheiras, atacou e comandou, tomando o reduto do Atirá, bem defendido e de difícil acesso.

Transpostas as cordilheiras, depois de obstáculos sem conta, passou o comando da brigada ao coronel mais antigo, Oliveira Neri e aproveitou o licenciamento que então estava tendo a guarda nacional para regressar à Pátria.

Por seus heróicos feitos na guerra foi, além das condecorações já mencionadas, agraciado com a comenda da Ordem da Rosa, a medalha de Mérito Militar, a de ouro da campanha do Paraguai, as da República Argentina e do Uruguai. Em 1880, foi-lhe conferida a patente de brigadeiro honorário do exér¬cito.

Ligado ao partido liberal de que, no seu período áureo, foi chefe de extraordinário prestígio no município de Bagé e D. Pedrito teve sempre dos seus correligionários o mais incondicional apoio.

O Brig. Camilo Mércio Pereira faleceu a 06 de outubro de 1889, tendo servido com denodo e lealdade à sua Pátria.



 MÉRCIO PEREIRA,  CLÉBER

Comunicador

Natural de Santo Amaro (RS), nascido aos 22 de junho de 1925; radialista, poeta regionalista, compositor musical, violonista e cantor.

Assinava Cléber Mércio; pertencia à Estância da Poesia Crioula.

Suas obras:
01 - Última Tropeada (versos e músicas regionais) > 1959



MÉRCIO XAVIER,  ALVORINO

Médico

Natural de Dom Pedrito (RS), nascido aos 17 de junho de 1898; fez os estudos primário e secundário em Dom Pedrito, Santa Maria, Porto Alegre e Rio de Janeiro.

Diplomou-se em Genebra e Lausanne (Suíça) , defendendo a tese sobre o tema Contribuição ao estudo da hemoclasia digestiva.

Especializou-se em Dermatologia e Sífilis, tendo feito cursos de aperfeiçoamento na Policlínica da Faculdade de Medicina de Lausanne e no Hospital Cantonal, da mesma cidade, clínica do Professor Ramel.

Participou do Congresso para o estudo do bócio, em Berna (Suíça); do 2º Congresso do Sindicato Médico de Porto Alegre; do Congresso da Confederação das Sociedades de Assistência Social aos Lázaros e defesa contra a Lepra, no Rio de Janeiro; de Jornadas Médicas de Cruz Alta; do 2º Congresso de Tuberculose realizado em 1941, na cidade de Porto Alegre.

Em 1941, desempenhou as funções de Delegado de Higiene, em Pelotas; foi Diretor Interino da Diretoria da Higiene de Pelotas; exerceu o cargo de Diretor da Divisão de Assistência Médica Social, do D.E.S.

Casado com Alda Corrêa Leite.



MESQUITA,  FREDERICO AUGUSTO DE

1º Barão de Cacequí

Nasceu em 1822, foi Marechal do Imperial Exército Brasileiro; recebeu o título em 1883, de D. Pedro II.

Faleceu em 1884.



MEYER JR.,  AUGUSTO

Regionalista

Natural de Porto Alegre (RS), nascido aos 24 de janeiro de 1902 e falecido no Rio de Janeiro (RJ), aos 09 de julho de 1970.

Poeta, jornalista, ensaísta, crítico regionalista; foi Diretor da Biblioteca Pública do RGS e do Instituto Nacional do Livro.

Pertenceu à Academia Brasileira de Letras; seu pseudônimo era Aug, Bilu, Nemo, Guido Leal, Antônio Silvado, Tristão Dadá.

Suas obras:
01 - Ilusão Querida (poesias) 1920
02 - Coração Verde (poesias) 1926
03 - Giraluz (poesias) 1928
04 - Duas Orações (poemas) 1928
05 - Poemas de Bilu 1929
06 - Sorriso Interior (versos) 1930
07 - Literatura e Poesia (crítica) 1931
08 - Machado de Assis (estudo crítico) 1935
09 - Prosa dos Pagos (ensaios) 1943
10 - Simões Lopes Neto (expectro de crítica) 1945
11 - Introdução ao Estudo do Cancioneiro Gaúcho (ensaio) 1946
12 - Na Praça da Matriz (trecho de memórias) 1946
13 - O Tatu (folclore) 1946
14 - Prefácio de “Antônio Chimango” 1946
15 - No Bom Conselho (trecho de memórias) 1946
16 - Carneiro 1359 (comentário) 1947
17 - Caminho de Santiago (poema) 1947
18 - À Sombra da Estante (ensaios literários) 1947
19 - No Ginásio (trecho de memórias) 1948
20 - Segredos da Infância (memórias) 1949
21 - Guia do Folclore Gaúcho (introdução, compilação e notas) 1951
22 - Cancioneiro Gaúcho (compilação de poesias populares) 1952
23 - Notas Camonianas 1955
24 - Le Bateau Ivre (análise e interpretação) 1955
25 - O Grupo Gaúcho (estudo crítico) 1955
26 - Preto no Branco (crítica literária) 1956
27 - Poesias 1922-1955
28 - Gaúcho: História duma Palavra 1957
29 - Camões - O Burro e Outros Estudos (ensaios literários) 1958
30 - Machado de Assis 1935-1958
31 - Prosa dos Pagos (1941-1959) 1960
32 - A Chave e a Máscara (crônicas literárias) 1964
33 - A Forma Secreta (ensaio) 1965
34 - Antologia Poética (seleção de Ovídio Chaves) 1965
35 - No Tempo da Flor (reminiscências) 1966
36 - Porto Alegre, Ontem e Hoje (pequena antologia crônica) 1971
37 - Madrugada (22-8-72) 1972



MIRANDA E CASTRO FILHO,  JOÃO CAPISTRANO DE

Poeta

Pertencia a uma família distinta cujos membros, quase todos, acabaram os seus dias minados pela tuberculose. Ele foi atingido também pelo mesmo mal que ia ceifando os seus. Apenas viveu 30 anos, tendo passado os últimos tempos sem poder trabalhar. Ninguém imagina as torturas morais que lhe iam na alma desalentada, enfrentando esta triste situação.

Era empregado na Secretaria do Governo, mas teve de deixar esse lugar para ir exercer uma aula pública na roça. Os bons ares de fora, uma vida tranqüila, talvez operassem o milagre de prolongar-lhe os dias de existência, assim pensava ele.

Havendo concurso, no Liceu D. Afonso, para preenchimento de aulas públicas, João Capistrano obteve a cadeira da cidade de Cachoeira, seguindo pouco depois para lá. Tendo se agravado os seus incômodos, voltou logo a Porto Alegre.

Colaborou ativamente no Guaíba, hebdomadário fundado por Carlos Jansen e João Vespúcio de Abreu e Silva. Nesse periódico escreviam Carlos von Koseritz, Félix da Cunha, Ignácio de Vasconcelos, Zeferino Vieira e outros.

Seus versos são repassados de uma tristeza indefinida, o poeta tinha o pressentimento de que a sua vida seria curta. É isto o que se percebe, de logo, em todos os seus carmes, de uma doce melancolia, que entristece.



MOREIRA DA SILVA,  RAUL

Médico Catedrático

Natural de Porto Alegre (RS), nascido aos 21 de maio de 1891; fez os estudos primário e secundário, no Ginásio Anchieta, bacharelando-se em Ciências e Letras, no ano de 1910.

Doutorou-se em Medicina, pela Faculdade de Porto Alegre, aos 28 de dezembro de 1916, tendo defendido a tese versando sobre o tema Mal de Charcot, aprovada com distinção pela banca examinadora.

Especializou-se em Pediatria, fazendo viagens de estudos ao Rio de Janeiro, São Paulo, Repúblicas do Prata, Alemanha, França, Itália e Suécia, onde freqüentou cursos de aperfeiçoamento, como representante oficial do Brasil.

Participou do 9º Congresso Médico Brasileiro, em Porto Alegre (1926); do 1º Congresso Municipal de Higiene e Saúde Pública, no Rio Grande (1928); do 2º Congresso Internacional de Pediatria, em Estocolmo (1930); da Conferência Nacional de Proteção à Infância, no Rio de Janeiro (1933); e, do 2º Congresso Nacional de Tuberculose, em Porto Alegre (1941).

Desde 1930, foi Professor Catedrático de Clínica Pediátrica Médica e Higiene da Universidade de Porto Alegre; em 1941, foi nomeado Diretor da Faculdade de Porto Alegre.

Desde sua formatura, publicou os seguintes trabalhos:
01 - Sobre Pediatria
02 - Sobre diversas patologias

Títulos de possui:
01 - Ex-interno de clínica cirúrgica (1913)
02 - Ex-interno de clínica médica (1914)
03 - Ex-interno de clínica ginecológica e urológica (1916)
04 - Ex-assistente do Professor Figueira (1917)
05 - . . . e muitos outros . . .

Casado com Adda Cezar, de cujo matrimônio tem os filhos:
01 - Cáudio
02 - Jorge
03 - Raul
04 - Maria do Carmo
05 - Maria de Lourdes
06 - Maria Teresa
07 - Maria Isabel



MOREIRA,  JOSÉ ANTÔNIO

Barão de Butuí

Natural do Porto (Portugal), onde nasceu aos 19 de abril de 1806 e foi batizado na Freguesia da Sé (da mesma cidade); era filho de Antônio José Moreira e de Maria da Apresentação (ambos, portugueses).

Em 1817, veio para o Brazil, naturalizando-se subtido brasileiro por ocasião da Proclamação da Independência do Brazil (1822).

Casou-se em primeiras núpcias, com Maria José de Castro e, em segundas núpcias com Leonida Gonçalves.

Era muito caridoso, contribuiu largamente e por diversas vezes, com grandes quantias destinadas a obras de benemerência; por seu testamento, deu liberdade a muitos de seus escravos, sem condições.

Por Imperial Decreto de 10 de junho de 1873, foi agraciado com o título de Barão de Butuí. Era Comendador da Imperial Ordem da Rosa.

Do 1º matrimônio, teve os seguintes filhos:
01 - Cândida;
02 - Francisca;
03 - Angelina;
04 - Um outro, faleceu com menor idade.

Do 2º matrimônio, teve os seguinte filhos:
01 - Ângelo;
02 - José Antônio;
03 - Maria;
04 - Leonida;
05 - Artur;
06 - Francisco de Paula.

Faleceu, aos 20 de outubro de 1876.



MORO MARIANTE,  HÉLIO

Militar

Natural de Caxias (RS), nascido aos 21 de dezembro de 1915; além de militar, era contista, poeta, ensaísta e romancista. Ferrenho pesquisador de história e sociologia rio-grandense.

Co-fundador do CIPEL “Círculo de Pesquisas Literárias de Porto Alegre”, Membro da Estância da Poesia Crioula (Presidente 1972-74). Seu pseudônimo era Gaudério da Província.

Suas obras:
01 - De Prontidão (contos de caserna) 1968
02 - Fronteira do Vaivém (poemas) 1969
03 - A Vida Humana e Animal nos “Contos Gauchescos” (ensaio) 1969
04 - Rodeio dos Rodeios (poema) 1970
05 - Crônica da Brigada Militar Gaúcha 1972
06 - A Idade do Couro no Continente D’El Rey (estudo) 1973.



MOURA DE AZEVEDO,  NABOR

Militar

Este Rio-Grandense teve por berço a cidade de Porto Alegre (RS), onde nasceu aos 04 de janeiro de 1870; filho do então Major José Luiz Moura de Azevedo e de Miguelina Barreto Meirelles de Azevedo.

Casou-se com Leonida Camargo, de conceituada família vacariana, que lhe deu os seguintes filhos: Júlio Castilhos de Azevedo (militar), Aladia Pereira de Azevedo, Maria Lygia de Azevedo, Aymé Camargo de Azevedo, Theodoro Camargo de Azevedo (militar), Pedro Camargo de Azevedo e Alcina Camargo de Azevedo.

Já em 1893, Nabor Moura de Azevedo prestava aos republicanos Rio-Grandenses os mais assinalados serviços políticos e de guerra; fôra incorporado ao 1º Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional, organizado com elementos de Porto Alegre (RS), e comandado pelo Cel. Carvalho.

Bastaria esta credencial para a recompensa desse nosso biografado, que já ao ingressar nas fileiras do “PRR” (Partido Republicano Rio-Grandense) o defenderia pelas armas. Contava nesse tempo, com apenas 22 anos de idade e desde então, as suas convicções aumentaram e com elas os sacrifícios pelos seus ideais.

Sempre que solicitado, Nabor Moura de Azevedo achava-se disposto a cumprir as ordens da sua chefia, onde fosse necessária a sua colaboração.

Em Vacaria (RS), onde o seu prestígio não era pequeno, desempenhou cargos de confiança do Governo do RGS e foi um dos mais fecundos intendentes daquele município gaúcho (Porteira do Rio Grande); ali, a sua atuação tanto política como administrativa, muito o elevou no conceito daquela população, trazendo uma perfeita comunhão aos interesses da comuna em geral, com apreciáveis benefícios.

Em Porto Alegre (RS), Nabor Moura de Azevedo desenvolveu uma profícua atividade como gerente da A Federação (órgão oficial de propaganda, do PRR).



MOURA PRUNES,  CELESTINO DE

Médico Catedrático

Natural de Quaraí (RS), nascido aos 31 de maio de 1895; fez o curso primário no Alegrete (RS) e o secundário nos “ginásios” - Santa Maria (da cidade do mesmo nome) e Júlio de Castilhos (da capital do RGS).

Doutorou-se pela Faculdade de Medicina de Porto Alegre (RS), defendendo a tese sobre Tratamento do impetigo pelo método de Ziel.

Especializou-se em Medicina Legal, tendo feito o curso de especialização no Instituto Médico Legal.

Publicou vários trabalhos, entre os quais:
01 - Capacidade relativa do Direito Civil Brasileiro
02 - Prognóstico da reincidência no livramento condicional

Professor Catedrático de Medicina Legal, da Faculdade de Medicina de Porto Alegre; Diretor Técnico do I. M. L. do RGS.

Desempenhou as funções de Secretário da Polícia do Distrito Federal e de Diretor da Imprensa Oficial do Estado do RGS.

Exerceu a profissão em Porto Alegre; Capitão Médico da reserva do Exército Brasileiro, em cujo Corpo de Saúde serviu.

Casado com Rosa Fortes.



MOURA,  DANILO

Aspirante Aviador da Reserva

Danilo Moura, filho de Gilberto Moura (fazendeiro) e Maria Emília Marques (que tiveram mais dois filhos: Osmar [integrou a FEB como Major] e Nero [Comandante do 1º GAvCa]).

Nascimento: 30 de junho de 1916 - Cachoeira do Sul - RS - Brasil.

Falecimento: 14 de maio de 1990 - Rio de Janeiro - RJ - Brasil.

Função: Piloto de Combate.

Condecorações: Cruz de Sangue, Cruz de Aviação Fita A, Air Medal (EUA), Campanha da Itália, Presidential Unit Citation (EUA).

Casou-se com Maria Isolina Krieger, com quem teve 5 filhos (Regina Maria, Gilberto, Reinaldo, Joaquim Pedro e Fátima).



MOURA,  NERO

Brigadeiro da “Força Expedicionária Brasileira” (FEB)
Patrono da Aviação de Caça Brasileira
Patrono do Aeródromo de Cachoeira do Sul

Nero Moura era natural de Cachoeira (RS), onde nasceu aos 30 de janeiro de 1910; filho de Gilberto Moura (fazendeiro) e de Maria Emília Marques (que tiveram mais dois filhos: Osmar [integrou a FEB como Major] e Danilo [também do 1º GAvCa.).

Nero Moura deixou gravado seu nome na história da aviação militar do Brasil; até hoje é uma das maiores expressões na aviação nacional e mundial.

Fez o curso primário na sua terra natal, indo depois cursar o Colégio Militar de Porto Alegre (RS).

Em abril de 1927, foi admitido como Cadete, na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro (RJ).

Em 1928 escolheu a Arma de Aviação, sendo transferido para a Escola de Aviação Militar (EAM), no Campo dos Afonsos, onde completou os estudos de Oficial Aviador do Exército.

Em 22 de novembro de 1930, foi declarado Aspirante da Arma de Aviação.

Em janeiro de 1931, foi promovido a II Tenente.

Suas primeiras missões foram no Correio Aéreo Militar (CAM).

Advindo a Revolução de 1932, Nero Moura participou do lado legalista executando vôos de reconhecimento, bombardeio e ataque ao solo, na região no Vale do Rio Paraíba, quando chegou a completar 100 horas de vôos em missões reais.


DEPOIS DA REVOLUÇÃO DE 1932

A partir de 1938, além de Major piloto do Presidente Dr. Getúlio Dorneles Vargas, foi instrutor-chefe de pilotagem da Escola de Aviação Militar e, junto com outros oficiais do Exército Brasileiro e da Marinha do Brasil, participou dos estudos que antecederam a criação do Ministério da Aeronáutica e da “Força Aérea Brasileira” (FAB), em 1941.

Nesse mesmo ano foi nomeado Oficial de Gabinete do Ministro da Aeronáutica e Chefe da Seção de Aviões de Comando, unidade que daria origem ao “Grupo de Transporte Especial” (GTE), ainda hoje responsável pelo transporte das autoridades nacionais.

Com a criação do Ministério da Aeronáutica e da Força Aérea Brasileira (1941), Nero Moura participou de sua organização já como Major-Aviador, tendo sido instrutor do Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais.

Em 28 de dezembro de 1943, já como Tenente-Coronel foi designado Comandante do 1º Grupo de Aviação de Caça, com a missão de organizá-lo, para combater na 2ª Guerra Mundial.

Seu desempenho como Comandante foi excepcional e, apesar de inúmeras dificuldades conseguiu que o seu grupo fosse um dos mais eficientes e destacados no teatro de operações do centro-sul europeu; a unidade ficou conhecida como “Senta a Pua” e lutou na Itália, durante a 2ª Grande Guerra Mundial (1939-1945).

Após realizar 62 missões de combate na Itália e várias outras de patrulha no Atlântico Sul, tornou-se um herói dentro da aviação nacional.

Ao regressar da Itália, foi designado para comandar o 1º Regimento de Aviação, sediado em Stª Cruz (RJ), sendo um dos mais importantes do Brasil naquela época.

Pelos seus feitos na guerra, recebeu as seguintes condecorações:
1 - Medalha da Campanha da Itália;
2 - Medalha da Campanha do Atlântico Sul;
3 - Cruz de Aviação – fita “A”, com 3 estrelas;
4 - Distiguished Flying Cross (EUA);
5 - Air Medal With Two Stars (EUA);
6 - Legion du Merit (França);
7 - Croix de Guerre Avec Palm (França);
8 - Order of the British Empire (Inglaterra).

Após o término da 2ª Grande Guerra e com a renúncia do Dr. Getúlio Dorneles Vargas à Presidência do Brasil, Nero Moura demonstrou sua lealdade abandonando a vida militar, passando para a reserva em novembro de 1945.

Com a eleição do Dr. Getúlio Dorneles Vargas para a Presidência do Brasil, em 1950, Nero Moura foi chamado para ocupar a pasta da aeronáutica, sendo empossado aos 31 de janeiro de 1951.

Sua gestão foi marcada pelas realizações, como criação do Transporte Aéreo e a introdução do Avião à Jato, no Brasil, implantação no Campo dos Afonsos, Rio de Janeiro (RJ), do Centro de Instrução Militar e a inauguração da rota comercial “Rio / Manaus”.

Durante a sua vida militar, Nero Moura obteve 12 Condecorações nacionais e 18 estrangeiras.

Em 17 de janeiro de 1995, através da Portaria Ministerial 56/GM3, o Brigadeiro Nero Moura foi declarado Patrono da Aviação de Caça Brasileira.

Palavras com que o Brigadeiro Nero Moura encerrou o discurso durante a cerimônia de inauguração do monumento em homenagem ao 1º Grupo de Aviação de Caça da FAB e ao 350º Grupo de Caça da Força Aérea dos Estados Unidos, no Museu Aeroespacial da Usaf, em Dayton, Ohio, EE. UU. - aos 10 de junho de 1988.

O Brigadeiro Nero Moura faleceu com 84 anos de idade, aos 17 de dezembro de 1994.

No MUSEU AEROESPACIAL - MUSAL (classificado entre os melhores museus de aeronáutica do mundo, pela autenticidade de seu acervo), localizado no legendário “Campo dos Afonsos” (berço da Aviação Militar Brasileira), situado na cidade maravilhosa do Rio de Janeiro (RJ), que conta com uma exposição permanente de 65 aeronaves (algumas delas, únicas no mundo), com mais de 5.000 peças, entre documentos, uniformes, armas, instrumentos raros, todos de valor histórico incalculável, uma biblioteca especializada e um arquivo histórico (fotos, mapas, slides e vídeo) à disposição do público interessado, encontra-se, dentre outras > a sala especial que homenageia o Tenente-coronel do Ar Nero Moura (cachoeirense do 1º Grupo de Aviação de Caça da FAB, na Itália), que apresenta: a mesa de campanha (donde Nero Moura elaborava e comandava seus planos de ataque), a cama de campanha (donde Nero Moura repousava), suas fardas, fotos, objetos pessoais, 21 medalhas (Medalha Militar, Ordem do Mérito Aeronáutico, Cruz de Aviação com 3 Estrelas, Campanha da Itália e Campanha do Atlântico Sul, Air Medal with 3 clusters, Distinguished Flying Cross, Bronze Star e Ordem do Mérito Aeronáutico – EUA, Cruz de Aviação e Légion D’Honneur – França, mais uma medalha chilena, uma polonesa e um paraguaia), outras condecorações, seu espadim de cadete, sua bengala e a “Bandeira de Cachoeira do Sul” (RS) - sua terra natal.



MOZART DE MELO,  JOÃO

Médico

Natural de Santa Maria (RS), nascido aos 23 de agosto de 1881; além de médico, era professor e escritor.

Assinava: J. Mozart de Melo. Pertenceu à Academia Sul-Rio-Grandense de Letras.

Suas obras:
01 - Livro de Análise - Léxica e Lógica 1914
02 - Compressões Cerebrais (tese) 1922
03 - Musa Hebraica (paralelismo) 1940
04 - Fernando Abbott - Um clínico típico 1948



NADAL,  LUÍS FELIPE DE

Bispo católico

Natural de Bento Gonçalves (RS), nasceu em 1º de maio de 1916; exerceu o bispado em Uruguaiana (RS).

Escreveu e apresentou aproximadamente 300 novelas radiofônicas infantis, pelas rádios Farroupilha e Difusora Porto-Alegrense (hoje, Bandeirante), de Porto Alegre (RS).

Diariamente apresentava pela rádio Farroupilha de Porto Alegre (RS), o programa diário << A 1ª ORAÇÃO DO DIA, que iniciava assim:

Agradeço-vos, oh meu DEUS! o novo dia que para mim desponta . . .

(seguiam-se as petições . . . )

Sua obra editada:
01 - Prece do Gaúcho (poema em prosa),  1962

Faleceu na cidade de Passo Fundo (RS), em 1º de julho de 1963.



NASCIMENTO,  ALEXANDRE CASSIANO DO

Advogado

O Dr. Alexandre Cassiano do Nascimento, uma das figuras mais prestigiosas e simpáticas da política republicana do Rio Grande do Sul, nasceu na cidade de Pelotas, a 13 de agosto de 1856, estudou preparatórios no Rio de Janeiro, matriculou-se na Faculdade de Direito de S. Paulo, em 1876 e co¬lou o grau de bacharel em ciências jurídicas e sociais, em 4 de novembro de 1880.

De regresso da paulicéia, onde deixara reputação de estudante distinto e rara inteligência, foi nomeado promotor público da cidade do Rio Grande e, mais tarde, em 1882, para o cargo de juiz municipal em Santana do Livramento.

Mas o Dr. Cassiano do Nascimento, ou porque não fosse afeiçoado a castigos oficiais, ou porque já se tivesse deixado empolgar pelo ideal republicano, que avassalava as almas moças naquele tempo e, que ia tomando enorme incremento na Província, mormente depois da fundação do partido, em 1879, abandonou as funções públicas e, durante dois anos, andou advogando na campanha, indo depois, em 1884, residir na sua cidade natal.

Aí, unindo-se a Álvaro Chaves, organizaram ambos o partido republicano no sul da Província e, em 1884, foi apresentado candidato à Assembléia Provincial, pelo seu partido, não sendo eleito.

Desse ano em diante, Cassiano do Nascimento consagrou-se ardorosamente à propaganda, que ia intensa na Província.

A “Federação”, valente órgão do partido estava então em plena florescência. Justamente em meados de 1884, Júlio de Castilhos assumira a chefe de redação da vibrante folha política, e o seu artigo de estréia “A Monarquia não tem homens” calou profundamente na alma gaúcha. A mocidade saída das academias era quase toda abertamente republicana e em toda a Província havia uma expectativa simpática às novas correntes políticas. Urgia, por isso mesmo, levar a palavra da doutrina nova ao interior onde nem sempre o jornal chegava.

Cassiano do Nascimento não hesitou. Abandonou o aconchego do lar, o seu bem estar, a vida atraente das cidades cultas e saiu pela campanha do sul a fazer a doutrinação republicana. De 1884 a 1889 foi incansá¬vel obreiro da propaganda. Correu as cidades, as vilas, os povoados da sua circunscrição política, e por meio de conferências, de discursos fez a autópsia do governo dinástico, da corrupção reinante, demonstrando a superioridade do sistema federativo.

A proclamação da República veio encontrá-lo nessa meritória tarefa. Suas conferências e discursos não haviam sido palavras lançadas ao vento. A plêiade republicana, a cuja testa ele se achava, era uma potência e Cassiano do Nascimento foi eleito deputado à Constituinte por 35.000 votos.

Pouco fez na Constituinte, mas a sua ação foi enérgica, quando do “golpe de Estado” de 4 de novembro de 1891, e depois de restaurado o congresso pela revolução de 23, que levou Floriano Peixoto ao governo. O representante rio-grandense não ocultou a este o seu dissentimento e pôs peito em organizar uma oposição poderosa.

O seu partido estava fora do governo do Rio Grande do Sul, devido ao movimento insurrecto de 12 de novembro em Porto Alegre e, Cassiano do Nascimento estava com o seu partido. Destarte, combateria o governo de Floriano Peixoto, enquanto este não restabelecesse a legalidade no seu Estado Natal. Foi então o líder da oposição parlamentar.

Restabelecido, em 17 de junho de 1892, o governo do Dr. Júlio de Castilhos, e tendo este apoio de Floriano Peixoto, o deputado gaúcho abandonou a “liderança” da oposição. Floriano que conhecia os homens atraiu Cassiano do Nascimento para o seu governo, confiando-lhe a pasta do Exterior. A revolta de 6 de setembro havia colocado o país em posição melindrosa perante o estrangeiro e a pasta do Exterior oferecia, nesse momento excepcio¬nal, percalços de toda a espécie.

Cassiano do Nascimento, porém, geriu-a com aquela superior serenidade e prudência que era uma das feições especiais do seu caráter.

Deputado, vice-presidente do seu Estado, líder da Câmara, ministro do Exterior, Fazenda e Interior e, por último, senador, Cassiano do Nascimento deixou em tudo estampado o cunho de sua inteligência esclarecida e do seu belo espírito.

O ilustre rio-grandense faleceu, no Rio de Janeiro, a 9 de novembro de 1912 e está sepultado em Pelotas, para onde foram transportados os seus restos mortais.



NASCIMENTO,  MANOEL LOURENÇO DO

Farroupilha

Nasceu em 1811. Seus pais eram pobres e nestas condições não puderam dar ao filho uma educação esmerada; apenas freqüentou uma aula pública e isto mesmo, por pouco tempo. Contam, entretanto, que o rapaz se destacara dos outros companheiros pela inteligência e amor ao estudo.

Em 1835, quando irrompeu o movimento revolucionário farroupilha, empunhou armas em favor dos que se batiam pelo ideal republicano.

Tornou-se, desde logo, amigo do peito do general Canabarro, a quem acompanhou, servindo como secretário.

Basta este fato para mostrar que, apesar de não ter recebido educação literária, com a inteligência esclarecida que tinha, aprendera no tirocínio da vida, o necessário para o bom desempenho de comissão delicada como esta.

Concluída a guerra civil, fixou residência na cidade de Pelotas, onde exerceu cargos de confiança política, como juiz de paz e vereador.

Em diversas legislaturas foi eleito deputado à Assembléia Provincial, tomando sempre parte ativa em todas as questões importantes que ai se debatiam.

Tinha a palavra fácil e arrebatadora, conseguindo muitas vezes dominar o auditório, que o escutava em silêncio.

Em 1864, quando os “blancos” atacaram a cidade de Jaguarão, sem declaração de guerra, o nosso patrício organizou um corpo de guardas nacionais para defender o zelo da Pátria.

Mais tarde, seguiu com essa força a incorporar-se ao exército que sitiava Uruguaiana, então em poder dos paraguaios; apenas lá chegando, o nosso patrício foi logo chamado para servir no quartel general de Canabarro, que já o conhecia desde o período revolucionário.

Em 1889, proclamada a República, aderiu ao novo regime político, pelo qual já havia se batido, durante nove anos, com a lealdade das convicções sinceras.

A 28 de agosto de 1893, com a idade de 82 anos veio a falecer o nosso ilustre patrício, tendo consagrado a vida inteira ao serviço da Pátria.



NERY,  FELIPPE

Militar

Nasceu na cidade de Montevideo a 3 de março de 1820, quando seu pai o brigadeiro Nery ali se achava no desempenho de uma comissão do Brasil.

Fez os seus estudos aí e empregou-se alguns anos na vida comercial, que deixou em 1839.

Vindo para o Rio Grande assentou praça no corpo que era comandado pelo Cel. João Propicio Mena Barreto. Cedo porém abandonou a carreira das armas, por questões de amor próprio ofendido.

Dedicou-se então à política e à vida da imprensa, onde se salientou pelo ardor e pureza das suas convicções liberais.

Dos nossos homens políticos do passado é uma das figuras mais proerninentes e mais simpáticas. Durante diversas legislaturas fez parte da Assembléia Provincial e mais tarde da Câmara dos Deputados.

Quando o partido liberal em 1863 se dividiu em históricos e progres¬sistas, acompanhou ele o Conde de Porto Alegre, que era o chefe do progressismo rio-grandense. Apesar, porém, do imenso prestígio do glorioso soldado, nada se resolvia no partido sem que fosse ouvido o Cel. Felippe Nery, espírito atilado e político de largas vistas.

Era nessa época o chefe que reunia qualidades mais apreciáveis. Além de notável orador, manejava a pena como nenhum outro de seus contemporâneos. Dos escritores do passado deve ser considerado o talento mais dúctil e brilhante. Seu estilo primava pela graça e pela vivacidade. Conhecedor profundo da literatura espanhola, de vez em quando intercalava aos seus artigos uma anedota que calhava a propósito e dava aos seus escritos um relevo encantador.

Até hoje ninguém entre nós o excedeu na imprensa na maneira singela de dizer as coisas e no sutil veneno em que molhava a pena de ouro, que era o terror dos seus adversários.

No Correio do Sul estão arquivados os seus cintilantes artigos de polêmica partidária, onde a cada passo, se percebe, entre os rendilhados da forma, a fina ironia do escritor incomparável.

Por ocasião da guerra do Paraguai, seguiu para lá como correspondente do Jornal do Comércio, do Rio de Janeiro.

Basta assinalar este fato para dar uma idéia exata dos seus incontestados méritos de jornalista. Infelizmente, porém, não quis a sorte que ele volvesse ao seu querido Rio Grande.

Faleceu em Assunção e foi sepultado junto do túmulo do valoroso Barão do Triunfo, que fora sempre seu dedicado amigo.



NETTO,  JOSÉ ANTONIO

Zeca Netto
Condor de Tapes 
Tigre do Cerro Partido
Caudilho Maragato

Natural de Jaguarão (RS), José Antônio Netto (Zeca Netto), nasceu aos 26 de junho de 1854.

O velho caudilho ocupa Pelotas, para mostrar a força militar e o prestígio político dos libertadores, às vésperas do acerto de Paz, em Pedras Altas (RS).

Aos 69 anos de idade e com 60 homens, o caudilho Zeca Netto realiza a última proeza dos maragatos, em 1923 > a tomada de Pelotas, a segunda mais importante e populosa cidade do Estado, com cerca de 50 mil habitantes, na época.

José Antônio Netto (Zeca Netto), abastado fazendeiro de Camaquã (RS) e sobrinho do General Farroupilha Antônio de Souza Netto, era chamado de o “Condor de Tapes” e também de o “Tigre do Cerro Partido”.

Entrou na Princesa do Sul, às cinco horas da madrugada, do dia 29 de outubro, imobilizou o quartel dos Bombeiros, ocupou a Intendência Municipal e quase não encontrou resistência; cinco horas depois, era aclamado pelos correligionários nas principais ruas da cidade.

O objetivo tático desta ação era, não só ocupar um ponto importante como Pelotas, mas também, influir no ânimo dos líderes governistas; as negociações de paz começavam e os revolucionários queriam mostrar ter força militar e prestígio político que lhes permitiriam persistir na luta, num eventual desacerto na paz. Assim, assegurar nas negociações, uma pauta mais favorável mesmo com a permanência de Borges de Medeiros, no poder.

Desde o início da luta, Zeca Netto, inquestionável liderança da elite do sul do RGS, manifestara de armas na mão, sua insurgência contra um novo mandato para Borges de Medeiros. Já em fevereiro, organizara sua tropa (a 4ª Divisão do Exército Libertador) e ocupou Camaquã (RS), em 1º de março.

Seguiram-se as ocupações de Canguçú e de Pinheiro Machado (RGS). Manteve desde então, confrontos inconclusos com os legalistas comandados pelos Tenentes-coronéis Hipólito Ribeiro e Francilício Meirelles, articulados na Brigada do General Juvêncio Lemos.

Sem dúvida, Zeca Netto aparece como o chefe caudilho mais integrado aos objetivos políticos estratégicos da Aliança Libertadora, inclusive o de chamar a atenção do governo federal, para uma intervenção armada ou política, como foi o caso, com a mediação da paz, contra Borges de Medeiros; prova desta lúcida integração política foi seu primeiro gesto, após entrar em Pelotas, como ele contou em suas memórias: Depois de aprender 600 armas, fui ao Correio passar um telegrama ao presidente Bernardes, narrando a ocupação.

Ao final dessa narrativa de memória, Zeca Netto conta que foi convidado por amigos, para tomar um café. Disse ele: Apeei-me e com dificuldade pude entrar na casa, onde vindo o café para cima de uma mesinha, esta girava para todos os lados, com empurrões daquelas pessoas que desejavam me abraçar. A xícara do café ficou cheia de pétalas de rosas.

Faleceu em 1936.


NEVES DA FONTOURA,  IZIDORO
Político

Izidoro Neves da Fontoura era uma das relíquias do Partido Republicano e uma das glórias de Cachoeira.

Já em 1883, quando a idéia democrática começava a infiltrar-se na mentalidade brasileira e somente as energias superiores ousavam manifestar-se publicamente, esse apóstolo Rio-grandense fundava o Club Republicano, em companhia de Cândido Pacheco, Moraes Castro, Polycarpo Cruz, Fontoura Xavier e outros.

Nesse centro político, foi delineado o plano de propaganda do novo regime de governo que se almeja para a nossa pátria, em detrimento à monarquia. Para ali convergiam as instruções dos líderes da futura República; dali emanavam ensinamentos de elevado patriotismo e a prédica dos doutrinadores da idéia em marcha.

Cachoeira passou a ser a tribuna predileta daqueles que procuravam levar ao coração e à inteligência do gaúcho a convicção da superioridade do republicanismo, sobre o sistema imperial, cujos alicerces começavam a ser sensivelmente abalados.

A voz dos oradores não caiu em terreno sáfaro > foi catequizando as consciências livres, aumentando os prosélitos da causa em foco, criando corpo que concretizou-se finalmente, no memorável 15 de Novembro de 1889.

Izidoro Neves crescera no conceito de seus conterrâneos e na opinião do Rio Grande do Sul. E, se intenso fôra o seu trabalho na propaganda, maior ainda se tornou após o advento da República.

Formado na vanguarda do partido de Júlio de Castilhos, deu o seu concurso direto ao governo do Estado e passou a ocupar altos cargos políticos e administrativos, como chefe em sua cidade.

Foi Intendente de Cachoeira (1908-1912) e tais foram os benefícios à sua extremada terra natal, que o reconduziram ao mesmo posto por sufrágio unânime. Essa reeleição, porém, contrariara sua vontade expressa e por isso não assumiu o cargo.

Em vários quatriênios, representou Cachoeira como Conselheiro Municipal e foi sempre escolhido presidente dessa corporação. Como Delegado de Polícia, por várias vezes e em períodos de altas responsabilidades para o partido, soube conduzir-se com muito critério e justiça, consolidando as simpatias de que gozava.

Em 1912, prestou serviços como representante à Assembléia do Estado; é o que temos à registrar nessa rápida biografia, quanto à sua atuação na política e na administração gaúcha.

Através de Decreto Municipal, o Prefeito de Cachoeira (RS), conferiu com justiça a perpetuação de sua memória, denominando de Rua Cel. Izidoro Neves da Fontoura, a via pública localizada no Bairro Rio Branco / Bairro Soares, que tem seu início na Rua Maj. Ouriques, na direção SE-NW e terminando na Rua Duque de Caxias.



NEVES DA FONTOURA,  JOÃO

Advogado e Diplomata

Natural de Cachoeira (RS), nascido aos 16 de novembro de 1887. João Neves da Fontoura era filho do cachoeirense Cel. Isidoro Neves da Fontoura (um ativo republicano, filho do também cachoeirense Cel. João Anchieta da Fontoura e de D. Clara Augusta de Figueiredo).

Sua mãe era D. Adalgysa Franco de Godoy, cachoeirense nascida aos 12-06-1878, casada aos 05-11-1861 e falecida aos 27-10-1952 (filha do Ten-cel. Jacinto Franco de Godoy e Zulmira Fioravante).

João Neves aprendeu a ler e a escrever por si mesmo, através do jornal “A Federação” (antigo órgão do PRR).

Em 1898, aos 11 anos de idade, tornou-se aluno interno do Colégio N. S. da Conceição, dos jesuítas de S. Leopoldo (RS), onde cursara o primário e todo o ginásio, adquirindo uma profunda formação.

Em 1905, escolheu o curso de “Ciências Jurídicas” ingressando na Faculdade de Direito de Porto Alegre (RS), tendo como colega o sãoborgense Getúlio Dorneles Vargas; tais estudos que haviam formado o bageense Gaspar Silveira Martins, o vilariquense Júlio Prates de Castilhos e o caçapavano Antônio Augusto Borges de Medeiros, lhe trariam a possibilidade de discussões aprofundadas sobre as idéias políticas flutuantes da época e, por conseguinte, a convergência da audácia juvenil, para os quadros partidários.

Naquela época, João Neves passou a freqüentar (após as aulas), a casa de seu tio Olavo Godoi (então, Diretor do jornal “A Federação”); daquela convivência com políticos e jornalistas e já alistado no PRR (desde 1904), o jovem acadêmico começou a conhecer e desvendar as sutilezas que cercavam o poder do Estado do RGS.


SÍNTESE CRONOLÓGICA

1907 - Participa do “Bloco Acadêmico Castilhista” (reunindo acadêmicos da Faculdade de Direito, Escola de Guerra, Escola de Engenharia e Faculdade de Medicina), sendo um dos redatores do jornal O Debate.

1909 - Forma-se em Ciências Jurídicas e é nomeado 2º Promotor Público da capital (posto de estágio de aprendizado político).

1910 - Exonerou do cargo de Promotor (16 de março), retorna à sua terra natal (23 de março) e torna-se colaborador dos jornais cachoeirenses O Comércio e Rio Grande.

Publica O segredo profissional (alegações do processo com Vítor de Brito).

1911 - Torna-se o diretor da folha republicana Rio Grande.

1912 - Aos 16 de novembro, casa-se com D. Iracema Barcellos de Araújo > filha do Dr. Antônio Antunes de Araújo e de D. Castorina Soares de Barcellos > gerando os filhos: Isidoro, Clara Lízia e Maria Helena.

Durante este ano auxilia a Intendência republicana, em Cachoeira (RS), até 1916.

1921 - Eleito Deputado, para a Assembléia de Representantes participa da campanha de “oposição republicana” à campanha de Artur Bernardes.

1923 - Atua ao lado de Borges de Medeiros, na revolução e profere o discurso inaugural do congresso do Partido Republicano Rio-grandense (PRR).

1924 - Reeleito para a Assembléia de Representantes.

1925 - Assume a Intendência de Cachoeira (RS), permanecendo até 1928.

1927 - Foi considerado chefe único do PRR, no município de Cachoeira (RS).

1928 - Em maio, é eleito Deputado Federal pela bancada do PRR, acumulando o mandato com a Vice-presidência do Rio Grande do Sul.

Aos 06 de novembro, pronuncia um discurso aprovado por Borges de Medeiros e Getúlio Vargas, em que coloca o Rio Grande do Sul numa posição independente, em relação à sucessão presidencial da nação.

1929 - Aos 05 de agosto, pronuncia um discurso justificando a candidatura do Dr. Getúlio Dorneles Vargas e, esclarecendo a opinião pública sobre a luta sucessória, caracterizando-se definitivamente como o grande articulador da Aliança Liberal.

1930 - Em 1º de março, tem seu mandato renovado na Câmara Federal.

Aos 19 de março, abre-se uma crise no PRR > Oswaldo Aranha e João Neves divergem de Borges de Medeiros.

João Neves manifesta sua opinião em uma polêmica entrevista para o jornal A noite; em abril é elaborado o documento chamado Heptágolo do Irapuazinho que define diretrizes da atuação da Bancada do PRR .

Aos 28 de outubro, João Neves pronuncia um memorável discurso na chegada dos gaúchos, em S. Paulo.

Aos 04 de novembro, demite-se da Vice-presidência do Rio Grande do Sul e aceita a oferta de Getúlio Vargas, para ser o Consultor Jurídico do Banco do Brasil e do Banco da Província.

Ainda em novembro, concede uma entrevista à imprensa, afirmando que a revolução de 03 de outubro, marcaria para o Brasil, o início da renovação política e social, devendo a população participar da “reconstrução nacional” cuja orientação estaria no programa da Aliança Liberal.

Publica A Jornada Liberal.

1932 - Aos 28 de março, encontra-se em Cachoeira, com Borges de Medeiros, Assis Brasil, Flôres da Cunha, Maurício Cardoso, Lindolfo Collor e Baptista Luzardo; neste encontro, as lideranças decidem pelo apoio ao Decálogo (Borges de Medeiros e Raul Pilla).

Aos 15 de junho, João Neves, Raul Pilla, Lindolfo Collor e Baptista Luzardo lançam manifesto reafirmando solidariedade aos paulistas, apontando solução revolucionária para manter a autonomia de S. Paulo.

No segundo semestre, João Neves permanece em S. Paulo, onde profere os discursos publicados no livro Por S. Paulo e pelo Brasil, tornando-se o tribuno das oposições.

No final de setembro, juntamente com os companheiros Raul Pilla, Lindolfo Collor e Baptista Luzardo, João Neves segue para o exílio voluntário na Argentina.

1933 - Retorna à Assembléia Constituinte > entre maio de 1933 e 16-07-1934 retomando a atividade político-parlamentar.

1934 - Em agosto, colabora como o semanário integralista A Ofensiva.

Publica Acuso.

1935 - Aos 11 de maio, inicia o mandato de Deputado Federal e é escolhido líder da minoria parlamentar.

Publica A voz das oposições brasileiras.

1936 - Em março, faz oposição a Flôres da Cunha, atuando ao lado de Getúlio Vargas.

Aos 03 de maio, juntamente com Maurício Cardoso, Baptista Luzardo e Paim Filho, apresenta documento reivindicatório, exigindo trégua política até janeiro de 1937, respeito às imunidades parlamentares e direito das oposições parlamentares de fiscalizarem as eleições municipais.

Aos 12 de setembro, renuncia ao cargo de líder da minoria parlamentar.

1937 - Eleito para ocupar a segunda cadeira da Academia Brasileira de Letras e publica Elogio de Coelho Neto (discurso de posse).

Aos 10 de novembro, ocorre o Golpe de Estado que extingue as atividades do Congresso, os partidos políticos e proíbe as atividades legislativas.

João Neves forçosamente abandona a atividade política na Câmara e retorna ao seu escritório de advocacia no Rio de Janeiro, reassumindo a Consultoria Jurídica do Banco do Brasil

1938 - Publica Dois perfis: Silveira Martins e Coelho Neto (ensaio).

1940 - Foi nomeado membro da Delegação Brasileira da II Reunião de Consulta dos Ministros das Relações Exteriores Americanas, em Havana (Cuba).

1942 - Foi nomeado Embaixador do Brasil, na França, mas tem sua posse interrompida pela ocupação alemã, em Paris.

Em novembro, integra o Conselho Consultivo da Coordenação da Mobilização Econômica, dirigido por João Alberto Lins de Barros.

1943 - Foi nomeado Embaixador do Brasil, em Portugal.

1944 - Publica o discurso Orações Dispersas.

1945 - Aos 29 de dezembro, é eleito Deputado Federal para a Assembléia Constituinte.

1946 (21 de dezembro) - Foi eleito por unanimidade “Presidente da Academia Brasileira de Letras”.

1946 - Renuncia ao mandato e assume a pasta do Ministério de Relações Exteriores, convidado por Eurico Gaspar Dutra, permanecendo no cargo até 1951.

Chefia a Delegação Brasileira, na Conferência de Paz, em Paris.

1948 - Chefia a Delegação Brasileira na IX Conferência Internacional Americana, em Bogotá.

Publica A serviço do Itamaraty.

1951 - Foi eleito Presidente da Companhia Ultragás (associada à Esso Standard Oil).

Como Ministro das Relações Exteriores, a sua atuação se enquadrou na idéia de “colaboração recíproca” com o Brasil, no âmbito dos interesses considerados fundamentais aos EUA.

Aos 26 de março, participa da IV Reunião dos Chanceleres e profere o discurso de abertura do encontro, respondendo ao discurso do Presidente Harry Truman, em Washington.

No mesmo ano, chefia ainda as Delegações Brasileiras do I Congresso da União Latina e a Conferência da ONU.

1952 - Chefia as Delegações Brasileiras na VII Assembléia Geral das Nações Unidas, em Washington.

1953 - Foi nomeado Presidente da Comissão de Exportações de Minerais Estratégicos.

1954 - Se opõe ao Governo do Presidente Getúlio Dorneles Vargas por ressentimento pela falta de apoio em sua gestão nas Relações Exteriores, pois discordava das restrições feitas ao capital estrangeiro.

Denuncia o Pacto do ABC e escreve o livro Depoimentos de um Ex-Ministro.

1955 - Faz campanha presidencial em apoio à candidatura Juarez Távora.

As eleições foram vencidas por Juscelino Kubitschek de Oliveira e João Belchior Marques Goulart.

1956 - Escreve editoriais e artigos no jornal O Globo.

1957 - Publica Depoimentos de um ex-ministro (libelo político).

1958 - Escreve Memórias: Borges de Medeiros e seu Tempo;

Memórias: A Aliança Liberal;

1959 - Escreve Feitos e Figuras (ensaios);

Uma figura da República: Serzedo Corrêa (artigos).

1963 - Aos 31 de março, faleceu no Rio de Janeiro e lá permanece sepultado.

Bem mais tarde, quando em Cachoeira (sua terra natal), foi atribuído o seu nome ao “Palácio Legislativo Municipal” um grupo de cachoeirenses seus conterrâneos solicitaram aos familiares > o translado de seus restos mortais para a sua terra natal, os quais não concordaram, argumentando que lá na bela capital carioca estariam mais perto de seus familiares.


O PEDIDO

Consta que, tempos antes de morrer, o Dr. João Neves da Fontoura fizera a exigência de que, quando morresse, fosse sepultado na bela Rio de Janeiro, porque sentenciara:

"Cachoeira, cidade ingrata para seus filhos - jamais obterá os meus ossos."

Através de Decreto Municipal, o Prefeito de Cachoeira (RS), conferiu com justiça a perpetuação de sua memória, denominando de Av. Dr. João Neves da Fontoura, a via pública transversal leste oeste, que tem seu início na Rua Virgílio de Abreu, na direção SE-NW e terminando na Rua Marcelo Gama (BR-153).



NOLASCO FRAZÃO FILHO,  PEDRO

Advogado

Pedro Nolasco Frazão Filho era natural de Uruguaiana (RS), onde nasceu aos 06 de março de 1892; era filho de Pedro Nolasco Frazão (pai), que prestara serviços à Pátria, lutando na Guerra do Paraguai (18654-1870).

Casado com Ophélia Almeida, do município de Bagé (RS), em 1919.

Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, formado pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro (RS), onde logo que terminou o curso, veio para o seu estado natal e aqui desempenhou vários cargos; à princípio, foi Promotor Público na comarca de Santo Ângelo de Missões (RS); à seguir, exerceu a mesma atividade em Santana do Livramento (RS); depois, em Bagé (RS).

Nesta última cidade, onde constituiu família, fixou sua residência, atendendo um dos mais movimentados escritórios de advocacia; foi um profissional ilustrado e ocupou posição de destaque na política, na bela cidade fronteiriça, a Rainha da Fronteira do Chefe Federalista Dr. Gaspar Silveira Martins.

Filiado ao “PRR” (Partido Republicano Rio-Grandense), desde os tempos de estudante, jamais deixou de servi-lo em todos os terrenos, principalmente nas campanhas eleitorais, pela sua palavra convincente.

Depois, ocupou o cargo de Subchefe de Polícia, no governo do RGS.



NONOHAY,  ULYSSES PEREIRA DE

Médico

Natural de Porto Alegre (RS), nascido aos 09 de julho de 1882.

Fez o curso primário nos colégios das professoras Lívia Fontoura e Maria das Dores, em Santa Maria (RS) e, no colégio Dª Quitéria Cristina de Jesus, em Porto Alegre; o secundário inteiramente em sua cidade natal, na Escola Brasileira e no Ginásio São Pedro, dirigidos, respectivamente, pelos professores Inácio Montanha e F. Fitzgerald.

Formou-se pela Faculdade de Medicina de Porto Alegre, em março de 1906, versando sua tese de doutoramento sobre o tema: Prognóstico das Doenças do Coração.

Especializou-se em Clínica Médica, Dermatológica e Sifiligráfica, conquistando, poucos anos depois de formado, a cátedra de Ciências Dermatológica e Sifiligráfica da Faculdade porto-alegrense.


Participou de diversas assembléias científicas no país e no estrangeiro, incluindo-se em seu número:

1 - O 9º Congresso Brasileiro de Medicina, realizado em Porto Alegre no ano de 1926, de que foi orador oficial;

2 - O Congresso Latino-Americano, efetuado em Montevidéu (Uruguai), em 1919;

3 - O Congresso Médico do Centenário da Academia Nacional de Medicina, realizado no Rio de Janeiro, em 1929;

4 - A Conferência Nacional de Lepra;

5 - A Conferência das Sociedades de Profilaxia da Lepra;

6 - O 1º Congresso Nacional de Tuberculose, efetuado no Rio de Janeiro;

7 - O 2º Congresso Nacional de Tuberculose, realizado em Porto Alegre, em 1941, de que foi presidente;

8 - O Congresso Americano de Tuberculose, efetuado em Buenos Aires e Córdoba (Argentina), em 1940, como membro da delegação oficial do Brasil;

9 - e outros . . .



Entre os principais trabalhos científicos que publicou, citam-se:

01 - Prognósticos das Doenças do Coração (tese inaugural);

02 - Embaraços Gástricos Urêmicos;

03 - Crônicas Diversas (Rio Grande Médico);

04 - Balanço da Sífilis;

05 - Crise Nitritóide e Insuficiência Supra Renal;

06 - Sífilis e Glândulas de Secreção Interna (Série de Memórias), compreendendo:
a - Prefácio;
b - Sífilis e Glândulas de Secreção Interna;
c - Imunidade na Sífilis;
d - Héredo-Sífilis;
e - Clínica das Manifestações Glandulares da Sífilis;
f - Do Simpático em a Sífilis . . .

Ex-interno de Clínica Médica, ex-diretor de Enfermarias das Santas Casas de Porto Alegre e de Uruguaiana, ex-chefe do Serviço de Profilaxia da Lepra e Doenças Venéreas, do Estado do Rio Grande do Sul - possuía, além dos de Doutor em Medicina e Catedrático, da Faculdade de Porto Alegre, títulos de: Membro da Academia Nacional de Medicina, da Sociedade de Medicina, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, da Sociedade Brasileira de Tuberculose; sócio benemérito e presidente da Cruzada Brasileira Contra a Tuberculose e a Lepra; membro correspondente da Sociedade Argentina de Tuberculose de La Plata; ex-redator da revista Rio Grande Médico, revista dos Cursos da Faculdade de Medicina, e das revistas de educação sanitária Hígia e Cruzada Brasileira.

Casado com Aracy Teles, obtendo deste consórcio os seguintes filhos:
01 - Amélia Teles de Nonohay;
02 - Jutaí Teles de Nonohay;
03 - Janira Teles de Nonohay.



NUNES PEREIRA,  CLAUDINO

Militar

Claudino Nunes Pereira era natural de S. Luiz Gonzaga (RS), onde nasceu aos 06 de janeiro de 1872; filho de Zeferino Jacintho Pereira e de Alexandrina Nunes.

Foi casado em primeiras núpcias com Josephina Bocorny, com quem teve seis filhos: Alcindo (militar), Enedino (militar), Claudino Filho (militar), Arthur (militar), Jandyra (casada com Dario Gastal), Djanira (casada com David A. Barros).

Foi casado em segundas núpcias com Pepita Kruel.

Entre os vultos que atingem posições de destaque, há os que se fazem pela inteligência e força de vontade própria; há os que atuam como satélites dos potentados; há os que se amparam na alavanca poderosa do dinheiro; Claudino Nunes Pereira, que o Rio Grande conheceu e lembra pelas sus superiores qualidades de militar, administrador, político e cidadão, forma entre os primeiros aqui enumerados, dando assim mais realce e posição que atingiu.

Em 1887, com 15 anos de idade, portador apenas de vontade férrea, ingressou no comércio; à seguir e até 1893, trabalhou marceneiro em oficina própria; nessa época, ao se formarem em S, Luiz Gonzaga (RS), forças civis organizadas por Pinheiro Machado e destinadas a defender o governo da agressão do “PF” (Partido Federalista), apresentou-se aquele bravo gaúcho, que o mandou incluir no corpo em recrutamento.

Era o início da brilhante carreira militar de Claudino Nunes Pereira. Revelara-se desde logo, soldado destemido, atilado e inteligente. Pinheiro Machado percebeu o valor de seu comandado e o fez Alferes, em 20 de julho do mesmo ano, para servir no 2º Batalhão da Brigada Militar do RGS, então organizado em St ª Maria (RS); nessa unidade, pertencente à “Divisão do Norte” participou de todos os acontecimentos revolucionários, inclusive a marcha épica aos estados de Stª Catarina e Paraná. Foi depois Ajudante de Ordens do General Salvador Pinheiro, comandante da 4ª Brigada, daquela Divisão.

Em 1894, passou a tomar na Divisão do Sul, comandada por Carlos Telles, até 1895, quando a sua unidade recolheu-se à capital.

A folha militar de Claudino Nunes Pereira assim consta: 1º Tenente em 12 de julho de 1896; Capitão em 15 de novembro de 1897; Major em 1º de abril de 1901; Tenente-coronel em 23 de agosto de 1913; Coronel em 06 de julho de 1923, sendo efetivado nesse posto aos 22 de outubro de 1925.

Comandou o 3º Batalhão, sediado em Porto Alegre (RS); o 1º Batalhão de Caçadores, sediado em Stª Maria (RS); a Brigada Militar, de 22-10-1925 até 09-09-1932, quando foi transferido para a reserva. De 1908 até 1913, foi quartel mestre geral da força.

Quando comissionado em Coronel comandou diversas Brigadas provisórias e destacamentos constituídos de efetivos e provisórios, nos movimentos armados que convulsionaram o Rio Grande do Sul, com atuação neste Estado, Stª Catarina e Paraná.

Comissões e cargos administrativos:

Em 1926, foi encarregado pelo governo do Estado do RGS, de repatriar os emigrados nosso irmãos, na Argentina e Uruguay;

De 1918 até 1923, foi intendente provisório dos municípios de Stª Maria, Uruguaiana e Jaguarão, com incumbência política;

Ao inativar-se, contava 46 anos de serviço militar ativo.



NUNES RIBEIRO,  DEMÉTRIO

Político e Jornalista

Natural de Rio Grande (RS), nascido aos 04 de junho de 1855; político, jornalista, professor e usava o pseudônimo de Gaúcho Velho.

Fez parte, em 1889, do Governo Provisório da República, ocupando a Pasta da Agricultura até 30 de janeiro de 1890.

Colaborou em A Federação (órgão republicano gaúcho); em 1893, acompanhou a dissidência republicana que se uniu aos federalistas maragatos, contra Júlio de Castilhos.

Suas obras:
01 - Curso Elementar de Aritmética (1ª Parte) 1881
02 - Curso Elementar de Aritmética (2ª Parte) 1882
03 - Convenção Republicana de 23 de fevereiro (discurso) 1882
04 - Pelo Rio Grande (cartas abertas) 1923

Faleceu em 1931.




OLIVEIRA BELLO,  LUIZ ALVES DE

Advogado

Nasceu em Porto Alegre a 21 de abril de 1817. Era filho do marechal de campo Venceslau de Oliveira Bello e de D. Ana Flora de Oliveira Bello.

Tendo estudado os preparatórios na sua terra, seguiu em 1836 para S. Paulo afim de matricular-se na Academia de Direito.

Em 08 de novembro de 1841, bacharelou-se aí, tendo-se salientado, durante o curso, pela sua inteligência e amor ao estudo.

Nunca julgou ter de seguir a carreira da magistratura, mas havendo sua família, com a revolução de 1835, perdido a modesta fortuna que possuía, aceitou o cargo de promotor público da comarca de Itaboraí, na província do Rio de Janeiro.

Pouco depois, exerceu o mesmo cargo na sua cidade natal, tendo procedido de maneira a merecer os aplausos de todos.

Em 1845, foi eleito, pelo partido conservador, deputado à Assembléia Provincial e à Câmara Temporária.

Em 1846, por decreto de 29 de agosto foi nomeado juiz de direito da 1ª Vara Criminal de Porto Alegre; e nessa posição viveu a contento de todos, até o ano de 1858, em que foi aposentado com as honras de desembargador.

No mês de outubro de 1851, substituiu, na presidência do Rio Grande, o marquês de Caxias, exercendo esse cargo até dezembro de 1852.

Nessa difícil posição, pôs, desde logo, em evidência os grandes predicados de administrador honesto e justiceiro.

Mais tarde, em 1861, foi escolhido para presidir a província do Rio de Janeiro e, aí se conservou um ano e meio, servindo a todos com justiça e retidão.

Com a queda dos conservadores em 1863, perdeu a posição que tinha no país, não conseguindo mais merecer os sufrágios dos seus patrícios, que o haviam eleito consecutivamente seis vezes à Assembléia Geral!

Desgostoso e desiludido com a política, recolheu-se à terra natal, onde veio a falecer a 30 de dezembro de 1865, depois de haver prestado à Pátria serviços valiosos.



OLIVEIRA BUENO,  JOSÉ DE
Coronel

Nasceu a 15 de setembro de 1822, na cidade de Jaguarão (RS), então chamada Guarda do Cerrito. Era filho legítimo do Cap. Inácio de Oliveira Bueno.

Tendo sido morto pelos rebeldes, em combate, seu irmão o Cel. Albano de Oliveira Bueno, o nosso patrício, apesar de muito jovem, sentou pra¬ça a 20 de setembro de 1836 para combater contra os republicanos de 1835.

Assistiu a muitos combates, entre eles os de Mostardas, Passo das Pedras, Caçapava, Taquarí, Passo de S. Borja, Inhatium. Canguçu, Dores e Porongos.

Concluída a revolução farroupilha, fez depois toda a campanha do Estado Oriental de 1851 a 1852.

Declarada a guerra contra o governo de Rosas, ofereceu-se para fazer parte da divisão ao mando do tenente general Conde de Porto Alegre.

Assistiu á batalha de Moron, a 03 de fevereiro de 1852 comandando o 1º Esquadrão do 2º Regimento de Cavalaria, ao mando do Cel. Manoel Luiz Osório. Nesta ação fez prodígios de valor, atirando-se sobre uma bateria inimiga e arrebatando-a depois de encarniçada luta.

Mais tarde, em 1854, marchou para Montevideo, incorporado à legião auxiliadora. Voltando à província, passou a comandar a fronteira de Chuí, onde prestou valiosos serviços.

Começando em 1863 as comissões no Estado Oriental, teve ordem de organizar um corpo provisório, a fim de operar ali, de acordo com as forças do Gen. D. Venâncio Flores.

Em setembro de 1864, foi incumbido de organizar o corpo policial da Província, que então se achava em cerco. Pouco tempo depois, o batalhão rivalizava, em disciplina, com os corpos de linha; nestas condições, embarcou para o Paraguai, caracterizado com a numeração de 33º Corpo de Voluntários da Pátria.

Assistiu ao bombardeamento feito pelos inimigos à ilha da Redenção, em 16 de abril e transpôs o Paraná a 17 do mesmo mês.

Tomou parte no combate de 02 de maio e na maior batalha terrestre de 24 daquele mesmo mês, em que foi ferido gravemente, tendo mais uma vez posto à prova o seu valor e a sua coragem.

A fim de tratar-se dos ferimentos que recebeu na batalha de 24 de maio, veio á Província, regressando ao acampamento ainda amparado de muletas.

Desses exemplos tocantes de patriotismo, está cheia a história da guerra do Paraguai.

Terminada essa cruenta campanha, depois de cinco anos de luta, voltou ao berço natal, trazendo uma fé de ofício que é uma página brilhante de heroísmo.

Foi, então, velho e doente, viver em S. Leopoldo (RS), onde faleceu em 21 de abril de 1873.



OLIVEIRA LIMA,  MANOEL LUCAS DE

Farroupilha

O Rio Grande do Sul é, não só pela sua posição geográfica como pelas suas tradições históricas, uma pátria de heróis e, Manoel Lucas de Oliveira é dos que mais elevam a fama gaúcha na vasta galeria de seus guerreiros.

A 21 de janeiro de 1815, nascia ele na Vila de Piratiní e 20 anos depois, quando explodiu a revolução farroupilha, provocada pelo governo rotineiro do império e açulada pelas paixões partidárias que lavraram no seio da província, o moço piratinense correu a alistar-se nas bravas fileiras dos farrapos.

Neste caráter assistiu ao sítio de Porto Alegre e tomou parte em vários combates. Este herói farrapo é apontado como o autor da Proclamação da República aos 11 de setembro de 1836, assinada pelo general Netto, que comunica a criação da República RIO-GRANDENSE.

Foi capitão da Guarda Nacional na região de Piratini, deputado e no final da República, seu Ministro da Guerra.

Liberal-republicano apaixonado, mas de temperamento alegre e afável, era sobretudo culto e um bom político, conhecido como, o homem dos abraços.

No combate de Ponche Verde, foi ferido, pagando, com o seu sangue, a sua audácia de soldado temerário.

Ao terminar a guerra civil era capitão, havendo-o galgado, posto a posto, com a espada em punho, por ações de valor, que as páginas da história registram.

O governo do império o reconheceu neste posto, consoante as condições estabelecidas pelo tratado de paz.

Em 9 de agosto de 1847, foi promovido a Major fiscal do 7º Corpo de Cavalaria, indo servir com o seu corpo na fronteira de Jaguarão, onde ficou durante oito meses. Em 1850, foi nas mesmas condições, para a fronteira de Bagé.

Em 1851, esteve na guerra contra o ditador Rosas, recebendo a medalha de ouro. Em 1855, atingia ao posto de tenente-coronel interino e organizava o corpo da

guarnição de Jaguarão e Bagé.

Em 3 de outubro de 1857, assumiu o comando do 6º Corpo de Cavala¬ria da 3ª Divisão do corpo de observação da fronteira de Quaraí, tendo sido declarada a efetividade de sua patente de Tenente-coronel, em 26 de novembro desse mesmo ano.

Em 1858, era condecorado com o “Oficialato da Rosa” e pouco depois recebia a promoção de coronel comandante superior.

Em 64, 65, 66 e 67 tomou parte ativa no serviço do exército, não só no desempenho de diversas comissões em tempos de paz como à testa de seus soldados nos campos de batalha.

Adoeceu no Paraguai, quando estávamos em guerra com os bárbaros fanáticos de Solano López e recolheu-se à Pátria.

Exercia o comando superior das comarcas de Piratiní e Canguçú, quando o governo lhe conferiu as honras de general de brigada, em 1880.

Neste posto faleceu o ilustre soldado rio-grandense a 23 de abril de 1874, cumulado de honras, cheio de valiosos e incomparáveis serviços à Terra Natal.

FONTE: Vultos da epopéia Farroupilha - 1935, págs. 155-160 - Othelo Rosa



OLIVEIRA,  ARTUR DE

Escritor

Nasceu na cidade do Rio Grande em 1847 e faleceu em Porto Alegre, em 1882. Era filho de D. Maria Angélica Soares de Oliveira e de João Domingos de Oliveira, que, durante muitos anos, navegara como comandante de um vapor da carreira de Porto Alegre ao Rio Pardo, quando essa cidade era, o empório comercial da campanha, no tempo em que as linhas férreas não cortavam ainda o seu solo.

Artur de Oliveira era um boêmio incorrigível, um belo tipo de homem, alto, cheio de corpo, simpático, insinuante, farta cabeleira, ondulada à Carlos Gomes, voz vibrante ao serviço de uma das mais radiantes imaginações conhecida.

Bem moço, seguiu para o Rio de Janeiro, onde logo pôs em evidência seu enorme talento, que parecia às vezes, nos seus escritos e nas palestras, andar beirando de loucura.

Na redação dos jornais, onde aparecia e tornara-se figura obrigatória, só ele tendo o direito de falar para encantar os outros.

Em pouco tempo o Rio de Janeiro tornara-se, entretanto, um meio acanhado para ele, que afagava, de há muito, a idéia de visitar o velho mundo, sempre novo para todos, um belo dia, emalou a sua roupa, disse adeus aos amigos e partiu.

Chegando a Paris, o seu único empenho foi ver Victor Hugo, o que conseguiu, depois de um escândalo, com o porteiro do palácio que não lhe queria facilitar o ingresso à presença do grande Mestre.

Penetrando aí, o encontrou rodeado de Teófilo Gautier, Catulle Mendés, Gustavo Doré e outras celebridades então em voga.

Dessa época, em diante, data a amizade íntima com Teófilo Gautier (que o chamava “pai do raio”).

Quando rebentou a guerra, em 1870, Artur de Oliveira, que visitava Berlim, deixou logo essa cidade para ir alistar-se na legião estrangeira que se organizava em Paris.

Concluída a guerra, voltou à Pátria com um valioso cabedal de conhecimentos para continuar na mesma vida irrequieta e bulhenta de sempre.

Esse homem, que era um gênio, desceu à campa deixando várias obras, para atestar o seu extraordinário valor como artista da palavra, entre as quais:
1 - A Rua do Ouvidor;
2 - Flechas;
(sob o pseudônimo de Bento Gonçalves)

Tese para o Concurso de Literatura
(no Colégio Pedro II - Rio de Janeiro 1879)

Mereceu a admiração de Machado de Assis, o qual lhe dedicou uma poesia, tendo afirmado que o poeta “não exauriu nunca a força genial que possuía”.

MEMBRO da Academia Brasileira de Letras, sendo o patrono da cadeira nº 3.



ORTAÇA,  PEDRO

Cantor

Pedro Ortaça, iniciou-se na vida artística quando guri, com amigos de calças curtas, tocando violão. Ele foi aprendendo música com Carlito, Desidério, Felício e Nego Juvenal, que foram imortalizados como personagens da música Bailanta do Tibúrcio.

Conta Ortaça: "Na realidade, eles eram homens de idade e eu muito pequeno. Formei-me ouvindo-os tocar e conversar, ao amanhecer, os causos e músicas do Tibúrcio, Desidério, Carlito e do Felício. Fui cultivando um amor pelas coisas nossas com cheiro de terra, já que meu pai cantava e meu avô e minha mãe tocavam gaita. Naturalmente eu trazia no sangue a música e principalmente o amor pela terra”.

Ortaça dedilhou o primeiro violão com o Emílio de Matos. Era um violão velho e quebrado, que ele mandou reformar numa marcenaria. "Custou muito caro, tive que pagar em três vezes", lembra Ortaça que foi se apresentando em galpões, estâncias e canchas de bocha.

"Naturalmente muitos me ajudaram e outros diziam que eu tinha é que trabalhar, pois naquele tempo só o pessoal vagabundo é que cantava e tocava. Hoje, eu estou aqui, com muito carinho do Rio Grande e do Brasil" - diz o bem sucedido intérprete.

Ao gravar seu primeiro disco, em 1976, pela Cit, do Rio de Janeiro, Pedro Ortaça começou logo fazendo sucesso no vinil. Hoje (08-11-1990), ele possui cinco discos solos, além de participações em LPs com o Rodeio Crioulo e Disco Pan, que devem chegar a 8 ou 10.

Sobre o ofício de compor, Ortaça diz: "Onde moro já é uma fonte de inspirações, porque as Missões têm mais de 300 anos de história. Sou descendente de índios, minha avó era índia. A gente traz no sangue a arte e principalmente a história maior que nós temos. O missioneiro não tem lugar específico para compor; é quando vem a inspiração; é de momento”.



ORTIZ, OLIVÉRIO JOSÉ

Militar Farroupilha

Cada vez me convenço mais que o Rio Grande do Sul é uma terra privilegiada em tudo, até em ser o berço de grandes homens; possui uma galeria opulenta de filhos notáveis.

O Brig. Olivério José Ortiz pertence a esse brilhante número; nasceu em 1779, na Vila Caçapava - mas, segundo Aurélio Porto, esse gaúcho ilustre, nasceu em 30 de setembro de 1789, em Cachoeira e foi batizado em 27 de outubro de 1789, em Rio Pardo. (Notas ao processo dos Farrapos, “Arquivo Nacional” 1935, v. 3, pág. 539, Rio de Janeiro).

Assentou praça muito novo Regimento de Dragões (Rio Pardo) e como soldado prestou relevantes serviços á pátria.

Sendo tenente do regimento do Rio Pardo, distinguiu-se na campanha de 1816 e achou-se nas batalhas de Butuí e Catalão, merecendo por isso ser elogiado pelo Marquês de Alegrete.

Fazendo a guarnição do Passo do Mariano Pinto, com o seu regimento, de que era comandante, foi aí atacado por forças do caudilho oriental Bernabé Rivera, superior às do seu comando, pelo que, apesar da resistência tenaz que opôs ao inimigo, foi obrigado a retirar-se em direção a S. Gabriel.

O pânico produzido pela notícia da invasão obrigou os moradores das vizinhanças daquele passo e dos caminhos por onde passavam os retirantes, a procurarem na força destes uma defesa contra os invasores, dificultando assim a marcha do regimento, que se tornou parado, sendo por este motivo alcançado e envolvido pelo inimigo entre os arroios Lajeado e Itaperí, onde capitulou com todas as honras da guerra.

Submetido a conselho por esse motivo, foi absolvido, que ele já tinha no seu ativo prodigiosos feitos de soldado brioso.

Ao rebentar a revolução farroupilha de 1835, foi encontrado comandando a guarnição de S. Gabriel, no posto de coronel.

Servindo à principio com as forças do governo, com grande proveito para a causa monárquica, aderiu depois ao movimento revolucionário, tal eram, aos seus olhos de gaúcho altivo, a justiça que punha em campo as armas republicanas.

Serviu em favor da gloriosa revolução farroupilha até ao dia em que Bento Manoel Ribeiro, foi incorporar-se às tropas do governo.

Então Olivério José Ortiz, desgostoso, recolheu-se à vida privada, pendurando a sua valente espada de soldado, que só batalhava em defesa das causas nobres.

Eleito deputado à Constituinte rio-grandense, não quis tomar assento porque o seu coração e o seu brio sentiam-se ainda feridos por ingratidões políticas.

Segundo a sua fé de ofício, este bravo soldado tomou parte em dezoito (18) combates, tendo sido em um deles promovido por atos de bravura.

O Brig. Olivério José Ortiz viveu no município de Alegrete, durante mais de 50 anos e faleceu nesta cidade a 20 de outubro de 1869, com a avançada idade de 90 anos, delegando aos pósteros os mais formosos exemplos de conduta, valentia e amor à Pátria.



OSÓRIO BORDINI,  CARLOS AUGUSTO

Professor

Nasceu em Porto Alegre a 17 de agosto de 1847. Era filho do coronel João Carlos Bordini e de D. Maria Felícja Osório Bordini, irmã do Marquês do Herval.

Fez os seus estudos preparatórios no Colégio Gomes, onde revelou bem cedo o seu pendor pelo estudo da matemática. Concluindo o curso superior desse instituto, seguiu para o Rio de Janeiro, onde se matriculou na extinta Escola Central, pondo em evidência, desde logo, o seu formoso talento.

Terminando alí os estudos, voltou à terra natal, dando sempre completo desempenho às comissões que lhe foram confiadas, não só pelo governo como também por particulares.

Nos últimos tempos do império, quando presidiu o Rio Grande o conselheiro Dr. Gaspar Martins deu-lhe a mais alta prova de consideração nomeando-o para o cargo de diretor das Obras Públicas.

O ilustre chefe do partido liberal o tinha na maior conta, não só por sua competência profissional como pela elevação do seu caráter.

Nunca ambicionou posições, nunca transigiu com as suas crenças políticas. Desde bem moço filiou-se ao partido liberal que sempre serviu desinteressadamente.

Nos últimos anos de existência a sorte o bafejou. Não mudou, porém de hábitos, viveu sempre retirado, modestamente, no doce aconchego da família, como dantes.

Vivia procurando fazer o bem a todos que recorriam à sua generosidade. Ainda forte, a morte o surpreendeu a 04 de julho de 1906.



OSÓRIO,  FERNANDO LUIZ

Advogado

Era filho do brigadeiro Marquês do Herval. Nasceu na cidade de Bagé (RS) a 30 de maio de 1848.

Estudou os preparatórios em Pelotas, seguindo, pouco depois, para S. Paulo, onde se matriculou na Faculdade de Direito. Quando se declarou a guerra do Paraguai, Fernando Osório, revelando, tão certo é a lei do atavismo, o sangue do glorioso soldado que lhe corria nas veias, quis seguir, com outros acadêmicos, como voluntário para o campo de luta, porém seu pai, tão grande guerreiro como afetuosíssimo chefe de família, não consentiu em tal, o ardoroso moço não teve remédio senão trocar o amor de Marte pelo de Minerva e continuar nos seus estudos.

Acompanhando o movimento acadêmico de 1871, provocado pelo ato do Ministro do Império, que reformava o modo de serem feitos os exames na Faculdade, Fernando Osório, que então cursava o 4º ano, foi processado e condenado à perda de dois anos de estudos. O moço acadêmico como ativa resposta, embarcou para a província de Pernambuco e em 1873, bacharelou-se em Ciências Jurídicas e Sociais, no Recife.

Chegado à sua província natal, iniciou uma vida ativíssima, de trabalhador indefeso, no jornalismo, na advogada, na difusão da cultura cívica.

Era o advogado dos pobres, amigo da instrução, fundou em Pelotas a primeira aula noturna para adultos em Santana do Livramento, uma associação literária para conferências populares, realizando ele a primeira sobre o tema “Amor da Pátria”.

Abolicionista extremado, Fernando Osório assumiu o compromisso de “nunca possuir escravos”.

Em 1874, foi eleito à Assembléia Provincial e em 1876, à Câmara Temporária. Tinha então 28 anos e era de uma atividade rara. Em 1868, partidário do gabinete de 5 de janeiro, de que o general Osório fazia parte, ao discutir o relatório do Ministro da Guerra, declarou-se adepto fervoroso do “serviço militar obrigatório”, assunto em foco, naquele momento.

Tendo se dado o rompimento do Marquês do Herval com Gaspar Martins, o Dr. Fernando Osório, tomando a defesa de seu pai, afrontou o colosso da tribuna parlamentar. Seus discursos dessa época ficaram memoráveis e foi conhecido em todo o país o seu notável folheto: “O general Osório de¬fendido por seu filho”.

Feita a cisão do partido liberal, o Dr. Fernando Osório foi o chefe da dissidência, fundando, em 1881, a Discussão, órgão diário do partido oposicionista, que combateu a ação partidária de Gaspar Martins.

Proclamada a República, foi um dos primeiros chefes políticos do Rio Grande do Sul, que telegrafou ao Marechal Deodoro da Fonseca, aderindo ao movimento e tais serviços prestou que foi logo eleito presidente do Clube “União Republicana” de Pelotas.

Eleito á Constituinte do Estado, em 5 de maio de 1891, aí apresentou um projeto de lei, autorizando o Governo a mandar erigir um monumento consagrado à memória dos heróis “Farroupilhas”.

Em 1891 escreveu a letra e a música do “Hino Republicano Rio-grandense”.

A 25 de abril de 1894, o Marechal Floriano Peixoto, que havia sido amigo do Gen. Osório, o nomeou nosso ministro plenipotenciário em Buenos Aires, enviando-lhe, no mesmo dia, um emissário com estas palavras:

“Seu pai foi soldado e quando era preciso, sabia partir imediatamente. Seu filho deve imitá-lo.”

Cinco meses depois, em 15 de outubro de 1894, era nomeado Ministro do Supremo Tribunal Federal.

Nos últimos anos de sua fecunda e excelsa existência, o ilustre rio-grandense, pagando um tributo de amor filial, meteu ombros a escrever a “História do Gen. Osório”, publicando o precioso 1º Volume, com mais de 700 páginas, que lhe abriu as portas do “Instituto Histórico”.

O Dr. Fernando Osório foi surpreendido pela morte a 26 de novembro de 1896, tendo sido, na frase de seus biógrafos, “poeta, jornalista, músico, historiador, político, orador, diplomata e magistrado, em todas estas especialidades brilhou, em todas imprimiu o cunho da sua inteligência robusta e clara”.



OSÓRIO,  MANUEL LUÍS

Marechal, Patrono da Arma de Cavalaria do EB
Barão, Visconde e Marquês do Herval

Nasceu em Conceição do Arroio (hoje Osório - RS-Brasil), aos 10 de novembro de 1808; brilhante militar e político brasileiro.

Na história militar brasileira não há individualidade que mais se impusesse ao coração e ao fanatismo dos soldados que o legendário Manuel Luís Osório - “O bravo dos bravos” - como lhe chamava o Conde d’Eu, orgulhoso por vê-lo combatendo a seu lado.

Assentou praça aos 15 anos de idade, em 1823, quando acesa andava no Brasil a chama belicosa. Osório viu-se logo envolvido no fumo dos combates, respirando pólvora, e vendo ferro, na guerra da independência e das repúblicas do Prata.

Quando estalou a formidável guerra do Paraguai, que tantos dissabores nos causou, não por insucessos de campanha, mas por acidentes e incidentes que antecederam e intermediaram a ação de nossas armas, Osório já era uma figura militar indispensável, necessária mesmo, sem a qual era sempre duvidosa qualquer esperança de vitória.

Por questões políticas e quiçá ciúmes de classe, o valente cabo de guerra era, a esse tempo, hostilizado na Província e, aos primeiros sintomas de invasão inimiga, estava ele sob a ameaça de ser transferido para o norte do país. O então Marquês de Caxias, que lhe conhecia o valor e sabia do ressentimento que sua falta causaria ao Rio Grande, em vésperas de guerra, assim se exprimiu a propósito na presença do Imperador: “Senhor, o Brigadeiro Osório é um oficial experimentado de cavalaria. Ë querido pelas tropas; é capaz de dirigi-las, de presidir à sua instrução. Não consinta na perseguição que lhe fazem. Não deixe que o mandem para o norte, quando tanta falta ha de fazer no sul, se tivermos guerra. Não admita que o desgostem, que o forcem a reformar-se, a retirar-se à vida privada com prejuízo do Exército e da Pátria”.

Também Felix da Cunha, o nosso grande poeta, orador e jornalista, estampou no “Mercantil” (em 12 de outubro de 1864), um brilhante artigo sobre a injusta e mesquinha perseguição que moviam a Osório. Entretanto, no momento grave que atravessava o país, e as suas relações tensas com repúblicas do Prata, o conselho e a espada de Osório eram imprescindíveis. E tanto assim, que, iniciadas as hostilidades, foi Osório que, à frente de sua divisão, invadiu à 1º de dezembro de 1864, o Estado Oriental pelas Ilhas de S. Luiz, e assistiu à capitulação de Paissandu, em 2 de janeiro de 1865.

Pouco depois, quando por aviso do Ministério da Guerra, de 18 de fevereiro de 1865, Osório assumiu interinamente o comando em chefe do Exército em operações no Estado Oriental do Uruguai, o Dr. Gaspar da Silveira Martins, que então ensaiava asas para seus futuros vôos no céu da política rio-grandense, escrevia no Jornal do Comércio, do Rio: “Bravo, leal, cavalheiro, franco, o Gen. Osório é o mais perfeito tipo das qualidades dos filhos da província do Rio Grande do Sul, de quem é ele a glória e o orgulho. O Rio Grande ama-o de coração, pelo mesmo molde que ama a si mesmo”.

Referindo-se ao famoso 2º Regimento de Cavalaria, organizado por Osório, que “arvorou gloriosa¬mente em Caseros, o estandarte do Império” — diz Silveira Martins:

“Os oficiais o amavam, os seus soldados o adoravam e o chamavam entre si:
o Cabo Velho”.

Osório tendo se feito soldado em 1823, salientou-se excepcionalmente “nas campanhas da independência da cisplatina, das províncias unidas, no Prata, dos ‘Farrapos’, no Rio Grande do Sul, de Buenos Aires, contra Rosas e na do Estado Oriental”.

Declarada a guerra do Paraguai pelo desmedido orgulho e tresloucada ambição de Solano Lopes, que sonhava fundar o Império do Paraguai, Osório foi colocado à testa do Exército em formação no Rio Grande, para a campanha. A tarefa era difícil, e depois de mais de um ano de preparo, durante o qual teve de lutar com as epidemias, a peste, e até com a má vontade de alguns camaradas, Osório resolveu-se a atacar o inimigo e dirigiu o lº Corpo de Exército, sob o seu comando, a notável proclamação de 15 de abril de 1866, onde há trechos assim:

“Soldados! é fácil a missão de comandar homens livres; basta mostrar-lhes o caminho do dever. O nosso caminho está ali em frente”.

E como ele se recomendava, como todos os valentes, “pela sua humanidade e zelo pelo soldado”, como em carta ao Ministro Ferraz, também o Ministro Francisco Otaviano, acrescentou, na sua proclamação:

“Não tenho necessidade de recordar-vos que o inimigo vencido e o paraguaio desarmado ou pacífico devem ser sagrados para um exército composto de homens de honra e de coração”

Disposto assim a penetrar no território inimigo, Osório, no memorável dia 16 de abril de 1866, sob pesadas nuvens e um calor asfixiante, empreendeu a passagem do Paraná e foi o primeiro general brasileiro que pisou em terra paraguaia, “com seu piquete e ajudante, ao todo doze homens”.

Desse dia em diante, Osório traça, com a sua espada rútila, no céu da nossa história, verdadeiras constelações de heroísmo sem par. Na batalha de Estero Ballaco, pouco depois, em 2 de maio, a sua ação valorosa faz Gazmendia, dizer: “Tudo se hubiera perdido se Osório no acudiera à la cabeza de los cuerpos de la segunda linea y restabeleciera el combate”.

Prosseguindo na sua ação triunfante, Osório se cobriu de glórias em Tuiutí. que eternizou na história o dia 24 de maio. Alí Osório lutou com bravura inexcedível, disputando braço a braço, passo a passo, a vitória ao inimigo; mas, vencedor, seu coração se encheu de tristeza quando soube do “grande número de inimigos mortos”.

Em agosto de 1866, com a saúde profundamente alterada. Osório veio ao Rio Grande do Sul, em busca de repouso e remédio no seio da família amantíssima. Não lhe eram, porém, permitidas grandes tréguas. Nomeado Caxias, em 10 de outubro de 1866, comandante em chefe de todas as forças do Império, contra o Governo do Paraguai, foi Osório por aviso do Ministério da Guerra, de 18 do mesmo mês, nomeado interinamente comandante das armas da província do Rio Grande do Sul, e, por decreto, de 20 de outubro, comandante em chefe do 3º Corpo de Exército, que se havia de formar.

Osório, como sempre, foi de uma atividade “hors ligne”. Tudo preparou, e a 18 de julho de 1868, sem contar aqui os seus feitos e sucessos intermediários, deu-se o reconhecimento e o combate de Humaitá.

Se os soldados de Osório já o amavam fanaticamente, esse amor subiu de ponto quando o legendário guerreiro gaúcho ganhou a batalha de Avaí. vencendo o bravo oficial D. Bernardini Caballero, considerado na valente cavalaria inimiga — o “Osório paraguaio”.

Na batalha do Avaí, foi Osório ferido, por bala de fuzil, na maxila inferior esquerda. Não podendo Osório, devido aos ferimentos recebidos em combate. conservar-se .no campo de ação, retirou-se para o Rio de Janeiro, em 5 de fevereiro de 1869. Precisava de um tratamento rigoroso. Mas, nomeado Conde d’Eu, a 22 de março desse ano, comandante em chefe do Exército brasileiro em operações no Paraguai, apelou para o patriotismo de Osório, concitando-o a voltar ao serviço das armas. Osório não se fez esperar. Voltou à atividade da guerra, sendo recebido com manifestações entusiásticas pelos exércitos aliados.

Infelizmente seus males se agravaram, e o general recolheu-se a Assunção. Logo que sentiu-se melhor de saúde, apresentou-se ao serviço, reassumindo o comando do 1º Corpo de Exército, em 26 de setembro de 1869.

Daí em diante agiu como sempre. Toda a ação guerreira de Osório era sempre acompanhada e seguida de vivíssimas explosões de entusiasmo. Como se tivesse o dom da ubiqüidade, ele aparecia sempre nos pontos de maior perigo, e mais de uma vez chegava em ocasiões em que as nossas forças corriam risco de desbarato. Bastava, porém, a presença de Osório para mudar a face da situação. Como se uma corrente elétrica corresse os nervos dos nossos soldados, eles reanimavam-se, ganhavam ânimo aceso e acabavam por esmagar as aguerridas hostes inimigas.

Era “o Bravo dos bravos”, já o dissemos, e o Conde d’ Eu, ao conceder-lhe medalha do mérito, fê-lo pela “notável bravura que mostrou no combate de 12 de agosto de 1868”.

De resto, era sempre assim. Encerrado o glorioso ciclo guerreiro de Osório, entrou ele na atividade política. Em 1877 foi escolhido senador pelo Rio Grande do Sul, e a 2 de maio desse ano prestou juramento e tomou assento no senado.

Por decreto de 7 de janeiro de 1877 foi concedida a Osório a patente de Marechal do exército, graduado. Em 28 de agosto de 1877, Osório iniciou a sua vida parlamentar apresentando e defendendo um projeto de lei regularizando os vencimentos dos oficiais do exército. Em 1º de dezembro do mesmo ano, defendeu com calor a construção das estradas de ferro da sua província natal “querendo-as comerciais e estratégicas ao mesmo tempo”.

Por essa ocasião fez profunda crítica do orçamento da Agricultura e verberou o Ministério da Fazenda, atacando o contrabando no Rio Grande do Sul.

Ascendendo ao poder o partido liberal, Osório fez parte como Ministro da Guerra do gabinete Sinimbu, de 5 de janeiro de 1878. Nesse alto posto, mostrou-se o mesmo incansável homem de trabalho, que fora como soldado.

O Visconde de Ouro Preto assim se expressa a esse respeito:

“Era o Marquês do Herval trabalhador infatigável. Ao tempo das sessões, os despachos imperiais tinham lugar à noite, prolongando-se ordinariamente até 2 e 3 horas da madrugada”, e Osório estava sempre na brecha.

Ao cair da noite de 4 de outubro de 1879, faleceu o legendário Marechal Osório, aos 71 anos de idade > “56 dos quais, consagrados sem descanso, à glória do Brasil”.

Por seus raros e magníficos serviços à Pátria, foi agraciado com os títulos de Barão, Visconde e Marquês do Herval; finalmente, referendado pelo Imperador D. Pedro II como > Patrono da Arma de Cavalaria, do Exército Brasileiro.

O Marechal Manoel Luís Osório (Marquês do Herval), faleceu aos 04 de outubro de 1879, no Rio de Janeiro e de lá os gaúchos querem traze-lo ao Mausoléu que lhe foi construído em Osório (antiga, Conceição do Arroio – RS), sua terra natal.



OSTERMANN,  RUY CARLOS

Professor e Jornalista

Natural de São Leopoldo (RS), nascido aos 26 de setembro de 1934; além de professor era jornalista, radialista, contista e comentarista esportivo.

Escreveu no jornal Correio do Povo (Porto Alegre, RS), uma série de reportagens, sobre assuntos culturais e literários. > 1959-1960

Foi Diretor do Instituto Estadual do Livro (Porto Alegre, RS).

Trabalhou nas rádios Guaíba e Gaúcha, (Porto Alegre, RS).

Suas obras:
01 - Moderato Cantabile, Extinção do Mundo e Tiodoro (contos) > 1962
02 - O Admirável Futebol Brasileiro (história em parceria com Cid Pinheiro Cabral) > 1971



OURIQUE,  FELISBERTO MACHADO DE CARVALHO

Militar

Felisberto Machado de Carvalho Ourique nasceu em maio de 1819 e faleceu aos 13 de julho de 1862.

Diante da suspeita de ser o mandante do assassinado do Comendador Antônio Vicente da Fontoura, membro das Irmandades do SS. Sacramento e do Rosário (mantenedores do Cemitério das Irmandades de Cachoeira) > foi negado a Felisberto Machado de Carvalho Ourique o direito de sepultura naquele campo-santo, sendo então sepultado no ponto mais alto da cidade, onde hoje localiza-se o Cemitério Municipal de Cachoeira do Sul (RS); seu jazigo é o primeiro logo na entrada à direita.

Injustamente acusado (sendo absolvido pela justiça), como mandante da morte do Comendador Antônio Vicente da Fontoura, numa agitada mesa eleitoral de Cachoeira, no pleito de 08 de setembro de 1860, quando disputavam os votos os partidos “Santa Luzia” (liderado pelo Comendador) e “Saquarema” (liderado por Hilário Pereira Fortes - o Barão de Viamão), também por José Pereira da Silva Goulart e pelo então Maj. Felisberto Machado de Carvalho Ourique - o histórico Maj. Ourique > patrono de uma rua em Cachoeira do Sul (RS).

Através de Decreto Municipal, o Prefeito de Cachoeira (RS), conferiu com justiça a perpetuação de sua memória, denominando de Rua Major Ouriques, a via pública transversal leste oeste, que tem seu início no Arroio Amorim (Bairro Barcelos) e termina na Sanga do Matador (Bairro Santo Antônio).



OURIQUE,  JOAQUIM VITORIANO

Farroupilha

Revolucionário; cogitava o governo legalista mandar prendê-lo, logo no início do movimento rebelde de 1835.

Alferes de 2ª linha, já reformado, Joaquim Vitoriano Ourique era casado com Maria Cândida de Azambuja, tendo uma filha que era esposa de Francisco Pinto da Fontoura “Chiquinho da Vovó” ou, “Poeta dos Farrapos”.


--- ::: o ::: ---



. . . continua . . .























 













 











































































































































.

































































 






































Nenhum comentário:

Postar um comentário